Os viajantes sabem quanto significa esta afirmativa de que o seu passaporte já está carimbado. Significa que o caminho está livre e você pode seguir adiante. O Natal se foi e agora já estamos caminhando dentro do ano novo. Como de costume, a maioria divide suas comemorações natalinas através das celebrações nas Igrejas e muitas comemorações e festas em família. Há um carimbo no passaporte da vida que nos indica a passagem feita para o ano de 2026, mas não custa lembrar que temos um outro carimbo já fixado no passaporte da vida que nos remete para o seu final, única e absoluta certeza de que um dia haveremos de morrer.
Não por acaso, sempre que um ano termina, somos chamados a refletir sobre o ano que passou e também somos motivados a tomar algumas decisões, e diante disso, colocamos como meta realizar muitas coisas no ano novo. Muitos até cumprem as promessas, mas a maioria manda todas as promessas para uma região abstrata do cérebro de onde estes propósitos jamais voltam.
Talvez isso faça parte do ritual, prometer só pra marcar ponto nas festividades familiares e depois continuar a vida como ela sempre foi. Mas é importante que não esqueçamos de algo importante. Chegará para todos o dia em que há de começar o último ano de sua vida.
Para muitos de nossa comunidade, 2025 foi o ano. E assim em cada comunidade, muitos deram o último adeus. Para mim isso tem um significado profundo. Aproveito este período para avaliar as conquistas e derrotas no ano que passou. A palavra derrota pode parecer pesada, mas ela muda de sentido se, ao invés de frustrar-me com a derrota, faço dela um aprendizado.
Se algo deu errado, eu aprendi como não se deve fazer aquilo, já que o resultado não foi bom. Agora sei que daquele jeito não dá certo. Neste ponto da reflexão, chegamos a uma encruzilhada que é fundamental: eu acredito ou não que há vida depois da morte?
Se você não acredita na vida após a morte, nem precisará refletir muito, apenas aproveitar para curtir bem tudo aquilo que vier e tentar ser feliz desta maneira. Eu faço parte do grupo que acredita na vida após a morte, até porque ela tem uma razão lógica do ponto de vista humano. O ser humano é a única criatura do planeta que tem consciência da finitude da vida. E por esta razão as coisas possuem um sentido diferenciado.
Partindo desta certeza, fixo o olhar no retrovisor da vida e faço minha reflexão sobre as realizações pessoais do ano de 2025. Ter conquistado bens materiais é a lei natural da vida, afinal não se pagam as contas com folhas de laranjeiras, para isso é preciso dinheiro. Mas quais pessoas ou entidades eu ajudei sem visar benefício próprio? Quais pessoas eu discriminei ou marginalizei por causa da cor da pele, das suas convicções políticas, por sua crença religiosa ou por sua condição social? Fico penalizado quando falam do Cristo sofredor na Semana Santa, mas não me preocupo ou não me importo com aqueles que sofrem e que eu poderia de alguma forma ajudar?
Curtir a vida através das viagens que tenho feito ao longo dos últimos anos deve ser agradável aos olhos de Deus, afinal o custo vem de dinheiro fruto de trabalho legal, mas a vida não pode se resumir a isto. É preciso que os talentos que Deus nos deu sejam colocados a serviço dos demais, uma forma de gratidão por aquilo que a vida nos proporcionou.
Bem, se o balanço de 2025 deixou a desejar, estamos no inicio de 2026 e aqui podemos escrever uma página diferente. Aproveitemos a oportunidade antes que a data do carimbo do passaporte desta para a outra vida nos indique que é hora de partir.
Que todos tenham um ano de muitas realizações.
Por Elio Migliorança. Ele é empresário rural, professor aposentado e ex-prefeito de Nova Santa Rosa
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