E as escolhas inconscientes
Na última semana, conclui os tipos de padrões que podemos desenvolver e como eles aparecem em nossa vida atual. Hoje, vou mostrar a parte mais importante: esses padrões não são escolhas conscientes. São circuitos neurais profundos, formados quando você estava apenas tentando sobreviver em um ambiente que não oferecia o que você precisava.
Você se vê atraída por pessoas indisponíveis não porque gosta de sofrer, mas porque o familiar parece seguro, mesmo quando é doloroso. Seu cérebro reconhece o padrão e diz: “Eu sei lidar com isso. Isso eu conheço”.
É por isso que simplesmente decidir “escolher melhor” não funciona. Você não pode resolver com lógica algo que está operando em um nível pré-verbal e emocional.
APRENDENDO EXERCÍCIOS DE RECONHECIMENTO
Reserve um tempo para refletir honestamente sobre estas perguntas. Sugiro que tenha ao alcance da mão um caderno e caneta para anotar as respostas que podem aparecer durante o exercício. Você também pode sentir desconforto ou lembrar de situações de sua infância em momentos aleatórios, isto é, quando não estiver pensando neste exercício. E já adianto, se for muito doloroso continuar o exercício sozinha, procure ajuda.
Vamos começar pelo início: sua infância. Reflita e anote: 1. quando você se machucava (física ou emocionalmente), o que acontecia? 2. como era demonstrado afeto na sua casa? Era previsível ou condicional? 3. você se sentia segura para expressar necessidades e emoções? 4. como seus cuidadores reagiam quando você estava triste, com raiva ou assustada?
Agora vamos olhar com cuidado para seus relacionamentos atuais. 1. qual é o padrão que você repete nos relacionamentos amorosos? 2. você tende a buscar mais proximidade ou mais distância quando está insegura? 3. como você reage quando alguém se aproxima emocionalmente? 4. que tipo de pessoa te atrai? Essa pessoa se parece de alguma forma com algum cuidador seu?
E agora, vamos avaliar suas reações automáticas. 1. quando alguém te critica, qual é sua primeira reação (se defender, se fechar, se explicar excessivamente)? 2. como você se sente quando precisa pedir ajuda? 3. você consegue receber elogios e afeto genuínos? Como seu corpo reage? 4. em momentos de conflito, você tende a lutar, fugir, congelar ou agradar?
Não existe resposta certa ou errada. O objetivo é apenas observar, sem julgamento, os padrões que se revelam.
RECONHECER NÃO É JUSTIFICAR
É fundamental entender: reconhecer que seus padrões vêm da infância não significa que as pessoas que te machucam hoje têm desculpa. Não significa que você precisa aceitar relacionamentos ruins porque “é seu padrão”.
Reconhecer é sobre entender por que você tolera o que tolera. Porque sai de um relacionamento ruim e entra em outro igual. Porque suas melhores intenções não têm impedido as repetições. Esse entendimento não te prende ao passado. Ele te liberta. Porque quando você entende os fios invisíveis que te puxam, pode começar a cortá-los conscientemente.
Na próxima semana vou mostrar como um padrão pode ser modificado e deixar de conduzir sua vida. Se este artigo tocou você, guarde e releia quando o cansaço bater forte. E compartilhe com outra mulher que também precisa saber. E siga @psicofatimabaroni para mais conteúdos sobre autoestima e relacionamentos.
Até a próxima.

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755