O Presente
Dom João Carlos Seneme

Felizes os que na lei do Senhor vão progredindo

calendar_month 11 de fevereiro de 2023
3 min de leitura

Estamos ainda no contexto do Sermão da Montanha, o primeiro discurso de Jesus no Evangelho segundo Mateus. Depois das Bem-aventuranças, neste domingo (12) Jesus sublinha alguns princípios gerais (Mt 5,17-20), que regem a vida do judeu fiel.

A Lei ou, em hebraico, Torá, é o maior presente que Deus deu a Israel. A santidade do povo de Israel está diretamente ligada ao amor e fidelidade à Lei de Deus. Deste ponto de vista, não há oposição entre a Lei e o Evangelho; o próprio Jesus pode ser considerado como a Torá viva.

Sentado no monte e falando ao povo, Jesus atualiza a Lei para tornar possível a sua aplicação e para que não fique letra morta. Jesus revela o coração da Lei de Deus: não é suficiente uma fidelidade externa, é necessária uma intenção verdadeira que brote do mais profundo do coração e da mente.

Jesus apresenta seis casos concretos (seis exemplos) de interpretação da Torá (5,21-48), sempre introduzidos pela citação do Primeiro Testamento (“Vós ouvistes o que foi dito”) seguidos pelo comentário de Jesus (“Eu, porém vos digo”). Jesus atualiza os mandamentos, ou seja, Ele intensifica os preceitos chamando a atenção para que eles não sejam um peso, mas caminho de vida.

Jesus não veio abolir a Lei antiga e inaugurar uma lei nova, Ele veio revelar em plenitude a verdade contida na Lei de Deus e atualizá-la através da revelação da vontade de Deus para os discípulos naquele tempo e para nós hoje.

“A novidade da interpretação que Jesus faz da Escritura está na explicação da intenção de Deus ao dar os Mandamentos. Não basta, por exemplo, não matar. Devem-se evitar as palavras de desamor, de desprezo, de ressentimento contra o próximo” (Aíla Luiza Pinheiro de Andrade).

Jesus afirma que não são necessárias novas leis; a vida do fiel judeu era orientada por mais de seiscentos preceitos. Não era necessário acrescentar outras normas, era necessário um outro olhar: descobrir a intenção de Deus com a revelação dos seus Mandamentos.

É necessário dar um coração à lei, deixar que emergisse sua profunda relação com a fonte da qual ela originava: o Deus do Monte Sinai, o Deus que cuidava do seu povo, que tinha um rosto de infinita misericórdia. A justiça divina tem um sabor não de condenação, mas de perdão que dá impulso à força de viver.

As palavras de Jesus se referem ao Antigo Testamento, à Torá, que Ele bem conhecia e que resguardava as esperanças e expectativas do povo de Israel. João Batista pregava e atualizava com veemência anunciando a esperança que seria renovada com a chegada do Messias. É a partir das palavras de João Batista que Jesus inicia a sua missão.

Há ainda algo mais radical no Evangelho deste domingo. Jesus não somente retoma a Lei de Deus contida na Torá, mas chama a atenção para nossa humanidade. Ele não veio para nos sobrecarregar: “O meu jugo é suave e o meu peso é leve”. Ele veio para dar novo sentido à vida.

Jesus, verdadeiro homem, é o modelo da humanidade reconciliada e fraterna. Os mandamentos servem justamente para ajudar os homens e mulheres a ser irmãos e irmãs em Cristo.

Por Dom João Carlos Seneme. Ele é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

 
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