Como desapegar do conhecido para arriscar no novo?
Aprendemos a associar a palavra luto à perda física de uma pessoa querida. Mas o uso desta palavra é muito mais elástico e abrangente. Há algo sobre o qual pouco se fala: para mudar de vida, você precisa fazer o luto. Um luto real, profundo, doloroso.
Luto pela infância que você não teve. Pelo amor incondicional que deveria ter recebido. Pelos pais que deveriam ter sido diferentes. Pela versão de você que nunca pôde existir porque estava ocupada sobrevivendo.
Enquanto você se apega à fantasia de que “um dia eles vão entender”, “um dia ele vai mudar”, “um dia vai ser diferente”, você permanece amarrada. Porque reconhecer que isso nunca vai acontecer significa desistir da esperança. E desistir da esperança dói.
O LUTO COMO ACEITAÇÃO DO QUE NÃO FOI
E já começo diferenciando aceitar de concordar. Aceitar o que deveria ter sido e não foi é muito diferente de concordar com o que aconteceu e inclusive, sentir que era isso mesmo que você merecia. Não, você não merecia o que aconteceu. Você era uma criança e não tinha repertório para lidar com as situações conforme iam acontecendo. A responsabilidade era dos adultos.
Mas existe uma diferença entre esperança e fantasia. Esperança é acreditar que você pode criar algo novo, diferente. Fantasia é acreditar que os outros vão finalmente te dar o que nunca deram. Fazer o luto é soltar a fantasia para abraçar a esperança real.
O MEDO MAIS PROFUNDO “E SE EU NÃO FOR QUEM EU PENSO SER”?
Vou te contar algo que poucas pessoas admitem: às vezes, o maior medo não é mudar. É descobrir quem você é sem os padrões que sempre te definiram. Se você sempre foi “a forte”, quem você é quando se permite ser vulnerável? Se você sempre foi “a que dá conta de tudo”, quem você é quando coloca limites? Se você sempre foi “a que não precisa de ninguém”, quem você é quando se permite precisar?
Esses papéis, por mais exaustivos que sejam, oferecem algo: identidade. Você sabe quem é dentro deles. E renunciar a eles é como estar no escuro, sem referências. É assustador. E é exatamente por isso que tantas mulheres ficam presas. Não porque não são corajosas, mas porque a coragem de se redescobrir exige um nível de vulnerabilidade aterrorizante.
Na próxima semana vou mostrar qual é o real significado do medo. Qual o papel dele em sua vida. Ao mesmo tempo que protege, ele te engessa. Se este artigo tocou você, guarde e releia quando o cansaço bater forte. E compartilhe com outra mulher que também precisa saber. E siga @psicofatimabaroni para mais conteúdos sobre autoestima e relacionamentos.
Até a próxima.

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755