Copagril
Dom João Carlos Seneme

Verdadeiramente ele era o filho de Deus

A liturgia do Domingo de Ramos, também chamado Domingo da Paixão, ilumina o nosso caminho quaresmal através da proclamação de dois evangelhos, ambos de São Marcos. No mesmo dia somos convidados a reviver a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e acompanhar os últimos momentos de sua vida. Com esta celebração entramos na grande semana que dá sentido à nossa fé, a Semana Santa.

O centro da Liturgia da Palavra se encontra na leitura da narração da Paixão do Senhor. A celebração deste domingo inicia com o “Hosana!” e culmina no “crucifica-o”! Não há contradição; é, antes, o coração do mistério que proclama: Jesus se entregou voluntariamente à paixão, ninguém tira a minha vida, eu a dou livremente. Amou até o fim. Foi movido pela fidelidade e amor ao Pai e à humanidade.

Casa do Eletricista CÂMERAS

São Marcos nos convida a seguir o Senhor, não somente na acolhida triunfal na entrada da cidade, mas, acima de tudo, no Gólgota, até a cruz. É ali que Jesus grita ao céu: “Meu, meu Deus, por que me abandonastes?” Não é um grito de desespero, mas de vitória. Naquele instante ele faz a oferta de si mesmo ao Pai e ao seu plano salvador. Abandonando-se nas mãos de Deus, Jesus realiza o sacrifício supremo de si mesmo e garante, assim, a salvação da humanidade.

A segunda leitura da missa expressa com muita propriedade este gesto de amor ao Pai e à humanidade: “Jesus Cristo, existindo em condição divina, não se apegou ao ser igual a Deus, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo, fazendo-se semelhante aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2,6-8).

De outro lado, não podemos esquecer os motivos que levaram Jesus à morte: motivos religiosos e políticos, traição de Judas, apóstolo que partilhava de sua vida e fé, e dos outros discípulos, que foram incapazes de permanecer com o Mestre até o fim. O medo foi maior. Durante a narração da paixão, Jesus, segundo São Marcos, permanece calado. O silêncio do Senhor denuncia a maldade daqueles que o condenam à morte. O silêncio de Jesus revela também a sua compreensão de que no desfecho dramático da sua existência terrena se realiza o desígnio de Deus. Do ponto de vista humano, a paixão de Jesus é dolorosa e escandalosa, mas, do ponto de vista teológico, a paixão do Senhor é positiva, pois ela é a manifestação mais completa do imenso amor de Deus pela humanidade.

A Coleta da Solidariedade realizada neste domingo é um sinal real de amor, partilha e solidariedade, feito em âmbito nacional, em todas as comunidades cristãs católicas, paróquias e dioceses. É parte integrante da Campanha da Fraternidade e expressa o empenho quaresmal de conversão. Por meio deste gesto concreto, a Igreja dá um testemunho de fraternidade e aponta o caminho cristão da partilha (cf. At 2,45). “Fraternidade e superação da violência”. “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8). Queremos fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da palavra de Deus, como caminho de superação da violência.

TOPO