Vamos começar refletindo: como você está? O que você faz? Quem é você hoje? E quem era você há dez anos? Essas perguntas são importantes para entendermos para onde estamos caminhando por estarmos desconectados(as) de nós mesmos(as).
A Síndrome de Burnout, segundo o Ministério da Saúde, ou síndrome do esgotamento profissional, não é considerada uma doença (não consta ainda como doença nem no Código Internacional de Doenças – CID-11, nem no Manual para Diagnóstico e Estatísticas de Doenças Mentais – DSM-5). É um distúrbio que recentemente começou a ser falado e diagnosticado, mas ainda não percebido corretamente.
A Síndrome de Burnout é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. É um distúrbio associado ao trabalho e à vida profissional. A principal causa do distúrbio é exatamente o excesso de trabalho, numa jornada de constante pressão para atingir metas e entregar produtividade.
Como já apontava Domenico De Massi, isso acontece porque o ócio significando lazer, descanso e relaxamento causa culpa e desconforto, já que é visto por nossa sociedade como perda de tempo.
A frase mais insana e maldosa: o que você faz enquanto os outros dormem é a senha do sucesso.
De que sucesso estamos falando? E que interessa a quem? A jornalista Izabella Camargo, aquela que teve um apagão em rede nacional enquanto fazia a previsão do tempo ao vivo em 2018, diz que essa síndrome é ausência de si mesmo(a).
A Síndrome de Burnout abre portas para inúmeras doenças, de depressão a infartos e Acidente Vascular Cerebral (AVC). E quais são os sintomas e sinais que indicam que você pode estar sofrendo com essa síndrome?
Cansaço físico e mental que não diminui depois de um ou dois dias de descanso, dor de cabeça frequente, alterações de apetite, insônia, sentimento de fracasso e insegurança, alterações de humor repentinas, isolamento, fadiga, pressão alta, dores musculares e problemas gastrointestinais. Esses são alguns sintomas de uma lista enorme, e geralmente surgem de forma leve, intermitente, e quando não vistas e identificadas a tempo, podem levar a doenças graves como um infarto fulminante.
Não estamos percebendo que o surgimento de várias doenças, que antes eram associadas a problemas com o envelhecimento, como AVC, infartos, problemas de memória e insônia, podem ter sua origem no Burnout. É necessária uma consulta com um profissional especializado que vai ouvi-lo(a) na sua integralidade.
A fixação na produtividade excessiva, com o consequente descuido com a saúde física e mental, está sendo fatal para nós, humanos. O mundo digital vende a ilusão de que ser multitarefas é o caminho. E estar atualizado, consumindo informações sobre tudo, o tempo todo, é o único caminho.
Isso é insustentável e está nos adoecendo! E quais os atalhos que estamos pegando para graves problemas de saúde, incluindo a Burnout?
A lista é interessante. Veja se você:
Está renunciando as horas de sono, por acreditar que dormir é para os fracos e perdedores, ou então se você dorme pouco durante a semana e passa o fim de semana todo dormindo para recuperar o sono perdido. Se sim, você tem um hábito nocivo e perigoso.
A rotina de dormir menos de seis horas por noite aumenta as chances de morte precoce e potencializa mais de 80 doenças. E note, além do excesso de horas de trabalho, o hábito de ficar no celular ou TV para relaxar até o sono vir é um poderoso ladrão de tempo e saúde. E não sou eu que estou falando; são inúmeras pesquisas cientificas que provam.
O descuido com a higiene corporal, para não perder tempo, é outro problema. Não estou dizendo que as pessoas não tomam mais banho. A questão é que os cuidados consigo mesmo(a) estão diminuindo. São banhos rápidos, escovar os dentes enquanto faz outra coisa junto. Pessoas com cabelo comprido e que têm o hábito de andar com o cabelo amarrado para ganhar o tempo de lavá-lo e escovar, é um sinal de alerta. Não estou dizendo que se você tem cabelo comprido tem que lavá-los todos os dias, mas passar a semana sem lavar com ele preso por falta de tempo também não é saudável.
Outro ponto que sofre com nossa correria é a alimentação. Vivemos tempos de fast food e delivery, que “poupam” tempo e são engolidos enquanto navegamos nas telas, falamos ao telefone, trabalhamos ou dirigimos. Tudo para ganhar tempo. Resultado, alimentação com comida de baixa qualidade nutricional, engolidos sem mastigar e sem perceber, comendo mais do que a fome pede. A obesidade é uma das doenças do século XXI, que mata muitas pessoas pelas doenças associadas a ela.
Mais um fator que estamos descuidando são as atividades físicas. Calma, não estou falando de academia, que é um dos tipos de exercícios físicos possíveis, mas não o único. Estou falando de atividade física, como deixar o carro longe do seu destino e andar algumas quadras, subir alguns lances de escada, trocando o elevador sempre que possível. Movimentos que podemos fazer naturalmente durante nosso dia e que nos livra do sedentarismo.
E, finalmente, não ter tempo para o lazer e a família, pois “vivo focada(o) no alto desempenho, em entregar os melhores resultados”. Sim, claro, e você está também pensando na sua família, em dar o melhor para eles, mais conforto, dar tudo o que você não teve. Eu entendo, mas não reclama quando se sentir sozinho porque não conhece os filhos que você não viu crescer, e que fora de trabalho não tem assunto para conversar com ninguém.
Descansar e relaxar é fundamental para a saúde física e mental. Sem descanso não há saúde.
Alguém pode pensar: ok, e como eu faço, então? Simples. E simples não significa fácil nem rápido, combinado? Se você usar os ladrões de tempo que listei acima ao contrário, cuidará de sua saúde. Colocando você na sua agenda. Isto é, não é cuidar de si com o que sobra de tempo. É estar no topo da lista da sua agenda. É vestir a camisa da empresa e o seu pijama também.
Veja, se você resolver guardar dinheiro para o futuro e pagar todas as despesas e investir o que sobrar, nunca vai conseguir ter uma reserva financeira, percebe. Com nossa saúde é a mesma coisa, primeiro cuida de sua saúde, e vai perceber um aumento de disposição e energia, e o trabalho vai render mais em menos tempo.
Identificou alguns sinais? Tentou descansar e os sintomas não recuaram? Ou sentiu culpa e desconforto ao tentar descansar? Está na hora de buscar ajuda especializada.
Até a próxima!

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755
@psicofatimabaroni