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Dom João Carlos Seneme

Eu sou o Bom Pastor, eu conheço as minhas e dou-lhes a vida eterna

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O texto do Evangelho da liturgia deste domingo (08) faz parte do capítulo 10 do Evangelho de São João (Jo 10,27-30). É um capítulo em que Jesus diz a seus discípulos que ele é o “bom pastor”, disposto a dar a vida por suas ovelhas. Ele fala utilizando a imagem bíblica familiar do pastor. Davi era considerado o rei pastor, o profeta Ezequiel fala de Deus como o bom pastor que corajosamente procura suas ovelhas perdidas até que sejam encontradas (Ez 34). Jesus aqui se apresenta como este pastor. Suas ovelhas – seus discípulos – o seguem porque reconhecem sua voz. Eles não seguirão a voz de um estranho.

Os líderes religiosos do tempo de Jesus não eram pastores e, portanto, parecem não entender o uso dessa metáfora por Jesus. Os líderes estão frustrados porque Jesus não se enquadra na figura do Messias que eles esperam. Por isso exigem que Jesus responda claramente se ele é o Messias. Jesus os lembra das obras – os milagres – que ele realizou em nome de seu Pai que revelam sua identidade. A evidência é clara para seus discípulos, mas não para esses líderes porque eles “não estão entre as minhas ovelhas”.

Podemos ligar a imagem do bom pastor à multidão de que se fala no livro do Apocalipse (2ª leitura), não só porque o Cordeiro morto na cruz é também o pastor que deu a vida por suas ovelhas, mas também porque a história de tantos homens e mulheres é a história de quem sofre por amor: por uma pessoa frágil, um filho, um doente, um estrangeiro (…). Os poucos versos do Evangelho de hoje oferecem um modelo perene do amor autêntico que reúne homens e mulheres de todos os povos e línguas: um modelo fundado sobre o conhecimento, a oferta da vida e a comunhão entre Pai e Filho.

A vida cristã nasce da experiência de um profundo conhecimento: de pertencer ao Pai e ao Filho. Esta relação é fonte de vida que nos faz descobrir nosso lugar no mundo. O dom da própria vida é somente um sinal supremo desta intimidade.

O pastor dá a vida por suas ovelhas. Deus revela o seu amor amando todas as pessoas. Os seres humanos fazem distinção entre santos e pecadores, dignos e indignos, nobres e humildes. Deus, não. Ele sai em busca da ovelha perdida, coloca a ovelha ferida em seus ombros. Não é um mercenário que pensa somente na própria segurança e sobrevivência. Jesus não se intimidou diante do sofrimento da cruz, que revela o que é o amor verdadeiro pelos outros.

O amor em Deus se chama Pai, Filho e Espírito Santo. Há entre eles uma relação que conduz à missão, à obediência e ao dom da vida. É desta intimidade que nasce o amor gratuito, criativo, eficaz, capaz de sair de si mesmo e se concretizar a realização plena. É deste testemunho que nos fala Jesus no Evangelho e que mundo necessita tanto.

Hoje o mundo católico reza pelas vocações sacerdotais e religiosas, pedindo a Jesus, o Bom Pastor, que continue chamando pessoas generosas para dar continuidade à missão que Ele iniciou. “A messe é grande, os operários são poucos, necessitados, Senhor, de bons e santos presbíteros, religiosos e religiosas e de bons servidores do vosso povo. Amém”! Deus abençoe e fortaleça todas a mães. Feliz Dia das Mães!

 

O autor é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

 

 

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