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Feminicídio: um problema social que exige atenção e acolhimento

Enquanto os números preocupam, serviços como o NUMAPE oferecem apoio às vítimas


calendar_month 31 de março de 2026
5 min de leitura

O termo feminicídio foi utilizado pela primeira vez em 1976 pela ativista Diana Russell, no Tribunal Internacional sobre Crimes contra as Mulheres. Ele define o assassinato de mulheres pelo simples fato de serem mulheres — uma forma extrema de violência que nasce da desigualdade entre homens e mulheres.

Esse tipo de crime pode ser motivado por ódio, desprezo, sentimento de superioridade ou até pela ideia de que a mulher pertence ao homem. Essa lógica está ligada a uma cultura patriarcal que ainda persiste, principalmente nas relações familiares, onde muitas mulheres são tratadas como propriedade.

Mais do que casos isolados, o feminicídio é resultado de uma cultura que, historicamente, colocou o homem em posição de poder e controle. Essa desigualdade aparece tanto dentro de casa quanto na vida em sociedade e, em muitos casos, acaba legitimando a violência como forma de dominação. Por isso, o feminicídio não pode ser visto apenas como um crime individual, mas como um problema social complexo e enraizado.

A desigualdade entre homens e mulheres não é algo natural, mas resultado de uma construção histórica de milhares de anos. No início das sociedades humanas, homens e mulheres tinham papéis mais equilibrados e colaboravam juntos para a sobrevivência do grupo. No entanto, esse cenário começou a mudar quando os homens passaram a buscar maior controle sobre a reprodução e a organização social.

Com o surgimento da agricultura e a formação das primeiras comunidades fixas, essa desigualdade se intensificou. Aos poucos, consolidou-se um modelo de sociedade em que os homens passaram a ocupar posições de poder, dando origem ao que hoje conhecemos como patriarcado. Foi estipulado que o homem sempre deveria ter uma predominância sobre a mulher, o pai sobre a mãe, ou seja, a figura masculina precisaria se sobressair à feminina, estes seriam os chamados pensamentos machistas. Esse sistema legitimou o controle sobre a vida das mulheres, reduzindo sua autonomia e reforçando
a desigualdade.

Nos últimos anos, movimentos como o chamado “Red Pill” ganharam espaço no debate público. Baseado na ideia de que os homens estariam sendo prejudicados pelo avanço dos direitos das mulheres, esse tipo de discurso acaba incitando o ódio e dificultando o avanço de políticas de proteção e igualdade.

Ao mesmo tempo, o Brasil tem avançado em algumas medidas legais. Em março de 2026, por exemplo, foi aprovado um projeto de lei que equipara a misoginia ao crime de racismo, estabelecendo penas mais severas para crimes de ódio contra mulheres. Ainda assim, os desafios permanecem grandes.

Os números mostram a gravidade da situação. Em 2024, o Brasil registrou 1.459 vítimas de feminicídio — cerca de quatro mulheres mortas por dia. Além disso, estima-se que 30% das brasileiras já sofreram algum tipo de violência física por parceiro íntimo ao longo da vida. Só em 2024, foram cerca de 960 mil processos relacionados à violência doméstica, o que representa aproximadamente 2.600 novos casos por dia.

Apesar do aumento no número de julgamentos — que cresceram cerca de 23% —, especialistas apontam que ainda é necessário investir mais em prevenção, educação e proteção às vítimas.

Nesse cenário, serviços de apoio são fundamentais. O Núcleo Maria da Penha (NUMAPE) de Marechal Cândido Rondon, por exemplo, oferece atendimento psicológico gratuito para mulheres em situação de violência. O trabalho é voltado ao acolhimento, com escuta qualificada e atendimento humanizado, criando um espaço seguro para que essas mulheres possam falar sobre suas experiências sem medo ou julgamento.

O apoio psicológico é essencial para ajudar a lidar com sentimentos como medo, culpa e insegurança, além de fortalecer a autoestima e a autonomia. Esse processo também contribui para que a mulher compreenda o ciclo da violência e encontre caminhos para rompê-lo.

Combater o feminicídio exige mais do que leis: exige mudança cultural, informação e apoio. É um compromisso de toda a sociedade.

Autores

Catherine Letícia Liessem Iung, psicóloga pelo Núcleo Maria da Penha (NUMAPE)
Eduardo Vieira, estagiário do Núcleo Maria da Penha (NUMAPE) e graduando em Psicologia (PUCPR)

QUEM SOMOS

O Numape é um projeto de extensão da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Marechal Cândido Rondon. Faz parte da Superintendência Geral da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), do Governo do Estado do Paraná.

O Numape promove o acolhimento jurídico de forma gratuita e sigilosa, assegurando a tutela de seus direitos e a desvinculação do agressor para mulheres em situação de violência doméstica dos municípios de Marechal Cândido Rondon, Quatro Pontes, Pato Bragado, Entre Rios do Oeste, Nova Santa Rosa e Mercedes.

Em atuação desde 2019, o Numape realizou centenas de atendimentos jurídicos. O atendimento é realizado com uma escuta atenciosa e qualificada e todas as orientações cabíveis para cada caso são repassadas, sempre preservando a autonomia de decisão da mulher para dar seguimento nas fases processuais, que se desdobram geralmente em medidas protetivas de urgência, divórcio, dissolução de união estável, pensão e guarda dos/as filhos/as, entre outras ações. Além disso, promoveu dezenas de ações socioeducativas na comunidade em geral, alcançando inúmeras pessoas de diferentes faixas etárias e grupos sociais.

Entre em contato para saber mais sobre o serviço. O atendimento pode ser realizado pelo telefone celular e WhatsApp: (45) 99841-0892. Nos encontre também nas redes sociais. Estamos aqui por você. Até a próxima coluna!

 
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