A forma como você aprendeu a funcionar
Para ajudar você a refrescar os conceitos que estamos usando aqui, vou resumir os dois primeiros padrões que apresentei. É importante ressaltar que estou colocando uma forma muito resumida e breve do que realmente esses padrões são. E na Terapia do Apego são definidos quatro tipos de apegos. O objetivo de trazer este assunto aqui é te ajudar a desenvolver um deles, o apego seguro. Mas para isso é importante que você reconheça em qual deles você funciona.
Relembrando os dois abordados na semana passada, a forma de apego ansioso envolve um desejo de intimidade, mas também um medo de ser abandonada ou rejeitada. Já o apego evitativo é marcado por uma busca por independência e autonomia, e um medo de tornar-se dependente dos outros. Agora vou apresentar o terceiro tipo de apego.
O PADRÃO DESORGANIZADO “EU QUERO E TENHO MEDO AO MESMO TEMPO”
Talvez a mesma pessoa que deveria ser sua fonte de segurança fosse também sua fonte de medo: um pai agressivo, uma mãe imprevisível. Ambientes onde amor e dor vinham do mesmo lugar. Você aprendeu que as pessoas que você ama também podem te machucar profundamente.
Na vida adulta, isso se manifesta como atração por relacionamentos intensos e caóticos; alternância entre buscar intimidade e se afastar com medo; sensação de estar sempre em conflito interno; relacionamentos marcados por drama e instabilidade; dificuldade em confiar, mesmo quando quer e a sensação de que “amor dói” é normal.
Você não é “complicada” demais. Você só está navegando entre duas necessidades contraditórias: o desejo de conexão e o medo de ser machucada novamente.
COMO ESSES PADRÕES SE MANIFESTAM HOJE
Vou pontuar brevemente alguns exemplos. Reconheça se alguma dessas situações parecem familiar.
Nos relacionamentos amorosos, você escolhe parceiros emocionalmente indisponíveis e depois sofre tentando mudá-los. Sente que precisa “merecer” amor através de performance constante. Aceita migalhas de afeto como se fossem grandes gestos. E tem dificuldade em sair mesmo quando sabe que deveria
Nas amizades, é sempre você quem liga, quem busca, quem se esforça. Sente que incomoda quando pede algo. Tolera desrespeito com medo de perder a pessoa. Atrai pessoas que precisam ser “salvas”.
No ambiente de trabalho, você tem dificuldade extrema em colocar limites. Se sobrecarrega com medo de decepcionar. Não consegue dizer não sem sentir culpa avassaladora. Aceita condições abusivas porque “precisa” daquilo.
E no relacionamento consigo mesma, você é dura demais na autocrítica. Tem dificuldade em confiar em suas próprias percepções. Minimiza suas necessidades como se fossem menos importantes. E sente que precisa estar sempre produzindo para ter valor.
Na próxima semana vou mostrar como um padrão se manifesta hoje na sua vida. Mostrando o poder invisível dele. Os padrões operam de forma inconsciente. Se este artigo tocou você, guarde e releia quando o cansaço bater forte. E compartilhe com outra mulher que também precisa saber. E siga @psicofatimabaroni para mais conteúdos sobre autoestima e relacionamentos.
Até a próxima.

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755