Copagril – Sou agro com orgulho
Dom João Carlos Seneme

Vinde para um lugar deserto e descansai um pouco

Continuamos a refletir sobre o tema da missão no Evangelho de Marcos (6,30-34). Na reflexão de domingo passado (11), abordamos o fato de Jesus ter enviado os apóstolos às aldeias vizinhas com o objetivo de anunciar o Reino de Deus. Na abordagem deste domingo (18), acompanhamos o retorno deles e o momento em que relatam a Jesus tudo o que fizeram e ensinaram.

Jesus percebe o cansaço deles e os convida para ir a um lugar reservado para rezar, descansar e refletir.

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Os apóstolos precisam compreender que eles continuam a missão de Jesus. Por isso deverão seguir o único Bom Pastor, Jesus, que é manso e humilde de coração.

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A missão dos apóstolos está em estreita ligação com a missão de Jesus: o lugar é o mesmo (Galileia) e o conteúdo também (o Reino de Deus). Será uma vida a serviço de todos!

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Durante o trajeto acontece uma mudança nos planos. Uma grande multidão segue Jesus e os apóstolos; são pessoas sem rumo e necessitadas: precisam de alguém que os guiem e cuidem. Chama a atenção o carinho de Jesus tanto em relação aos apóstolos quando percebe que precisam descansar quanto à multidão que o procura e precisa de atenção: “Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas”.

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Jesus é o bom pastor já anunciado pelos profetas, que se preocupa com suas ovelhas. Diante da necessidade das pessoas que o procuram, Jesus manifesta a bondade e a misericórdia de Deus partilhando o pão que permanece para sempre. Hoje o alimento é o ensinamento, a partilha da palavra; em outro momento será o pão que sacia a fome. São sinais que devem orientar nossa conduta de pastores, de comunidade que se alimenta continuamente do pão da palavra e do pão da eucaristia e que nos coloca em condições de ser enviado em missão para atender as necessidades de quem sofre e precisa de atenção e misericórdia.

Pastorear é aproximar-se das pessoas e conduzi-las a Deus; o pastor é um facilitador deste encontro. É uma tarefa que fomenta a comunhão entre Deus e seu povo e das pessoas entre si. É o que faz Jesus quando percebe que a multidão que o seguia precisava de orientação e ele mostra o caminho de Deus sendo guia e acompanhante. A missão dos apóstolos será a mesma. A nossa missão de batizados também é a mesma.

Todo batizado é mediador entre Deus e a humanidade. Todos nós somos discípulos missionários. Devemos mostrar o caminho de Jesus, que é manso e humilde de coração. Ajudar pessoas a encontrar este caminho é tarefa de todos e todas, por isso mesmo nosso trabalho é chamado de pastoral, o pastor que cuida, protege e mostra o caminho. Esta tarefa pastoral, para que realmente produza os frutos que Deus espera, deve ser motivada pela misericórdia e compaixão. Sem estes valores corremos o risco de apresentar nossa própria vontade e interesses e deixar Deus de lado. Para ser verdadeiros pastores temos que tentar entender a vida dos outros, colocar-se em seu lugar, demonstrar que estamos unidos em um só coração e que o bem de nossos irmãos é essencial para nós.

 

O autor é bispo da Diocese de Toledo

Grupo Costa Oeste 2021

revistacristorei@diocesetoledo.org

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