O Presente
Arno Kunzler

Ratinho em debate

calendar_month 12 de março de 2026
3 min de leitura

Nas últimas semanas, cresce o debate, especialmente por meio das redes sociais, sobre a influência do governador Ratinho Junior na eleição do próximo governador do Paraná.

O que eram favas contadas (Ratinho elegeria seu sucessor com facilidade), aos poucos, começa a ser questionado.

Claro que isso vai depender muito da própria decisão política do governador e do seu partido, o PSD, que insiste em ter candidato próprio à Presidência da República.

Se o candidato for Ratinho Junior, muitos dos seus aliados e pessoas que aprovam seu governo vão migrar para a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.

Com um agravante, se Ratinho for candidato, o próprio Flávio Bolsonaro vai ter que arranjar outro palanque no Estado, e o palanque já está preparado para ele e com Sergio Moro para governador.

Bom, isso muda muita coisa. O voto do eleitor paranaense que elegeu Ratinho também é o voto do Bolsonaro, que em algumas pesquisas já alcançou 50% da preferência no Paraná.

Esse mesmo eleitor, a despeito de Ratinho já ter anunciado que seu candidato não é Sergio Moro, também manifesta grande preferência pelo senador na disputa ao Governo do Estado, sempre acima de 40% e, de certa forma, até ignorando os pré-candidatos apresentados pelo governador até agora.

Para mudar o quadro atual, o governador Ratinho Junior teria que abraçar seu candidato, que pode até não chegar no segundo turno e desconstruir a imagem de Sergio Moro.

E como desconstruir Sergio Moro, que é visto como uma reserva moral para muita gente e ídolo por onde anda no Brasil?

Sem tirar votos de Sergio Moro, o candidato do governador corre risco de não disputar o segundo turno, já que Requião Filho aparece em quase todos os cenários em segundo lugar e dificilmente ficará abaixo de 30% dos votos.

A questão menos ruim para o governador seria ele abrir mão de suas próprias pretensões, terminar seu mandato no governo e, aí sim, com apoio de Flávio Bolsonaro, segurar parte dos eleitores que hoje se manifestam pelo senador Sergio Moro, atraindo para seu escolhido.

E, convenhamos, não são poucos votos.

Mas será que Ratinho faria isso em nome de manter seu grupo unido e no governo desperdiçando a chance de ser candidato a presidente por um grande partido ou senador praticamente eleito?

Descolado de Bolsonaro, Ratinho sabe que é menos.

Para ser candidato a presidente, Ratinho Junior deve ter muita confiança no seu discurso e na sua boa imagem que construiu no governo.

Quando começar a disputa, vai ser guerra.

Por Arno Kunzler. Ele é jornalista. Fundador do Jornal O Presente, fundador da Editora Amigos e proprietário da Editora Gralha Azul

arno@opresente.com.br

@arnokunzler

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