O Presente
Fátima Baroni Tonezer

A boa notícia: padrões podem mudar

calendar_month 16 de fevereiro de 2026
4 min de leitura

Os padrões de apego não são destino

Qualquer mudança exige consciência e treino. Por que é importante falar isso logo de início? Porque depois de reconhecer e identificar os nossos padrões, dar nome a eles, chega a hora de mudar a resposta que damos as demandas de nossa vida. Aqui está algo poderoso: padrões de apego não são destino. Eles foram aprendidos, o que significa que podem ser desaprendidos e reaprendidos.

Não acontece da noite para o dia. Não acontece só com força de vontade. Mas acontece através de consciência repetida dos padrões quando eles aparecem; experiências relacionais novas e seguras (terapia, amizades saudáveis), prática consistente de escolhas diferentes, mesmo quando desconfortáveis, compaixão por si mesma no processo.

O PRIMEIRO PASSO É NOMEAR

Você não pode mudar o que não consegue ver. E não pode ver o que não sabe que está procurando. Então, o trabalho desta semana é simples, mas profundo: observe seus padrões sem tentar mudá-los ainda. Apenas veja. Reconheça. Nomeie. “Ah, olha eu de novo querendo consertar alguém emocionalmente indisponível”. “Olha eu me afastando justo quando alguém está se aproximando”. “Olha eu aceitando menos do que mereço porque o familiar parece seguro”.

Observação compassiva é o solo onde a mudança pode crescer. Você passou anos operando no automático. Agora está começando a despertar. E esse despertar, por mais desconfortável que seja, é o começo de tudo. A reflexão em quais relações da sua vida você está presente fisicamente, mas ausente emocionalmente ou não se sente vista? Você está sendo abrigo para quem? E como é essa relação consigo?

Depois dessas reflexões, o próximo passo é descontruir o medo. O medo é a  emoção que existe em nós, humanos, para nos alertar sobre perigos reais. Mas quando vivemos para agradar o outro, nos desconectamos de quem somos, perdemos a noção de quem somos, vivemos apegadas a nossa máscara, nossa personagem, criada para nos dar a falsa impressão de pertencimento e validação.

O MEDO DE MUDAR É MAIOR QUE O MEDO DE FICAR?

Existe um paradoxo cruel na vida de quem carrega um trauma relacional: você sabe que precisa mudar, sabe que a vida que está vivendo te adoece, sabe que merece mais. Mas quando chega a hora de realmente agir, algo te paralisa. Não é preguiça. Não é falta de vontade. É o medo.

E não é qualquer medo. É um medo ancestral, visceral, que sussurra: “Melhor o inferno conhecido que o céu desconhecido”. Porque o medo conhecido parece mais seguro. Seu cérebro tem um trabalho primordial: mantê-la viva e segura. Para isso, ele usa um atalho simples, ele valoriza o que é familiar, mesmo quando o familiar é doloroso. Porque, na lógica primitiva da sobrevivência, você já sabe como lidar com o familiar. Você sobreviveu até aqui, não sobreviveu?

Então, inconscientemente, um relacionamento ruim parece mais seguro que a solidão que você nunca explorou. Um emprego que te sufoca parece mais seguro que a incerteza de buscar algo novo. Pessoas que te tratam mal parecem mais seguras que pessoas desconhecidas que podem ser boas (ou podem te decepcionar). Não é que você goste de sofrer. É que seu sistema nervoso identifica padrão com segurança. E mudança, mesmo mudança positiva, ativa alarmes de perigo.

Na próxima semana vou mostrar o que o medo faz em nossa vida e como lidar com ele, de forma a seguir com mais segurança no caminho que escolheu.  

Se este artigo tocou você, guarde e releia quando o cansaço bater forte. E compartilhe com outra mulher que também precisa saber. E siga @psicofatimabaroni para mais conteúdos sobre autoestima e relacionamentos.

Até a próxima.

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755

 
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