O Presente
Fátima Baroni Tonezer

Tenho andado estressada(o)! O que te estressa?

calendar_month 27 de fevereiro de 2023
6 min de leitura

Os tortuosos caminhos do estresse em nossa vida

Para falar de estresse, precisamos resgatar o caldo onde ele é preparado. E para isso, iremos conversar um pouco sobre o medo e a ansiedade. O medo é uma das emoções básicas, que tem a função de nos proteger e sempre tem relação com algo concreto e objetivo. O outro lado do medo é a ansiedade, que é mais subjetiva. Então, podemos dizer que a ansiedade é um medo difuso, já que não tem nada palpável a ser temido.

Por exemplo, aquele “medo do que os outros vão pensar de mim”, que não é nada concreto, do mundo real, são criações da nossa mente a partir de pistas ou gatilhos contaminados pelo nosso filtro, a maneira como vemos e interpretamos o mundo.

É aí que entra o estresse, uma reação bioquímica que ocorre a partir do medo e da ansiedade. O cérebro envia sinal para as suprarrenais, que vão produzir e liberar cortisol, que vão disparar a produção de outros hormônios, como a adrenalina, por exemplo.

O estresse faz parte da nossa evolução, pois ele dispara uma reação – fuga ou luta. Essa reação foi muito útil durante a história da evolução humana. Acredite, nós somos descendentes diretos dos medrosos e ansiosos, que tomavam cuidado e, por isso, sobreviveram e deixaram sucessores. As pessoas impulsivas daquela época não sobreviveram para deixar descendentes.

Contudo, o estresse também pode ser agudo ou crônico. O estresse agudo aparece em resposta à situação grave e traumática; é intenso e curto, isto é, a situação é passageira, e exige uma resposta imediata. Passado o momento, o estresse tende a diminuir, é um mecanismo natural do ser humano. Porém, em alguns momentos o estresse “não passa”, afetando a maioria das pessoas, por ser constante no dia a dia, de uma maneira mais suave, mas constante. Isto é, vivemos em estado de alerta permanente. A produção e dosagem de cortisol e adrenalina estão sempre elevadas e alteradas.

É como se vivêssemos à espera de uma tragédia, como se ela nos espreitasse o dia todo, todos os dias.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Estado de Goiás, “o estresse é uma resposta do organismo a determinados estímulos que representam circunstâncias súbitas ou ameaçadoras. Para se adaptar à nova situação, o corpo desencadeia reações que ativam a produção de hormônios, entre eles a adrenalina e o cortisol. Isso deixa o indivíduo em ‘estado de alerta’ e em condições de reagir”.

Esses hormônios se espalham rapidamente por todas as células, provocando aceleração do coração e da respiração, entre outros sintomas, chamados de “reação de fuga ou luta”.

O estresse pode ser provocado pelo trânsito – lento ou pesado – problemas financeiros, profissionais, familiares, histórico de vida, doenças, álcool, drogas, acidentes, correria, insegurança… a lista é enorme, e faz com que nosso corpo, através das suprarrenais, produzam excesso de dois hormônios: adrenalina e cortisol.

COMO POSSO IDENTIFICAR OS SINAIS E SINTOMAS DO ESTRESSE EM MEU CORPO?

As causas do estresse podem aparecer desde uma resposta à vida cotidiana até um trauma, perda de uma pessoa, do emprego ou uma situação de emergência, desastre natural, por exemplo.

Os sinais e sintomas de estresse podem ser manifestar de diversas formas. Os mais comuns incluem dor de cabeça (ou cefaleias), dificuldade com o sono, de concentração, irritabilidade, dor de estômago, insatisfação com o trabalho, depressão e ansiedade. O estresse, tanto o de curta como o de longo prazo, podem ter efeitos no corpo, uma vez que altera o seu funcionamento, abrindo caminho para diversas doenças. E também pode contribuir para a piora de quadros já existentes.

A lista de problemas provocados ou influenciados pelo estresse vai desde dor de cabeça, insônia, constipação, diarreia, irritabilidade, falta de energia e de concentração, comer demais ou não comer, raiva, tristeza, até crises de asma e artrite, tensão, cólica estomacal, inchaço do estômago, problemas de pele, ansiedade, perda ou ganho de peso, queda de cabelo, problemas cardíacos, hipertensão, intestino irritável, dores no pescoço ou nas costas, diminuição da libido e dificuldade de engravidar. Se você identificar alguns desses sinais ou sintomas, procure ajuda especializada.

COMO NÃO SER “ENGOLIDA(O)” PELO ESTRESSE

Para enfrentar o estresse, é essencial aprender a escutar seu corpo. Nosso corpo dá sinais, muitos sinais e, geralmente, ignoramos ou tentamos remediar os sintomas com algum remédio (automedicação), que camufla os sinais e continuamos na corrida.

E, tão importante como evitar o estresse, é perceber que está estressada(o) e lidar com ele de forma a interromper seu curso. E para isso, é necessária uma mudança de estilo de vida. Entre as formas de lidar com o estresse estão aprender a desacelerar e relaxar.

Contudo, na sociedade atual, relaxar e desacelerar soam como ofensa, e a maioria das pessoas sentem-se culpadas por não estarem fazendo nada. Domenico De Massi já falava em seu livro, de 2004, do ócio criativo, da necessidade de equilibrar trabalho, estudo e lazer.

Lembra da teoria da gravidade? Ela foi criada enquanto Issac Newton descansava embaixo de um pé de maçã. Por isso a necessidade de “incluir na sua agenda”, dormir, cuidar da alimentação, fazendo refeições equilibradas e saudáveis, manter o corpo flexível, com alguma atividade ou exercício físico adequado, conviver com pessoas (amigos e familiares) e cuidar de si mesma(o).

A mudança de estilo de vida inclui deixar de lidar com o estresse, a ansiedade com comportamentos e atitudes que prejudiquem a saúde, incluindo dormir pouco, usar e abusar do cigarro, álcool, drogas e de comidas, usando esses elementos como forma de recompensa rápida, uma cortina de fumaça para esconder o problema real.

Se não ouvirmos os sinais do nosso corpo, ele, como elemento mais inteligente e poderoso, nos para. E aí não adianta reclamar. Nosso corpo não é massa de modelar, que altero e uso à vontade. Ele tem limites. Respeitar esses limites é fundamental.

O estresse pode atravessar nosso caminho tanto pessoal como profissional ou de relações. Mas quando o assunto é trabalho, tem outro perigo nos rondando. Me acompanhe para saber qual é esse perigo e como lidar com ele.

Até a próxima!

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755

@psicofatimabaroni

 
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