Há um filme do cineasta americano Stanley Kramer, lançado em 7 de novembro de 1963, um clássico de comédia com o título “Deu a Louca no Mundo”. É isto que me vem à mente quando olho para a conjuntura mundial e vejo em andamento as mais absurdas e letais guerras que jamais imaginamos testemunhar em pleno século XXI.
Primeiro foi a invasão russa na Ucrânia, depois Israel destruiu a faixa de Gaza e agora, juntos, Estados Unidos e Israel estão bombardeando o Irã e o Líbano, enquanto os iranianos atacam bases militares dos Estados Unidos na região do Golfo.
Em poucos dias o preço do petróleo deu um salto para cima, os mortos já se contam aos milhares e as consequências ambientais causadas pelos gases tóxicos jogados na atmosfera pelos combustíveis que foram incendiados pelos bombardeios certamente vão causar estragos por décadas a fio.
E no meio desta confusão toda estamos nós, com esta impressão de que de fato “Deu a louca no mundo”, porque vivemos o pesadelo da possibilidade de faltar combustível. A nossa região é uma das maiores produtoras de proteína animal.
Aves, peixes, suínos e leite são produtos exportados para o mundo. Todos eles são melindrosos para serem produzidos, precisando de condições climáticas adequadas não só para produzirem carne de boa qualidade, mas também para se manterem vivos até o final.
Sobre nossas cabeças passa um produto invisível que é base fundamental de toda essa cadeia produtiva. Seu nome? Energia elétrica. Essa está sendo nossa guerra invisível. Quando você mais precisa dela, ela some. Isso me lembra um outro filme de grande sucesso, lançado em 1971 e que chegou ao Brasil em 1972, com o título: Laranja Mecânica.
A cor laranja me lembra a Copel, cuja cor símbolo é a cor laranja. Laranja mecânica pressupõe algo perfeito e funcional, embora esta não seja exatamente a mensagem do filme de 1972, mas o que constatamos por aqui é que a nossa laranja mecânica apodreceu. É inacreditável o estado de tensão permanente em que estão os produtores rurais. Antigamente a gente se preocupava com queda de energia quando vinha um temporal.
Agora não, numa tarde qualquer, de céu azul e tempo limpo, inesperadamente a energia simplesmente desaparece. Nos últimos tempos temos visto vários casos de prejuízos gigantescos causados pela falta de energia, em que morreram aves e peixes. O estresse e a angústia que os produtores rurais vivem no dia a dia não são notícia. E a Copel, que teve no ano passado um lucro bilionário, faz de conta que não tem nenhuma culpa no cartório.
E o camundongo junior responsável por esta desastrosa privatização, que jamais deveria ter acontecido, olha para as nuvens e sorri fazendo de conta que isso não lhe diz respeito. A privatização é o sinal de que o governante é incompetente para administrar o bem público. Além das constantes e inexplicáveis quedas de energia, há outra guerra invisível que a maioria da população desconhece.
Na área rural a energia deveria chegar com 254v, mas em determinadas horas do dia chega com 270 volts em média, o que danifica e queima muitos motores. A cada dia nós, produtores rurais, temos estas bombas pairando sobre nossas cabeças, e da mesma forma que não se vê uma solução a curto prazo para as guerras no Oriente Médio, por aqui também não se vislumbra uma solução. Enquanto o Governo do Estado faz propaganda que o Paraná é terra de gente que trabalha e cuida, podemos também afirmar que aqui é terra de gente que vende e descuida. Fica o registro do nosso grito de alerta.
Por Elio Migliorança. Ele é empresário rural, professor aposentado e ex-prefeito de Nova Santa Rosa
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