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“A construção civil movimenta o país”

calendar_month 29 de novembro de 2025
11 min de leitura

Empreendedor Fernando Mantovani apresenta números e dá a dimensão do impacto econômico e social dos novos loteamentos e condomínios em Cascavel

FERNANDO MANTOVANI “A cadeia da construção civil é gigantesca, movimenta este país. O agro é importante, mas o segmento da construção paga mais imposto para o município e envolve uma cadeia imensamente maior.”

O empresário Fernando Mantovani acaba de imprimir uma nova logomarca no portfólio que já agrega mais de 2 milhões de metros quadrados construídos e entregues.

A marca tem três letras: FJM, acrônimo para Fernando e Juliana Mantovani. A sigla irá designar a nova área de atuação do grupo, focada em condomínios premium.

O primeiro está sendo lançado no dia 26 de novembro na rua Jorge Lacerda, o Bella Garden Residencial. Responsável pelo desenho dos condomínios, Juliana Mantovani se inspirou nas viagens internacionais do casal, principalmente nos EUA, onde a família mantém negócios.

Nessa entrevista, Fernando dimensiona o impacto econômico da construção de um condomínio e revela a recente negociação com Itaipu que irá transferir os cavalos de seu Haras para muito além de Terra Roxa. Acompanhe:

R$ 210 MILHÕES

A sociedade e nossos líderes políticos precisam entender melhor o impacto econômico espraiado de um condomínio. Cito o exemplo do Bella Garden, que estamos lançando agora na Jorge Lacerda: 98 sobrados edificados lá, média de 180 metros quadrados cada, a R$ 12 mil o metro, projeto um aporte somado de R$ 210 milhões.

IMPACTO ECONÔMICO

Esse dinheiro todo vai se direcionar para uma cadeia imensa de prestadores de serviços e comércio. É o servente, o pedreiro, o engenheiro, arquiteto, corretor de imóveis, o jardineiro, a secretária do lar, e principalmente para os três níveis de governo em forma de impostos, Prefeitura, Estado e União. Bem administrado, esse recurso volta em forma de serviços públicos para toda população. É dinheiro na veia da economia.

CIPOAL DE IMPOSTOS

Governantes precisam entender que estimular e fazer rodar essa cadeia gera também muito tributo: é ITBI, ICMs, Issqn, IPTU, INSS, enfim, um cipoal sem fim de impostos que irão abastecer os cofres públicos. E isso pode se traduzir em benfeitorias para toda população. Sem dizer que empreendimentos imobiliários modernizam e embelezam as cidades. Pela sua localização, na entrada da cidade, o Bella Garden será um cartão de visitas de Cascavel.

DINHEIRO ENGESSADO

O empreendedor precisa ser visto e entendido como gerador de riquezas, empregos e oportunidades. O loteador, incorporador ou investidor trazem o desenvolvimento social e econômico. Governos precisam olhar com carinho para esse segmento, tirar os entraves, deixar mais fluído para destravar aportes bilionários que estão paralisados e engessados.

INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO

A cadeia da construção civil é gigantesca, movimenta este país. O agro é importante e fundamental em nossa região, mas é preciso compreender que o segmento da construção paga mais imposto para o município e envolve uma cadeia imensamente maior.

ENTRAVES

Em regra o pessoal da Prefeitura e mesmo os vereadores são muito prestativos conosco, nos recebem bem e fazem o que está no alcance para agilizar os projetos. O entrave está no licenciamento ambiental. E não está nas pessoas que lá atuam. Está na falta de servidores. A regiona de Cascavel do IAT, por exemplo, atende dezenas de municípios da região. Faltam braços. É 180 dias de prazo para analisar, 180 dias para responder, quando vê se passaram anos.

DESISTÊNCIA

A maioria dos empreendedores do meu setor desiste no meio do caminho esperando licença. Eu mesmo, com mais de 2 milhões de metros quadrados executados em Cascavel e mais oito municípios, pensei seriamente em convocar meu pessoal e anunciar o fechamento da empresa. Vejo muitos outros empresários na mesma situação. Tenho milhões em recursos aportados e imobilizados e não consigo fazer rodar.

Carolina, Juliana e Fernanda, fontes de inspiração para o casal Mantovani

DINHEIRO NO AR

Olha para a taxa Selic a 15% e vejo muitos potenciais empreendedores recolhendo o dinheiro no banco. Chamam isso de colocar o dinheiro no ar condicionado para trabalhar para você. Se todos fizerem isso, como fica a economia do país? Amigo meu está recebendo 1,51% ao mês na aplicação. Ele chegou pra mim e disse: – Por que você ainda está se incomodando, eu coloquei o dinheiro para trabalhar pra mim! Faz todo sentido, R$ 10 milhões aplicados em médio prazo rendem R$ 150 mil mensais e dobram o capital em uma década.

OUTRA PEGADA

Esse seria um caminho fácil para mim, mas não nasci para isso. Sou contra por o dinheiro no ar condicionado. Sou a favor de por o dinheiro para trabalhar gerando empregos e oportunidades para as pessoas. Estou aprovando nove empreendimentos simultaneamente, seis deles em Cascavel. Minha pegada é outra. O dinheiro pelo dinheiro não faz sentido. Fará sentido se cumprir também uma função social e econômica para nossa comunidade.

INDENIZAÇÃO DE ITAIPU I

Sim, vendi a área do Haras Mantovani em Terra Roxa para Itaipu. Não pagaram o preço que os proprietários queriam receber, mas indenizaram, não tomaram nada de ninguém. É uma compensação justa para os povos originários. Eu posso criar cavalos em Guaíra, Cascavel, São Paulo ou até no Texas, onde já estou criando alguns animais.

INDENIZAÇÃO DE ITAIPU II

Os indígenas são originários daquela região, a história deles está ali, os antepassados, o território que foi alagado pelo reservatório, colocando embaixo da água séculos das tradições e trajetória deles. O lugar tem um significado espiritual e comunitário para eles. Aplaudo Itaipu e sou criticado pelos fazendeiros daquela região por concordar com as indenizações. A reparação significa centavos perto do faturamento de Itaipu. São centavos para quitar uma dívida histórica.

Juliana (à dir.) inspirou o surgimento de condomínios fechados exclusivos

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3 mil metros, 40 anos depois

Como foi calçar o tênis de corrida quatro décadas depois da primeira e única experiência

VANDERLEI FARIA

“Pereirão” era o apelido do Luiz Oliveira, amigo de infância. Ganhou essa alcunha do meu tio, Jair Lemos, radialista no Rio de Janeiro, que passava parte das férias anuais com os sobrinhos em Cascavel.

Trazia sempre alguma lembrança do Rio. Recordo- me de uma camiseta do Vasco da Gama, autografada pelo camisa 10, Roberto Dinamite, e de um jogo de camisetas amarelas onde se lia “Solinho”, diminutivo simpático para o astro-rei.

Tio Jair estimulava as peladas no campinho de chão batido na divisa dos bairros Alto Alegre e Coqueiral. E logo apelidou meu amigo de Luís Pereira, em alusão ao icônico beque do Palmeiras.

Havia poucas semelhanças físicas, afinal, Luiz é “cara pálida” e o “Pereira” original um afrodescendente destro – ao passo que meu vizinho chutava de bico e de esquerda.

CORRIDÃO EM FOZ

Fato é que “Pereirão” inventou de competir em Foz do Iguaçu nos 3 quilômetros “rasos”. E me convenceu a, com ele, representar o colégio Polivalente onde ambos cursávamos o ensino médio. Treinamos uma única vez na Avenida Assunção, em frente ao terminal rodoviário. E partimos para a fronteira confiantes. As intermináveis peladas que disputávamos no poeirão do campinho de terra nos habilitava a fazer bonito em Foz?

VEXAME NA FRONTEIRA

Termômetros acima dos 30 graus, subidas everestianas e atletas profissionais no “grid”. Pereirão largou na frente em disparada, como se não houvesse amanhã. Saí de boa, “troteando”. Lá no meio da prova encontrei o zagueiro capengando “torto” para um lado, com a mão nas costelas. Cólicas de “cavalo paraguaio”. Arriou.

Reta final, morro abaixo, 100 metros antes do pórtico de chegada, ensaiei um sprint. Foi uma correria desesperada para depois descobrir que mais de 150 atletas já haviam chegado antes. Troféu consolação: cheguei antes do zagueirão.

Em tempo: as reminiscências da aventura atlética em Foz vieram à lembrança com minha participação na prova de 3 quilômetros que celebrou os 74 anos de Cascavel no último dia 14.

O desempenho foi apenas mediano, sem a afobação de quarenta anos atrás. Me recuso a usar o chavão “superei meus limites”, mentindo para mim ao referendar a frase de James Callaghan: “Uma mentira pode correr meio mundo antes que a verdade consiga calçar as botas”.

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Cisão com um idioma arcaico une celebridades a dona Irene

A língua falada no Sul do Brasil por antepassados de Gisele Bündchen, Alisson Becker e Rodrigo Hilbert está desaparecendo

Como muitos das gerações posteriores, Gisele Bündchen, Alisson Becker e Rodrigo Hilbert não falam a língua dos trisavós

Se uma máquina do tempo permitisse à modelo Gisele Bündchen, ao goleiro Alisson Becker e ao ator Rodrigo Hilbert encontrar seus ancestrais vindos da Europa, seria necessária a presença de um intérprete.

Caso o profissional escalado falasse exclusivamente o alemão padrão (Standarddeutsch), ainda assim a comunicação seria truncada.

Como a maioria dos alemães que vieram para o Brasil no século 19, os Bündchen, os Becker e os Hilbert usavam cotidianamente um vernáculo diferente do idioma dominante na atual Alemanha.

Tratava-se de uma variedade baseada no que os linguistas chamam de “continuum dialetal”: uma série de formas assumidas por uma língua ao longo de uma região, com variações cumulativas à medida que a distância aumenta.

Os antepassados dessas celebridades não chamariam sua língua de Deutsch (língua alemã, no alemão padrão), e sim Deitsch, Düütsk, Plattdeitsch ou simplesmente Platt (baixo-alemão ou Plattdeutsch).

Assim era denominado o idioma falado na área delimitada pelos rios Mosela e Reno, nas imediações das cidades de Bingen, Trier e Koblenz, na Renânia Central, entre os atuais Estados da Renânia- Palatinado e do Sarre.

Dessa região, conhecida como Hunsrück (pronuncia-se “runs-rík”), partiu a maior parte dos primeiros alemães a pisar em solo brasileiro.

Por mais de 200 anos, o hunsriqueano ou Hunsrückisch (“língua do Hunsrück”) foi transmitido de geração em geração no Brasil — onde surgiu, após transformações a partir do Platt.

Ainda hoje, é utilizado por mais de 1,2 milhão de pessoas — população equivalente à do município de Campinas (SP) —, segundo o livro Inventário do Hunsrückisch como Língua Brasileira de Imigração (IHLBrI) (Editora Garapuvu, 2018). Há ainda comunidades que o utilizam na Argentina, Paraguai e Bolívia.

Essa língua padece, no entanto, de um fenômeno comum a milhares de vernáculos minoritários: a perda linguística, quando um idioma deixa de ser usado, transmitido ou plenamente dominado.

É por isso que nem uma engenhoca de ficção científica permitiria aos famosos mencionados no início desta reportagem — todos descendentes de alemães do Hunsrück e arredores — conversar com seus antepassados.

Gisele, Alisson e Rodrigo não falam a língua dos trisavós. Dona Irene é “transição” para extinção do dialeto Descendente de alemães (provavelmente de Württemberg) deslocados para a antiga Bessarábia, no Leste Europeu, no início do século XIX, Irene Frey Lemos, radicada em Cascavel desde os anos 1960, ouviu muita conversa no dialeto germânico usado pelos pais de Gisele Bündchen, Alisson Becker e Rodrigo Hilbert, citados na reportagem da BBC News Brasil.

A família da cascavelense por adoção cravou raízes na região de Horizontina (RS), cidade natal de Gisele. Ainda hoje familiares de dona Irene vivem no município. E entre uma cuia de chimarrão e outra, entre uma fatia e outra na cuca alemã, ainda se comunicam no dialeto.

“Meus avós, pais e tios falavam esse alemão caboclo, não era gramático, era diferente, mas falava-se muito nesse dialeto”, afirma Irene, aniversariante no último 17 de novembro, cuja idade não pode ser revelada aqui sob o risco de ouvir- se algum palavrão intraduzível para o português.

Ela própria obteve conhecimento rudimentar do dialeto. Entende e traduz tudo o que se fala, mas tem dificuldade de falar no dialeto. Acabou não passando adiante seus conhecimentos. Nenhum dos quatro filhos de dona Irene domina o “alemão caboclo”.

O VETO DA SOGRA

“Quando me casei minha sogra disse: ou fala português ou fala alemão”, recorda-se dona Irene. O veto tinha algumas razões de ser. Podia serpor implicância da sogra, dona Auri Vieira Lemos, de sangue mestiçado no indígena, negro e português, ou podia ser também por medo.

É que na década de 1940/50, descendentes de alemães, japoneses e italianos, passaram a ser monitorados aqui. Os países de origem deles eram inimigos do Brasil na Segunda Guerra. E, em algumas regiões, os imigrantes foram proibidos de se comunicar no idioma pátrio.

Assim sendo, dona Irene constitui uma transição para a extinção do dialeto trazido por pais e avós da Europa. Estima-se que hoje 1,2 milhão de pessoas ainda cultivam o dialeto no Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia.

É pouca gente para levá-lo adiante, notadamente porque a maioria dos falantes já transita no crepúsculo da existência.

Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente

pitoco@pitoco.com.br

 
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