Há muito tempo somos habituados a usar conceitos científicos como gírias para explicar coisas do dia a dia. Por exemplo: “estou deprê”, “estou estressada(o)” e por aí vai. Ou seja, quando as pessoas passam por um momento tenso, frustrante, triste ou algo assim, definem-se como depressiva(o), estressada(o).
Outra coisa interessante é que quando estou gripada(o), não digo que “sou gripada(o)”. Mas quando estou triste, digo que sou deprimida(o). Por quê?
Afinal, o que é depressão? Quando estou triste? Como diferenciar um estado do outro?
Tristeza é uma das seis emoções básicas do ser humano e tem como função nos levar à reflexão, a olhar para dentro e perceber como estamos nos sentindo e como lidar com essa situação. Na tristeza temos clareza dos pensamentos, sentimentos presentes, e é vista como um sentimento desagradável, negativo. De maneira simples e didática: toda tristeza tem um motivo. Seja uma frustração, a perda de uma pessoa querida, do emprego, às vezes até porque nosso time do coração perdeu o jogo ou o título. É pontual, convida-nos ao silêncio e à reflexão.
A tristeza tem motivo e, apesar de tristes, não deixamos nossos afazeres, isto é, não deixamos de trabalhar, cuidar da casa, da família, estudar, conversar com os amigos e familiares, achar bonito o dia ensolarado ou a lua cheia ou achar graça em alguma situação pontual. Na tristeza estamos mais recolhidos, olhando para dentro, pensando, refletindo, avaliando, tomando decisões, percebendo necessidades, fazendo pequenas (ou grandes) mudanças.
Mas se isso é tristeza, então o que é depressão?
O primeiro conhecimento necessário é que as causas da depressão são multifatoriais – genéticos, biológicos, ambientais e psicológicos – e atingem nosso cérebro. Há tristeza na depressão, mas geralmente é uma tristeza sem propósito, sem motivo. “Não sei dizer porque estou triste, é apenas um vazio”. A tristeza na depressão aparece como um dos sintomas e ele não tem tempo para acabar, uma vez que depressão não tratada pode se prolongar por muitos meses ou anos.
A depressão tem vários sintomas. O mais característico é a perda de interesse por coisas que anteriormente eram prazerosas. Outro fator são as interferências no sono, podendo provocar insônia ou hipersonia (sono em excesso). Também ocorre a perda ou o aumento de apetite, irritabilidade, pensamentos ruins ou negativos, entre outros. O depressivo vê o mundo “cinzento”, sente que não é capaz de reagir, sente medo, desânimo e muitas vezes prefere se isolar do mundo exterior. Por fim, a depressão passa por vários graus, podendo ir da leve à profunda.
Como reconhecer os sinais e sintomas da depressão em você ou em alguém próximo?
A depressão é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o “mal do século”. Há inúmeras evidências que mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente em relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina, e em menor proporção, dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células.
Estima-se que 1 em cada 5 pessoas no mundo apresentam problemas relacionados à depressão em algum momento da vida.
Pessoas com depressão costumam se descrever com as seguintes alterações de humor: irritabilidade, ansiedade, angústia, desânimo, cansaço fácil, necessidade de maior esforço para fazer as coisas, diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer, desinteresse, falta de motivação e apatia, sentimentos de medo, insegurança, desesperança, desespero e desamparo, pessimismo e ideias frequentes e desproporcionais de culpa.
É importante ressaltar que o diagnóstico de depressão requer a presença de cinco ou mais dos sintomas listados nos manuais diagnósticos (DSM-V ou CID-10), incluindo, obrigatoriamente, anedonia ou humor deprimido durante pelo menos duas semanas.
Entender que a depressão é uma doença faz toda a diferença. A pessoa está sofrendo e não tem controle sobre isso. E precisa de ajuda. Geralmente, durante o processo depressivo a pessoa não tem ânimo nem condições físicas e emocionais para pedir ajuda e lidar sozinha com a situação. Logo, ela necessita que alguém de seu entorno perceba o que está ocorrendo e a leve até essa ajuda.
Rede de apoio
Receber ajuda especializada – psiquiatra e psicológica – é fundamental nesse processo. É neste contexto que uma rede de apoio, tanto no meio familiar como no círculo social, torna-se fundamental. Infelizmente, a rede de apoio se mostra, na maior parte das vezes, precária ou inexistente por conta da disseminação de informações superficiais ou errôneas e até com a falta de sensibilidade das pessoas que convivem com a pessoa em sofrimento. Circulam por aí muitas informações truncadas ou de intencionalidade duvidosa sobre a doença. Por outro lado, é muito difícil estar ao lado de uma pessoa com depressão devido à carga emocional da situação.
Se você quer entender mais sobre esse drama pessoal que atingiu, segundo dados da Previdência Social no Brasil (2021), mais de 75 mil pessoas, as quais se afastaram do trabalho e do convívio familiar e social por conta da depressão, continue me acompanhando.
Você já ouviu falar de sintomas ocultos da depressão?
Você quer descobrir como se tornar apoio para alguém que precisa de ajuda?
E lembre-se: se tiver dúvidas, entre em contato por meio das minhas redes que estão disponíveis no final do texto.
Até a próxima.

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755
@psicofatimabaroni