Elio Migliorança

VIVA OS PARAGUAIOS

Esta história começou da forma como começam todas as histórias de corrupção e nepotismo. Muitos poderosos agem como se estivessem acima da lei que os demais devem respeitar. O senador paraguaio Victor Bogado empregou a babá de seus filhos na Itaipu Binacional. Quando o escândalo veio à tona, ela foi demitida e indenizada. A imagem do senador já era péssima no país pelo expressivo aumento de seu patrimônio nos últimos anos. Processado, o Senado de lá agiu igualzinho ao Congresso Brasileiro, negando a suspensão da imunidade parlamentar. No início as manifestações de repúdio foram tímidas através das redes sociais, mas aos poucos o movimento cresceu, tomou as ruas e a ele aderiram empresários que passaram a proibir a entrada em seus estabelecimentos dos 23 senadores que votaram a favor do denunciado. Um amigo que recentemente voltou de uma visita a Assuncion, emocionado relatou a maravilhosa lição de cidadania que testemunhou no vizinho país. Um detalhe: o voto no Senado paraguaio é aberto, logo todos sabem quem votou em quem. O surpreendente foi o poder de mobilização e o alto grau de politização do povo paraguaio e a reação de comerciantes, prestadores de serviço e taxistas que colocaram os 23 senadores numa lista negra sem precedentes. A reação foi tal que o Senado não teve outra saída se não reavaliar sua posição, e numa nova votação a imunidade parlamentar foi suspensa, e o senador Bogado está sendo processado. Esta mobilização é um exemplo para ser copiado e aplicado por aqui. Logo teremos aqui o voto aberto no Congresso Nacional, nossas redes sociais atingem todo o território nacional, portanto é o momento de dizer de novo “viva os paraguaios” que estão nos ensinando como tratar políticos corruptos e também aqueles que os protegem. Isto pode nos ensinar como resolver problemas graves por aqui. No mês de julho tivemos uma marcha de prefeitos a Brasília para reivindicar mais recursos e assim evitar a falência dos municípios, que nos últimos anos assumiram mais encargos com menos recursos. Agora, de 26 a 29 de novembro, foi a vez dos vereadores invadirem Brasília para bater na mesma tecla. Tudo isso gera desgastes, despesas e muitos discursos para pouco ou quase nenhum resultado. Aproveitando o exemplo paraguaio, podemos criar um mecanismo para fazer os municípios terem vez e voz. Como deputados e senadores vivem de votos, e no ano que vem temos eleições, vai aí uma boa sugestão. Prefeitos e vereadores reunirem os candidatos para que assumam o compromisso de apoiar os municípios no Congresso Nacional. Uma vez eleitos, os municípios brasileiros vão encaminhar seus projetos e controlar o voto no Congresso. Se o deputado ou senador não cumprir sua promessa e votar contra, coloca-se uma enorme placa na entrada da cidade e aviso nas redes sociais, comunicando à população que este mentiu e que não é mais bem-vindo à cidade. Se isso for feito em todos os municípios brasileiros, teremos um governo municipalista como nunca antes na história deste país, e o mais importante, seguindo uma ideia paraguaia, o que até pouco tempo ninguém acreditava ser possível. 
* O autor é professor em Nova Santa Rosa
miglioranza@opcaonet.com.br

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