O Presente
Elio Migliorança

Os bárbaros e a matemática que não fecha

calendar_month 27 de março de 2026
3 min de leitura

A história da humanidade registra de tempos em tempos o surgimento de conquistadores bárbaros que vão invadindo, destruindo os obstáculos e tomando à força aquilo que não lhes pertencia. Um dos maiores conquistadores da história foi Genghis Khan, rei Mongol, unificou tribos nômades e criou o maior império contíguo da história, conectando a Ásia e parte da Europa.

Claro, e por onde passou deixou um rastro de sangue e destruição. Outro expoente foi Átila – Rei dos Hunos, conhecido como o “flagelo da Deus”, unificou tribos germânicas e nômades, ameaçando tanto o Império Romano do Ocidente quanto o do Oriente.

A destruição e mortes foram tais que se dizia que onde o seu cavalo pisava, nem a grama crescia mais. Pois bem, isso é da idade antiga da história, e nós achávamos que em pleno século 21, depois das milhões de mortes na pandemia, havíamos criado um nível de consciência tal que o único objetivo dos governantes seria proporcionar vida digna a todo ser vivo da face da terra. Não é o que estamos vendo.

Os bárbaros do século 21 olham para alguma riqueza ou poder, desejam aquilo e vão busca-lo à força. A humanidade está organizada num formato de “aldeia global” em que tudo está interligado e quando se puxa uma ponta de qualquer corda, lá do outro lado algo se mexe, provoca um desequilíbrio e o “efeito dominó” é inevitável.

A milhares de quilômetros de distância do conflito, todos pagam o preço da elevação dos preços dos combustíveis, que num mundo em que tudo anda sobre rodas, o reflexo é imediato. Mas é aí que a matemática não fecha. Os bárbaros modernos, Trump, Netanyahu & Cia. provocaram a guerra e aí entraram em campo os aproveitadores de plantão, sedentos por um lucro extra, pois quando uma fortuna está em jogo a cobiça se espalha como veneno na corrente sanguínea.

Veja porque a matemática não fecha.

Um navio demora de 30 a 45 dias para chegar do Golfo Pérsico até o Brasil, podendo às vezes demorar até 60 dias. Significa que quando a guerra começou, nosso abastecimento estava garantido para no mínimo 30 dias. Logo o novo preço só começaria a ser necessário depois deste tempo. Mas aqui não, no dia seguinte já começou uma escalada e em 15 dias o preço já tinha subido mais de 20%, sobre um diesel que estava em casa.

Outro fator importante: o Brasil só importa 20% do diesel que consome, logo 80% é produzido aqui. O aumento deveria ter sido aplicado somente sobre esta importação. Mas aqui não, o aumento foi sobre todo o diesel vendido, mesmo que ele  tenha vindo ali de Araucária/PR, milhares de quilômetros longe do ponto de estrangulamento que é o estreito de Ormuz.

O governo deveria, no dia seguinte ao início da guerra, sabendo que não é a primeira vez que os aproveitadores lucram com a desgraça alheia, editar um decreto ou medida provisória, congelando o preço dos combustíveis no valor daquele momento, e permitido a elevação de preços somente quando chegasse aqui o combustível com o preço majorado pela guerra. Teria com isso evitado este assalto ao nosso bolso, porque não é só quem abastece que paga mais.

Como o Brasil anda sobre rodas, do mercado ao picolé da esquina, tudo foi arrastado para cima como consequência do aumento no transporte. A nós, vítimas da barbárie, resta acreditar que a justiça não tarde para eles, pois se tardar, já falhou.

Por Elio Migliorança. Ele é empresário rural, professor aposentado e ex-prefeito de Nova Santa Rosa

miglioranza@opcaonet.com.br

@eliomiglioranza

 
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