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Osnei Alves

Formação de equipes de alto desempenho

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“Pense por você mesmo e deixe que os outros aproveitem o direito de fazer o mesmo”. (François Marie Arouet, mais conhecido pelo pseudônimo Voltaire)

Historicamente, o trabalho humano sempre foi executado por grupos ou equipes. Desde as chamadas comunidades primitivas, as pessoas dependeram de outras para que o seu trabalho fosse eficaz. Foi trabalhando em sociedade, distribuindo e compartilhando esforços, que os homens criaram a linguagem e as instituições econômicas, políticas e culturais. Foi assim que o homem se fez homem: agindo coletivamente.

Todo conhecimento é produzido coletivamente. Assim, a tarefa vital das organizações é transformar seu recurso mais essencial — as pessoas qualificadas, bem-informadas e dedicadas — em pessoas que compartilhem o compromisso de um propósito comum, dediquem-se umas às outras, desenvolvam um grau de preocupação com o bem-estar de cada uma, ajudando-se mutuamente sempre que necessário, repartindo conhecimentos, trabalhando umas com as outras para realizar o que tiver de ser feito, co-responsabilizando-se pelos resultados. É a isso que chamamos equipe. É necessário um longo e árduo trabalho de aprendizagem e amadurecimento.

Certamente, as mudanças constituem um desafio que exige investimento de todos os envolvidos no processo, desde a base técnica até a alta direção, o que requer na maioria das vezes uma transformação na cultura e na estrutura das empresas. Boa parte delas possui uma estrutura piramidal de poder ou está fixada numa cultura conservadora, embora com um discurso de administração inovadora fundamentado em qualidade e produtividade. Outras ainda, apesar de bem-intencionadas, confundem a criação de equipes com delegação de poderes e práticas aparentemente participativas. Além disso, equipes não são a solução para resolver todos os problemas das organizações e tratar de todos os desafios de desempenho, embora, geralmente, superem os resultados alcançados por grupos e pessoas que trabalhem isoladamente.

Para que os gestores exerçam o poder com sucesso, deverão ser sensíveis à fonte de poder, ou seja, deverão influenciar pessoas e situações; reconhecer custos, riscos, benefícios; admitir que cada uma tem seus méritos; possuir objetivos de carreira; agir com maturidade e exercitar o autocontrole, compreendendo assim que a competência é necessária para as realizações.

O gestor, ao liderar, deve ter autoconhecimento, autodesenvolvimento, sensibilidade e habilidade para lidar com diferenças e obter a adesão das pessoas à sua causa, que deve necessariamente estar atrelada aos negócios da empresa. O compartilhamento do poder, pelo líder, pode ser fator motivacional para as demais pessoas da equipe, ao mesmo tempo em que se revela como estratégia para a organização responder, com agilidade, às mudanças ocorridas no mundo contemporâneo.

Portanto, formar equipes que possam maximizar talentos individuais é de vital importância para o sucesso de qualquer empresa que utilize equipes de trabalho como parte de sua estrutura organizacional. Segundo Larson e LaFasto (1989), um dos maiores desafios desta tarefa está no processo seletivo, pois, muitas vezes, os membros são escolhidos pelas razões erradas (ex: escolher por razões emocionais ou puramente por afinidades pessoais, ou por manter políticas).

O desempenho da equipe depende, ainda, da qualidade do entrosamento entre seus membros. Suas personalidades e experiências profissionais e pessoais afetarão a equipe – a formação de um todo harmonioso será influenciada pela maneira como estas personalidades e experiências se articularão. Formar boas equipes, portanto, exige seleção minuciosa e uma prévia avaliação de como os perfis e personalidades individuais dos candidatos podem vir a se entrosar.

Não existe um manual nem receita para garantir o desempenho eficiente, eficaz e efetivo de uma equipe. O desempenho é influenciado por um conjunto de elementos internos e externos às equipes, que precisam ser examinados e avaliados periodicamente para que eventuais desvios ou eventos desagregadores sejam enfrentados e superados, para que elas possam continuar progredindo. Uma verdadeira equipe investe tempo e esforço no sentido de explorar novas formas e meios, ajustando-se, procurando acordo e reafirmando compromissos em torno do objetivo comum. A prática de uma equipe é uma redescoberta cotidiana das possibilidades do trabalho, tanto em relação às tarefas quanto às relações interpessoais.

De acordo com Tonet et al (2009), para a eficiência de uma equipe é importante considerar cada um dos fundamentos seguintes quando estiver avaliando a atual situação da sua equipe, de trabalho, tais como:

  • O número de participantes é suficientemente pequeno para garantir comunicação, interatividade e buscar acordo sobre cursos de ação específicos?
  • Os membros da equipe estão esclarecidos a respeito de suas responsabilidades individuais, bem como de suas responsabilidades comuns?
  • Existem níveis adequados de conhecimentos complementa- res ou potencial para adquiri-los nas três categorias (solução de problemas; funcional/técnico; e relacionamento interpessoal)?
  • As metas específicas são realmente metas de equipe ou apenas de uma só pessoa (do líder, por exemplo)?
  • A abordagem de trabalho é clara, realmente entendida, e com ela concordam todos os participantes? Será que ela é concreta e resultará na realização das metas?
  • Existe um propósito verdadeiramente significativo e abrangente que possa ser almejado por todos os participantes? 

Tonet et al (2009) menciona que podemos identificar alguns fatores que criam a possibilidade de concretizar o melhor desempenho das equipes.

  • Formar equipes por competências complementares para que possam trocar informações, desenvolver novas ideias, aumentar seus conhecimentos, resolver problemas a partir desse intercâmbio e tomar decisões.
  • Estabelecer um objetivo comum, meta e direção para que todos saibam quais as expectativas em relação ao desempenho e ao propósito de equipe. A maioria das pessoas necessita ser desafiada a atuar de forma direcionada.
  • Selecionar participantes com base na capacidade de relacionamento interpessoal, e não em função de traços de personalidade, ou seja, pessoas com competência para lidar com as diferenças.
  • Trocar percepções periódicas e programadas para refletir sobre atitudes e comportamentos facilitadores e dificultadores da integração do grupo, removendo obstáculos, confrontando experiências e expectativas, com o objetivo de fortalecer o espírito de equipe, reelaborando propostas de cooperação e ajuda mútua.
  • Estabelecer normas de organização e funcionamento da equipe, a fim de promover compromisso e confiança na execução das tarefas. As normas devem ser para valer e cumpridas por todos, para que os membros da equipe não percam a credibilidade uns nos outros, o que pode gerar insegurança, desmotivação, distribuição desigual de esforços, podendo desagregar a equipe. Responsabilidade mútua requer confiança, interdependência e quantidade equivalente de trabalho real.
  • Definir algumas tarefas e metas individuais, pois trabalhar em equipe não significa todo mundo fazer tudo ao mesmo tempo. O desempenho coletivo necessita da contribuição e do investimento pessoal para a consecução das metas, que devem ser claras, simples e mensuráveis.
  • Prover o grupo imediatamente com novos fatos e informações para atualizar e redefinir ações e atividades, evitando o máximo possível o retrabalho e o desgaste emocional que isso pode provocar.
  • Programar reuniões periódicas com o propósito de aumentar o convívio entre os membros do grupo, o que promove integração e engajamento interpessoal. A experiência nos mostra que as equipes devem passar bastante tempo reunidas, especialmente no início, quando se observam atentamente os sinais enviados a uns petos outros no sentido de confirmar ou dirimir dúvidas e preocupações existentes.
  • Ter consciência de que a equipe não é a soma das partes, mas um conjunto novo que surge a partir do intercâmbio das diferenças para a construção do conhecimento novo. Nenhum membro da equipe é dono da verdade, e deve haver flexibilidade suficiente para examinar as possibilidades surgidas do confronto das diferenças, relativizar pontos de vista e buscar o consenso sempre que possível, mantendo um sentido de unidade.

As equipes estão provocando, atualmente, uma necessária reflexão e uma sensível diferença no modo de fazer as coisas. Tudo o que precisamos é reconhecer e aproveitar da melhor forma o potencial das equipes existentes nas organizações, não só na busca da produtividade e de inovações técnicas, mas principalmente na realização de mudanças para o aumento da qualidade de vida, por meio da responsabilidade, da ética e do compromisso com o outro nas relações de trabalho.

Quem é Osnei Francisco Alves

Osnei Francisco Alves é especialista na área de gestão, estratégia empresarial, marketing, comunicação, tecnologia, educação, entre outras. Escritor de livros e artigos científicos. Atualmente, gerente executivo do Senac em Marechal Cândido Rondon.

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