Editorial
Porcarias e migalhas

Inaugura um hospital, faltam médicos, compram novos equipamentos para a saúde, mas faltam operadores e manutenção, a creche tão esperada está pronta, mas faltam vagas para as crianças, o novo centro de eventos ganha vida, mas as paredes mal pintadas, a fiação exposta e a falta de extintores os tornam perigoso. No Brasil é sempre assim. Toda obra pública, salvo raros exemplos, é mal planejada e mal executada. O resultado é sempre um serviço de qualidade duvidosa, geralmente caro e ineficiente. Porque tem que ser sempre assim?

O alvo das mais novas críticas na região de Marechal Cândido Rondon é a rodovia que liga o município a Entre Rios do Oeste. A revitalização proposta pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) tem deixado muito motorista insatisfeito e desapontado.

A obra entre Rondon e Iguiporã agradou, mas depois do trevo em direção a Pato Bragado está deixando a desejar, fazendo com que moradores das cidades vizinhas questionem a qualidade do serviço que está sendo entregue. Em alguns locais, a completa substituição da camada asfáltica vira um tapa-buracos, deixando diversas irregularidades na pista. Além disso, esse tipo de obra causa mais problemas do que traz soluções, pois em uma ou duas chuvas o buraco reaparece, muitas vezes maior e mais perigoso.

Cansada, a população resolveu reagir. Em busca de explicações, as associações comerciais de Pato Bragado (Acibra), Entre Rios do Oeste (Acier) e Marechal Cândido Rondon (Acimacar) estão enviando ofícios às entidades executoras e lideranças políticas que representam a região.Eles querem saber o que houve com o projeto inicial e pedem uma fiscalização mais efetiva sobre a qualidade. A falta de informações também incomoda os reclamantes, que pedem mais clareza sobre o projeto inicial, sobre os custos, prazo de execução, etc.

A reclamação é justa, a fiscalização pertinente e os esclarecimentos devem ser obrigatórios. Afinal de contas, não é somente uma obra, bem ou malfeita, é recurso público indo para o brejo, para o lixo. A população precisa cobrar e o governo precisa dar explicações. Não se trata de caçar bandidos nas instituições públicas, mas sim mostrar as verdades e cobrar serviços de mais eficiência.

Também não se trata de conforto e bem-estar durante as viagens. Não bastasse o tráfego intenso em pista simples, muitas vezes sem áreas de escape, as rodovias esburacadas tornam a viagem muito arriscada e perigosa. É a segurança das pessoas que está em jogo. São vidas, muitas já perdidas pela falta de conservação, que estão em jogo.

Porque no Brasil tem que ser sempre assim? Esse tipo de afronta precisa acabar nesse país. A população que paga alguns dos mais altos impostos do planeta é sempre “presenteada” com porcarias e migalhas. É preciso exigir mais transparência e mais responsabilidade dos gestores.Eles precisam respeitar o dinheiro público como se fosse o próprio dinheiro. O contrário a população não tolera mais,muito menos merece tamanho desrespeito.