O Brasil das últimas décadas olha para o Nordeste como um reduto eleitoral da esquerda.
Chega criar ambiente de discussões sobre o Nordeste o fato de sempre votar nos candidatos da esquerda (Lula, Dilma, Haddad e Lula de novo).
Mas é bom buscar na história um fato curioso que mostra e prova que o Nordeste já foi o reduto conservador da política brasileira.
Nas eleições de 1982, ainda sob a tutela de um presidente indicado pelos militares, o último, João Batista Figueiredo, o Brasil já dava mostras de mudanças radicais aqui no Sul e no Sudeste, com a eleição de muitos governadores do PMDB e do PDT.
Todavia, um fato que hoje não encontra explicação, pelos resultados das últimas eleições presidenciais.
Em 1982, o Nordeste elegeu todos os governadores do PDS, nove governadores ligados ao governo militar, inclusive na Bahia e no Maranhão.
Mas o que aconteceu que o Nordeste parou de votar em candidatos conservadores e passou a ser o grande reduto da esquerda brasileira?
Hoje novamente percebemos que nas regiões Sul, Sudeste e centro Oeste principalmente, o eleitor que em 82 se manifestava contra o regime militar hoje se manifesta contra o governo do PT, pelo menos majoritariamente.
E na região Nordeste o eleitor que em 82 votou nos candidatos do regime militar, hoje vota no PT. Seria voto de esquerda ou apenas voto em Lula?
Assim como em 1982, hoje o eleitorado do Nordeste também é solidário com os governos que estão aí. Parece nem se importar se são bons ou ruins, se são rejeitados em outras regiões ou não.
O que mudou e mudou radicalmente é a forma de pensar. Se lá em 82 os eleitores do Nordeste majoritariamente apoiavam lideranças conservadoras e ligadas ao regime militar, hoje votam em Lula, crítico dos militares e autodenominando de esquerda.
Será que o eleitor nordestino um dia vai entender o eleitor do Sul e Sudeste?
Ou será que o eleitor do Sul e Sudeste vai tentar entender por que o nordestino tem essa larga preferência pelo PT, Lula e a esquerda, tudo que o eleitor do Sul e Sudeste rejeita majoritariamente?
Ou cada um já tem a sua resposta, como nas discussões em botecos e através das redes sociais?
Não creio que a resposta seja tão óbvia que não mereça uma análise mais profunda, detalhada e à luz de uma sociedade sem rótulos.
Por Arno Kunzler. Ele é jornalista. Fundador do Jornal O Presente, fundador da Editora Amigos e proprietário da Editora Gralha Azul
arno@opresente.com.br
@arnokunzler
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