O Presente
Fátima Baroni Tonezer

A ambivalência é normal

calendar_month 9 de março de 2026
4 min de leitura

E necessária à jornada

Você não precisa estar 100% certa. Você não precisa acordar um dia sem nenhum medo. Você não precisa escolher entre “querer totalmente mudar” ou “não mudar nada”. A ambivalência faz parte: querer sair do relacionamento E ter medo de ficar só. Querer colocar limites E ter medo de ser rejeitada. Querer uma vida nova E sentir saudade (bizarra) do sofrimento familiar.

Essas contradições não significam que você é confusa ou indecisa. Significam que você é humana. Que está fazendo algo difícil. Que está pesando perdas e ganhos reais. Que qualquer decisão, qualquer escolha, envolve custos emocionais também. Pare de esperar uma certeza que nunca virá. A clareza não vem antes da ação. Ela vem durante a ação.

EXERCÍCIO: MAPEANDO SEUS MEDOS

Reserve um momento honesto consigo mesma. Pegue papel e caneta (não só mentalmente, isso importa). Liste seus medos sobre mudar: do que exatamente você tem medo? Seja específica: a resposta “tenho medo de ficar sozinha” pode se tornar “tenho medo de não ter com quem jantar no sábado à noite”.

Para cada medo, pergunte: esse medo é baseado em fatos ou em suposições? Qual é o pior cenário realista (não catastrófico)? Eu já sobrevivi a algo parecido antes? Esse medo me protege de algo real ou me mantém presa em algo destrutivo?

Agora inverta o exercício – liste os medos de NÃO mudar: Se eu continuar exatamente como estou, onde estarei daqui a 1 ano? E daqui a 5 anos? Que oportunidades eu vou perder? Que versão de mim eu nunca vou conhecer?

Qual lista te assusta mais?                      

O MEDO NÃO VAI EMBORA

E você não precisa esperar ele ir! Aqui está uma verdade libertadora: você não precisa esperar o medo passar para agir. Coragem não é ausência de medo. É agir apesar do medo. Toda mulher que saiu de um relacionamento abusivo estava com medo. Toda mulher que colocou o primeiro limite estava tremendo. Toda mulher que escolheu ela mesma pela primeira vez sentiu culpa.

E elas fizeram assim mesmo. Porque perceberam que o desconforto temporário da mudança era menor que o sofrimento permanente de ficar. Afinal, você não está escolhendo entre felicidade e infelicidade. Esta é a ilusão: achar que está escolhendo entre uma vida maravilhosa (assustadora) e sua vida atual (ruim, mas controlável e conhecida). Na verdade, você está escolhendo entre: sofrimento com possibilidade de crescimento OU sofrimento sem possibilidade de crescimento. Ambos os caminhos têm dor. A diferença é que em um deles a dor tem propósito. Em um deles você está construindo algo. No outro, você está apenas aguentando.

A PERGUNTA FINAL

Se você soubesse, com absoluta certeza, que daqui a cinco anos você estaria bem, estável, em paz, em relacionamentos saudáveis, vivendo de forma alinhada com quem você realmente é, você faria a mudança hoje? Se a resposta é sim, então o que te prende não é a mudança em si. É a incerteza. É o caminho. É não saber se você vai conseguir. Mas vou te contar um segredinho: ninguém sabe.

Ninguém tem garantias. As mulheres que mudaram não tinham. Elas tinham medo, dúvidas, noites em claro. E caminharam assim mesmo. Um passo de cada vez, tremendo, chorando, duvidando, mas caminhando.

E chegaram do outro lado. Você também pode. O medo de mudar é real. Mas o custo de ficar é maior. Você sabe disso. Sua alma sabe disso. A pergunta não é se você tem medo. A pergunta é: por quanto tempo você vai deixar o medo escolher sua vida?

Até aqui estávamos conversando sobre medo, luto e mudanças. Se você chegou até aqui, vou te mostrar pequenos passos, seguros e validados para realizar a mudança que sonha. Se este artigo tocou você, guarde e releia quando o cansaço bater forte. E compartilhe com outra mulher que também precisa saber. E siga @psicofatimabaroni para mais conteúdos sobre autoestima e relacionamentos.

Até a próxima.

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755

 
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