O Presente
Dom João Carlos Seneme

Jesus entra em Jerusalém para realizar seu mistério pascal

calendar_month 28 de março de 2026
4 min de leitura

Com a celebração do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor iniciamos as solenidades da Semana Santa rumo a Páscoa. “Este é o dia em que a Igreja celebra a entrada de Cristo em Jerusalém para realizar seu mistério pascal”.  Jesus é apresentado como o Rei-Messias que entra e toma posse de sua cidade. Ao contrário dos outros reis, Ele não entra como um rei guerreiro que marcha com seu exército, mas como um Messias humilde e manso, montado em um simples jumento.

O Domingo de Ramos nos coloca diante de um contraste profundo e decisivo para a nossa fé. Começamos com ramos nas mãos, com cantos e aclamações, acompanhando a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém. Mas, pouco a pouco, essa mesma liturgia nos conduz ao silêncio da paixão, onde o Rei aclamado se torna o Servo sofredor. Este movimento não é apenas narrativo, é espiritual, ele revela o coração do mistério cristão, o amor que se oferece até o fim.

A entrada de Jesus na cidade santa revela o verdadeiro rosto de Deus. Ele não vem com a força dos poderosos, não se impõe pela violência, nem se afirma pela superioridade, mas se apresenta como um rei humilde. Este estilo divino desconcerta as nossas expectativas. Muitas vezes desejamos um Deus que intervenha com poder imediato, que resolva tudo de forma visível. No entanto, Deus escolhe o caminho da humildade, da proximidade e do amor paciente.

Neste cenário, cada gesto ganha um significado espiritual. Os discípulos desatam o jumentinho, os mantos são colocados no caminho, os ramos são erguidos em sinal de alegria. Tudo isso nos envolve. Também nós somos chamados a “desatar” aquilo que em nós está preso, medos, inseguranças, resistências. O Senhor não pede perfeição, pede disponibilidade. Ele deseja entrar na nossa vida como ela é, para transformá-la a partir de dentro.

Colocar o manto no caminho é mais do que um gesto exterior. É um sinal de entrega. É permitir que Cristo passe pela nossa história, pelas nossas decisões, pelas nossas feridas e esperanças. Essa entrega se concretiza no cotidiano, na oração fiel, no jejum que purifica o coração, na caridade que se traduz em gestos concretos.

Mas o Domingo de Ramos não nos deixa permanecer apenas na alegria. Ele nos conduz rapidamente à cruz. A mesma multidão que aclama também rejeita. Este dado revela a fragilidade do coração humano, mas também a firmeza do amor de Cristo. Diante da injustiça, Ele não reage com violência. Diante da dor, Ele não se fecha. Permanece em silêncio, um silêncio que não é vazio, mas cheio de confiança no Pai.

A cruz, que se ergue no horizonte da Semana Santa, não é sinal de fracasso, mas de revelação. Nela, Deus manifesta quem Ele é. Não um dominador, mas um servidor. Não alguém que impõe, mas alguém que se doa. Aqui se resolve o grande dilema da humanidade, que tantas vezes busca a salvação no poder e termina na violência. Em Cristo crucificado, descobrimos que a verdadeira vida nasce do amor que se entrega.

Por isso, entrar na Semana Santa não é assistir a um drama distante. É caminhar com Cristo. É aprender com Ele a mansidão, a humildade e a confiança. É permitir que a sua cruz ilumine as nossas cruzes.

Que possamos viver estes dias com o coração aberto. Que não fiquemos apenas com os ramos nas mãos, mas avancemos até a cruz com fé. E, com Cristo, aprendamos que o verdadeiro triunfo não está no aplauso das multidões, mas na fidelidade do amor que se doa até o fim.

Por Dom João Carlos Seneme. Ele é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

 
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