Dependência emocional, apego e a confusão entre amor e sobrevivência
Nem sempre é o amor que mantém uma mulher em uma relação dolorosa. Às vezes, é o medo. Muitas mulheres se perguntam: “Se me faz tão mal, por que ainda fico?”. A resposta raramente é simples e quase nunca é falta de amor-próprio.
Quando existe dependência emocional, o relacionamento deixa de ser apenas um espaço de afeto e passa a ser uma fonte de regulação emocional. A presença do outro acalma, mesmo que também machuque. A ausência, por outro lado, gera angústia, vazio e sensação de abandono.
COMO NA DEPENDÊNCIA EMOCIONAL O OUTRO INFLUÊNCIA COMO ME SINTO?
Para compreender dependência emocional de forma bem didática, é quando o como o outro sente e age interfere em como eu ajo e me sinto. Por trás da dependência há, por parte de um dos parceiros, a necessidade de controle. Esse controle pode ser tanto seu, de interferir na vida do outro, tomar a frente e querer definir o que ele tem que fazer. Como do outro, interferindo na sua vida, nas suas ações e decisões.
Isso é muito comum em pessoas com apego inseguro, que aprenderam cedo que amor vem junto com instabilidade, esforço excessivo ou medo de perder (para entender sobre os tipos de apego, busque os artigos de 26/01 e 02/02/26). Nesses casos, o cérebro associa vínculo à sobrevivência emocional. A pessoa aprendeu a viver no “condicional”, se não agradar não faço parte, não tenho pertencimento e validação.
REFORÇO INTERMITENTE
O que significa? É bem comum ouvirmos histórias de relacionamentos abusivos onde o parceiro maltrata, usa violência física, emocional ou psicológica, quando não tudo junto, e em outro momento dá flores, leva para jantar, promete que foi a última vez, que vai mudar. É um fator muito importante onde momentos de dor se alternam com períodos de carinho, arrependimento ou promessa de mudança. Esse ciclo cria esperança e fortalece o vínculo, mesmo quando a relação é insatisfatória.
Assim, quando a mulher pensa em sair, não sente apenas tristeza, sente ameaça. Não é apenas o fim de uma relação, é o risco de perder uma referência emocional central. Por isso, frases como “ainda amo” muitas vezes escondem algo mais profundo: “não sei quem sou sem isso” ou “não sei se dou conta de ficar sozinha”.
Entender esse mecanismo não é justificar o sofrimento, mas retirar o julgamento. A mulher não permanece porque quer sofrer, porque gosta. Ela permanece porque, emocionalmente, ainda não encontrou um chão seguro fora dessa relação. Não consegue se reconectar consigo, acreditar na sua capacidade de seguir em frente.
No texto da próxima semana, vamos olhar para algo ainda mais profundo: como a história emocional de cada mulher influencia as decisões que ela acredita não conseguir tomar. Se este artigo tocou você, guarde e releia quando o medo e a incerteza bater forte. E compartilhe com outra mulher que também precisa saber. E siga @psicofatimabaroni para mais conteúdos sobre autoestima e relacionamentos.
Até a próxima.

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755