Desde que comecei a conversar com as pessoas através desta coluna, no Jornal O Presente, venho falando de saúde mental, e para falar de saúde é preciso saber identificar os sinais e sintomas que nosso corpo nos dá de possíveis doenças. Por isso, hoje vamos falar de uma síndrome que foi nomeada recentemente, mas que não é atual.
Em 1869, o médico George Miller Beard já falava do “American nervous”, referindo-se à população que estava exausta, nervosa por conta da moderna civilização. Estamos falando dos efeitos da Revolução Industrial, e, nesse momento, o mundo estava caminhando para o início da segunda Revolução Industrial.
O interessante é que nessa época, a qual George M. Beard já falava nesse assunto, não existia a luz elétrica como conhecemos hoje, já que Thomas Edison só inventaria o filamento da lâmpada elétrica em 1879, exatamente no dia 21 de outubro. A invenção da lâmpada foi o gatilho para grandes avanços da industrialização, medicina, indústria cinematográfica e outros campos do conhecimento. Contudo, dez anos antes do advento da luz elétrica, a população já estava exausta pela jornada de trabalho. Bem, de lá para cá a coisa só piorou, já que luz elétrica, máquinas mais potentes, internet, entre outros, nos trouxeram a quarta Revolução Industrial.
E essa revolução toda, isto é, o mundo digital que vivemos hoje, vende-nos a todo momento a ideia de que ser multitarefas não só é possível como necessário. A grande loucura do nosso tempo é que vivemos num mundo digital com um cérebro analógico.
E o que isso significa? Significa que enquanto corremos cada vez mais atrás de produtividade, de fazer entregas espetaculares e de sermos nossa melhor versão produtiva, alcançando metas, cargos e salários elevados e sermos reconhecidos por isso no mundo exterior, nosso cérebro continua o mesmo de séculos atrás, trabalhando para aumentar o prazer, diminuir a dor e poupar energia.
Muito bem, o que isso quer dizer? Estamos falando do que, afinal?
Nós, população mundial, estamos cada vez mais cansados, exaustos e o nosso corpo nos dá sinais claros disso. O que estamos fazendo é tentar colocar o motor de uma Ferrari em um Fusca e ganhar a corrida de Fórmula 1, e não está dando certo.
Basta ver que um dos negócios que mais prospera Brasil afora são farmácias. Literalmente, temos uma em cada esquina. Hoje não são só bares e lanchonetes que dão dinheiro; farmácia também.
E por que isso é um problema?
A sustentabilidade financeira de tantas farmácias vem do fato que estamos procurando nelas a “cura” do desconforto que sentimos, dos sintomas que nosso corpo grita diariamente. E haja antialérgicos, anti-inflamatórios, relaxante muscular, energéticos, remédios para dor para fazer frente ao cansaço, dores e falta de energia.
E nós, seres humanos, estamos sobrevivendo com o que sobra de tempo em que se transformou nossa agenda insana. Hoje até criança pequena tem agenda lotada de atividades para prepará-la para o futuro, mas que a impede de ser criança de verdade, isto é brincar.
É preciso tempo para trabalhar e estudar com o objetivo de melhorar a performance e entregar cada vez mais em uma corrida de produtividade insustentável para a saúde.
Isto porque hoje confundimos quem somos com o que somos.
Quando alguém pergunta “o que você faz”, geralmente a resposta é a atividade profissional, o nome do cargo e da empresa onde trabalha. Logo, o destino dessa nossa conversa é Síndrome de Burnout.
E, primeiro, é importante saber diferenciar cansaço da exaustão do Burnout. E como saber diferenciar? Cansaço é um sinal de que estamos precisando dar uma pausa, parar e descansar, uma boa noite de sono, um fim de semana tranquilo e relaxante ajudam a resolver.
A exaustão do Burnout vem quando o cansaço não é visto e resolvido com ações pontuais e imediatas. É acreditar que quando tirar férias, depois de um ou dois anos de trabalho, sob pressão para entregar resultados e outros movimentos tóxicos próprios do ambiente de trabalho, e passar uma semana na praia vai resolver tudo. E enquanto isso, uma pílula mágica, na forma de um remédio autoindicado resolve. Ou ingerir álcool ou alguma outra droga ilícita, ou comer algo gostoso e pobre em nutrientes seja a resposta, pois são recompensas imediatas e vazias.
Para entender se está na hora de buscar ajuda e ter um diagnóstico e tratamento efetivo, reflita sobre esses pontos:
- Como você cuida da sua saúde mental?
- Quanto tempo você dedica a você mesma(o) – para sua higiene corporal, sono e lazer?
- No último mês, quantas vezes você teve dor de cabeça, reclamou de cansaço, teve insônia ou problemas gastrointestinais?
- Nos últimos seis meses, quantas infecções ou crises de enxaqueca, rinite ou sintomas semelhantes você teve?
Aproveita a pausa da semana para refletir e observar. E na próxima segunda vem comigo, vamos conversar sobre a Síndrome de Burnout, sintomas e cuidados para lidar com ela.
Até a próxima!

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755
@psicofatimabaroni