Estamos vivendo um tempo em que tudo é acelerado. A tecnologia nos proporciona coisas fantásticas. É o mundo do WhatsApp. Podemos enviar vídeos, imagens e áudios em tempo real de qualquer parte do mundo para qualquer parte do mundo. Paralelo a isto, as pessoas não têm mais paciência para ouvir o áudio na velocidade normal, é acelerar para ouvir mais rapidamente, já que para ouvi-lo na velocidade normal é preciso paciência.
Da mesma forma que a tecnologia tem ocasionado esta aceleração, há outra aceleração em andamento, que veio de forma silenciosa, imperceptível e que pode tornar-se mortal. As mudanças climáticas estão nos mostrando a que vieram.
Quando parece que tudo está normal, bingo… lá vem outra lição. Ao mesmo tempo em que acompanhávamos a realização da COP30, que deveria debater e tomar decisões estratégicas para desacelerar estas mudanças climáticas, o clima fez uma entrada triunfal na atmosfera, acelerando sua trajetória em solo paranaense e varreu do mapa centenas de moradias na região central do Paraná.
A pequena Rio Bonito do Iguaçu foi notícia no mundo inteiro por conta da tragédia da qual foi cenário principal, juntamente com outros municípios da região central do Estado. O que se viu causou perplexidade. Ventos acima de 250 km/h, ou até acima de 300 km/h como foi noticiado, e a constatação e que foram não um, mas três tornados.
Causa-nos perplexidade este fenômeno, ou e a consequência lógica do que vem sendo anunciado nos últimos 20 anos?
Sim, porque os estudiosos no assunto já constataram que este processo está quase no ponto de não retorno. Enquanto escrevo este artigo, acompanho as notícias do Rio Grande do Sul onde a cidade de Erechim foi cenário de uma chuva de pedras causadora de muitos estragos, e logo em seguida a paranaense Ponta Grossa foi açoitada pelas pedras que vieram do céu. Aliás, o Rio Grande do Sul e Santa Catarina estão na rota das tragédias que quebram um recorde após o outro. E o que temos em nossa região é um clima cada vez mais imprevisível e assustador.
A COP30 terminou e os resultados práticos são pífios. As vozes discordantes ou negacionistas das mudanças climáticas falam tão alto que fazem a maioria não saber onde está a verdade. O fato é que o sossego acabou e que o futuro é imprevisível. Não há mais lógica e nem previsibilidade no clima.
O calor é cada vez maior, e nada mais é seguro, principalmente na área da produção agrícola, que depende diretamente do bom humor do tempo. Mas daí vão perguntar, o que nós, pobres mortais comuns, que não decidimos nada, podemos fazer para ajudar?
Há algumas práticas que estão ao alcance de todos, e que na soma das ações de milhões de pessoas podem fazer a diferença. Uso racional da água, de defensivos agrícolas, destinação adequada para o lixo, colaborar com a reciclagem do que é reciclável, apoiar ações de proteção ambiental, colaborar com a preservação de florestas e margens de rios, proteger nascentes de água, entre outras. Estas são ações e atitudes que podem fazer a diferença, e se não fizerem muita diferença, pelo menos a sua consciência estará dentro da esfera daqueles que podem dizer: dever cumprido, eu fiz a minha parte. O amanhã será cada vez mais incerto.
Por Elio Migliorança. Ele é empresário rural, professor aposentado e ex-prefeito de Nova Santa Rosa
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