Palotina dispara, ultrapassa Medianeira e já ameaça liderança histórica de Campo Mourão: a corrida bilionária das cooperativas que vão às compras com credenciais de R$ 154 bilhões

Mudança no podium das maiores cooperativas da região. A C.Vale, sediada em Palotina, recuperou a vice-liderança em faturamento no ano de 2025, com R$ 25,2 bi, legando para terceira posição a Lar, de Medianeira, com R$ 23,3 bi. A arrancada da C.Vale, que cresceu mais de R$ 4 bi em 12 meses, encurtou também a distância entre Palotina e Campo Mourão, onde está a Coamo. A diferença entre C.Vale e Coamo em 2024 era de mais de R$ 7 bi, agora está pouco mais de R$ 3 bi.
A cooperativa liderada por Alfredo Lang irá ocupar o lugar mais alto do podium, ameaçando uma liderança de décadas da cooperativa de Campo Mourão?
O ranking postado no último dia 6 de março pelo AGFeed, um dos principais portais do agronegócio nacional, traz as 10 maiores cooperativas agropecuárias do país em faturamento. Entre elas estão a Copacol (R$ 11 bi) e a Coopavel (R$ 6,3 bi). Somadas, as 10 maiores faturaram R$ 154 bilhões em 2025, montante que as coloca em condições de ir às compras, “engolindo” setores com dificuldades e aprofundando a verticalização.
Na nova disputa que se abre pela liderança, o derby Campo Mourão x Palotina apresenta suas escalações. A Coamo aposta no biocombustível extraído a partir da refinaria de etanol do milho. O veterano Aroldo Gallassini, presidente “vitalício e hereditário” da Coamo, injetou R$ 1,7 bi na usina que irá processar até 2 mil toneladas de milho por dia, produzindo 765 mil litros de etanol a cada 24 horas já a partir do segundo semestre deste ano.
A C.Vale começa a colher os resultados da maior esmagadora de soja do Brasil, construída em Palotina, com capacidade de processar 60 mil sacas por dia. O empreendimento recebeu aporte de mais de R$ 1 bilhão entre 2021 e 2023.
Também presente no Top 10 nacional, a cascavelense Coopavel obteve seu maior crescimento histórico em 2025, 19%, índice que agregou R$ 1 bilhão ao faturamento do ano anterior. Para dar uma dimensão, basta dizer que ao faturar meio bilhão por mês, a Coopavel movimenta em 30 dias o montante que uma grande indústria do setor metalmecânico, como a Mascarello, fatura em um ano.
PITACO DO PITOCO
As cooperativas competem entre si? Sim. Há competição por território, por associados e nas gôndolas dos supermercados. É uma obsessão de seus líderes atingir o ponto mais alto do podium? Em alguns casos, a resposta também é afirmativa.
A relação entre os presidentes na foto oficial da Ocepar sempre parece muito cordial e sorridente. Mas nos bastidores nem sempre é. O sapiens é uma espécie competitiva e propensa a inflar egos. Em resumo, cooperar sim, competir também. Amigos, amigos, negócios à parte…
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10% do bilhão estão aqui!
No esforço para descaracterizar crime contra o sistema financeiro, defesa dos réus alega que investimentos embutem riscos

Não se trata de um Banco Master, mas o montante dos prejuízos é nada desprezível. O “rolo” da Sbaraini Capital, que traz nome tradicional de Cascavel no CNPJ, glosou mais de R$ 1,5 bilhão de investidores desde dezembro de 2023, muitos deles do Oeste do Paraná.
A Sbaraini Capital Ltda e o cascavelense Eduardo Sbaraini são réus em múltiplas ações na Justiça envolvendo pedidos de rescisão de contrato e devolução de valores.
A financeira pagava até 3% ao mês de juros para os investidores, mas não tinha autorinzação para operar no mercado, segundo a Comissão de Valores Mobiliários. A Operação Ouronós, da Polícia Federal, efetuada três anos atrás, desencadeou o imbróglio. Dos R$ 1,5 bi retidos, 10% estão aos cuidados do escritório Boschirolli & Gallio, de Cascavel.
“Temos 120 ações tramitando, totalizando R$ 150 milhões em investimentos glosados. Obtivemos 15 sentenças, todas procedentes responsabilizando os sócios e empresas coligadas para cobrar todos os envolvidos”, afirma o advogado Alex Gallio.
A Sbaraini e sócios estão recorrendo com alegações risíveis, argumentando que operações financeiras embutem riscos e possíveis perdas.
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“Apoiei a Gleisi”
Desfile de Renato Silva no bloco 22, na campanha de 2024, era conveniência eleitoral compreendida carinhosamente no Palácio do Planalto

A visita da ministra Gleisi Hoffmann a Cascavel na última sexta-feira também serviu para um reencontro de antigos aliados: ela própria e o prefeito Renato Silva. “Apoiei a Gleisi abertamente em 2010”, disse Renato ao microfone. A ministra também fez menção aos aliados de outrora. A dupla se distanciou com a filiação do prefeito ao PL, mas a troca de afagos prevalece.
Gleisi esteve aqui para anunciar a Policlínica Regional, investimento de R$ 26 milhões do Governo Federal para suprir Cascavel e região de um sofisticado centro de especialidades.
Originário do “MDB velho de guerra”, sigla de centro-esquerda que fazia oposição consentida à ditadura militar, Renato nunca militou na extrema-direita. Em 2024 um “disfarce bolsonarista” era conveniente.
O desfile no bloco 22 em outros carnavais foi interpretado de forma fofinha no Planalto. Tanto assim, que o petista que manda no MEC não pôs obstáculos ao ambicionado Curso de Medicina da Univel.
Resumo da troca de gentilezas: na alegoria da disputa eleitoral, PT e PL inimigos figadais. No exercício do poder, o pragmatismo da vida real e antigos vínculos de afeto vêm para o primeiro plano.
Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente
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