Editorial

Violência para debaixo do tapete

A violência em nenhuma de suas vertentes é justificável.Aplicar violência para resolver situações quaisquer notadamente não é uma prática assertiva. Na prática, a violência gera morte, medo e dor. Portanto, seja num conflito entre nações, seja entre vizinhos, a violência vai somente piorar a situação, causando vítimas sem, muitas vezes, resolver absolutamente nada.

O Brasil é um país violento por natureza. As favelas abarrotadas de fuzis, os assaltos, sequestros e latrocínios são comuns. Mais de mil pessoas morrem por semana no país vítimas da violência. Alguns são policiais e inocentes, outros são bandidos. Essa violência das ruas deixa a família brasileira insegura, fechada em casas com portões altos, cercas elétricas, câmeras de monitoramento, segurança privada, etc.

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Há outro tipo de violência, mais silenciosa e recorrente do que se imagina, que tem perseguido vítimas brasileiras: a violência doméstica contra a mulher. Em Marechal Cândido Rondon, esse tipo de crime é recorrente. Quase 200 mulheres são vítimas de pessoas próximas a elas todos os anos na cidade. Os números de um ano a outro divulgados pelos órgãos de segurança e proteção não apresentam queda, demonstrando a falta de consciência e conscientização sobre o tema. Muita mulher ainda é desrespeitada e agredida, física e psicologicamente, no município.

Esse tipo de violência não escolhe cor, credo ou classe social. Atinge ricas e pobres, doutoras e analfabetas, causando danos irreparáveis para o resto de suas vidas. Os números da violência devem ser ainda maiores, já que uma parcela das vítimas não presta queixas contra seus agressores. De toda forma, dos quase 200 registros de ocorrência atendidos pela polícia todos os anos, aqueles que viram inquéritos e seguem adiante na justiça, para punição dos culpados, são próximos a zero. Por medo, dependência financeira, vergonha ou outro motivo qualquer, as mulheres não seguem adiante na busca por Justiça, deixando seus algozes livres das garras da lei, na impunidade.

Recentemente um caso de violência doméstica, com tentativa de homicídio, segundo a Polícia Civil, causou comoção em Marechal Rondon. Volta e meia, uma mulher é assassinada friamente na região. Na maioria dos casos, os agressores e assassinos são companheiros ou ex-companheiros delas, mas também podem ser filhos, irmãos, cunhados, vizinhos. O agressor pode estar em qualquer lugar.

A humanidade ainda não aprendeu viver com as diferenças. Pobres, negros, católicos, gays, mulheres, entre tantos e tantos grupos ainda são perseguidos com uma violência injusta e injustificável. A violência das ruas, no entanto, é fruto de uma convivência desastrosa dentro de casa, onde respeito e lealdade são valores repetidamente violados.

A sociedade de Marechal Cândido Rondon precisa estar mais atenta à violência doméstica contra a mulher. É preciso propor formas para acabar ou reduzir drasticamente esses números tão assustadores. É preciso falar sobre isso. A violência contra a mulher não se varre para debaixo do tapete.

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