Pref. Pato Bragado – Dengue 2019
Silvana Nardello Nasihgil

Viver requer dedicação e esforço

 

Viver não é simplesmente deixar a vida seguir seu curso como se fôssemos assistentes de um espetáculo. Viver requer de nós dedicação e esforço. Mesmo quando a gente acredita que não tem mais forças para continuar, existem inúmeras coisas possíveis para mudar a nossa história.

Muitas vezes por algum motivo que não entendemos, deixamos a vida acontecer automaticamente e insistimos em não enxergar outras possibilidades, potencializando o sofrimento ao invés de buscarmos extingui-lo. Então, é hora de olharmos para nós. É o momento de pararmos para pensar o que temos feito com tudo o que nos é dado todos os dias, porque só assim teremos possibilidades de mudar aquilo que não tem nos feito feliz. É certo que isso requer esforço, foco e determinação, porque, acima de tudo, é a nossa vida que está em xeque, e ela é o maior bem que possuímos.

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Então, a gente está esquecendo de se amar, a gente está esquecendo que não está no mundo para carregar pesos desnecessários. A gente está esquecendo de se olhar com um olhar de quem quer o melhor para si, de quem verdadeiramente deseja e merece ser feliz.

Nesse exercício absurdo de esquecermos de nós, nos abandonamos à própria sorte e deixamos a vida seguir seu curso como ela quiser.

Será que é só isso que merecemos?

Nessas horas precisamos buscar serenidade, olharmos lá dentro de nós, porque se faz necessário uma parada para buscarmos o caminho de volta, analisando os detalhes para descobrirmos as razões daquilo que temos permitido que aconteça nas nossas vidas. Só assim será possível enxergar além.

Um dos maiores entraves do nosso equilíbrio é a falta de capacidade que desenvolvemos diante dos problemas, de olharmos e podermos compreender que nada pode nos paralisar. Permitimos que uma barreira se instale como uma cortina densa que nos cega e nos impossibilita de enxergarmos que a vida possui infinitos caminhos e que as escolhas cabem a nós.

Quando damos a tudo isso o status de comandar a nossa existência, a vida trava e a dor de viver uma vida disfuncional toma conta dos nossos dias. Quanto menos olharmos para dentro de nós, menos possibilidades vamos enxergar de um futuro de tranquilidade e paz.

Ao invés de calçarmos os sofrimentos, barrando a sua entrada nas nossas vidas, nos permitimos convidá-los a tomar conta dos nossos dias. Muitos deles se tornam nosso “bicho de estimação” com o poder de nos tornar vítimas de uma vida sem propósito, sem futuro e sem sonhos.

E assim a vida vai seguindo… lamentos, medos, angústias. Sofrimentos emocionais e psíquicos precisam ser acomodados, dissipados, tratados, olhados como algo que não deve fazer parte dos nossos dias. Precisam ser removidos da nossa existência para dar lugar a um novo jeito de olhar e sentir o existir.

Ser feliz requer de nós esforços, se despir de medos, abandonar o “bicho de estimação” do vitimismo, olhar a vida encarando-a de frente, se permitir crescer, abrir os olhos e o coração para o novo, se arriscar e escolher viver o que acomoda a mente e faz o coração vibrar feliz.

Se isso é uma receita? Na verdade, não! Mas é um grande começo. Porque a receita verdadeira e eficaz está no amor próprio e na consciência de que existem muitos jeitos de ser feliz… cada um deve buscar o seu.

 

Silvana Nardello Nasihgil é psicóloga clínica (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

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