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“Cadáveres se levantam”

calendar_month 28 de fevereiro de 2026
11 min de leitura

Vídeo de Paranhos em frente à Delegacia de Polícia faz “ressuscitar” enigmática frase da necropolítica usada pelo ex-prefeito Fidelcino Tolentino

Imagem produzida por IA traz o ex-deputado Evandro Roman, o ex-prefeito Leonaldo Paranhos e Alfredo Kaefer, do jornal “O Paraná”, no cenário infestado de zumbis da série “The Walking Dead”: “deixem que os mortos enterrem os mortos”

“Deixem que os mortos enterrem os mortos”. A frase, dita e repetida pelo então prefeito de Cascavel, Fidelcino Tolentino, nunca foi filosoficamente traduzida de forma a dar entendimento pleno de qual mensagem ele queria passar.

O ditado vinha sempre quando Tolentino estava incomodado com críticas ou denúncias provenientes de seus adversários políticos. “Deixem que os mortos enterrem os mortos”, repetia ele, como quem joga a última pá de terra sobre a urna funerária.

A necropolítica voltou ao noticiário na última segunda-feira (23), quando o secretário de estado do Turismo, Leonaldo Paranhos, surgiu em um vídeo na frente da Delegacia de Polícia, em Cascavel. “Novamente cadáveres se levantam para me atacar”, disse Paranhos. Ele fazia referência a reportagens publicadas no jornal “O Paraná”, com desdobramentos de denúncias pesadas apresentadas na campanha eleitoral do ano passado pelo ex-deputado Evandro Roman.

Com a frase que invoca cadáveres capazes de levantar-se de suas tumbas e atazanar os vivíssimos, Paranhos remete a prosa para clássicos do cinema, como a série “The Walking Dead”. No vídeo, o ex-prefeito atribui a retomada da pauta a uma declaração do governador Ratinho Junior no Show Rural Coopavel. Na ocasião, Ratinho mencionou Paranhos entre os políticos do grupo em condições de sucedê-lo no Palácio Iguaçu.

Paranhos disse que os adversários se utilizam de fake news para atacar a ele e sua família. E que tais ataques impedem que a representação de Cascavel possa avançar nas articulações políticas que irão escolher o sucessor de Ratinho.

“PREGAR NO DESERTO”

Ex-árbitro da Fifa, Roman trouxe um bordão do mundo da bola para rebater. Disse que Paranhos “está jogando para a torcida”. E que o vídeo em frente à Delegacia é “perfumaria”.

“Estou acusando formalmente o Paranhos de enriquecimento ilícito. O inquérito tem 1,5 mil páginas e documentos apensados. Sei que hoje é pregar no deserto, mas em breve a sociedade de Cascavel terá o direito de saber quem foi o prefeito que comandou a cidade por oito anos”, disse.

Citado no vídeo “The Walking Dead” paranhista, Alfredo Kaefer, dono do jornal “O Paraná”, disse que não irá se pronunciar. Limitou-se a afirmar que o material veiculado está “bem fundamentado e documentado”.
Em uma das reportagens, em 10 de fevereiro último, “O Paraná” noticiou que Paranhos movimentou R$ 54 milhões durante e após o mandato de prefeito.

Para tanto, o jornal citou como fonte “análise de dados abertos, registros públicos e cruzamento de bases oficiais”, em consonância com a denúncia apresentada por Roman junto à Delegacia de Combate à Corrupção.

Como o processo corre em sigilo e não há uma manifestação ainda dos investigadores, desdobramentos oficiais somente se tornarão públicos quando – e se – delegados ou promotores denunciarem de fato o ex-prefeito.

Eles já jogaram juntos, agora o árbitro quer mostrar o cartão vermelho para o ex-prefeito: “enriquecimento ilícito”

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Post é o mais curtido, depois do Leonardo

Paranhos em frente à Delegacia de Polícia, onde foi protocolar BO, e constituindo a dupla Leonaldo & Leonardo, astro sertanejo que cantou “desculpe mas eu vou chorar”

O perfil de Paranhos no Instagram, com mais de 65 mil seguidores, pode demonstrar qual foi a acolhida entre seus eleitores do vídeo gravado em frente à Delegacia?

Até o fechamento desta edição, na última quarta-feira (25), o vídeo dos “cadáveres que se levantam” havia recebido pouco mais de 1,1 mil curtidas. É muito? É nada?

Na comparação com os últimos dez vídeos postados por Paranhos, foi o segundo vídeo mais curtido, atrás apenas de um post do Leonaldo com o cantor Leonardo, que obteve mais que o dobro do “The Walking Dead”.

O desabafo do ex-prefeito ao protocolar um BO e anunciar uma ação criminal contra Kaefer e Roman repercutiu na rede social mais que um vídeo recente de Paranhos com o governador Ratinho. Em um cenário de 65 mil seguidores tudo fica relativizado. O que pensa a tal “maioria silenciosa”? O ativo eleitoral do ex- prefeito vai arrefecer?

SEM CORRUPÇÃO

Eleito prefeito de Cascavel em 2016 com o lema “Sem corrupção e sem desperdício”, Paranhos foi o prefeito mais popular da história da cidade. E agora enfrenta duríssima prova de vida política.

Supostos cadáveres insepultos de sua gestão, somados a supostos esqueletos no armário, terão força para conduzi-lo ao cemitério da política? Terão força para levá-lo para o entorno da Acesc, autarquia que já presidiu? Talvez a enigmática frase do sábio Fidel possa fechar bem este artigo: “deixem que os mortos enterrem os mortos”.

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Hora da escuta na Fiep

Após exímia e discreta atuação nos bastidores da política, João Alberto se consolida como homem de confiança de Vasconcelos no Senai

João Alberto, integrante da “República de Cascavel” na capital do Estado

A ascensão de Edson Vasconcelos à presidência da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) marcou uma virada histórica: pela primeira vez, um cascavelense assume o comando da entidade mais influente do setor industrial no Estado. Ao lado dele, como presidente interino do Conselho do Senai no Paraná, está outra “cobra criada”, João Alberto Soares Andrade. Ele participou do Pitocast, o podcast do Pitoco, no último dia 6.

Segundo João Alberto, a eleição de Vasconcelos não foi “zebra”, mas resultado de uma construção iniciada anos antes, com diálogo direto com os sindicatos industriais, legítimos eleitores do sistema. “Foi um plano construído a muitas mãos. O princípio da Fiep hoje é escutar para realizar.”

Ele destaca que a entidade reforçou seu posicionamento institucional, defendendo pautas estruturantes como pedágio, infraestrutura portuária, rodovias e energia – especialmente a transmissão elétrica no Oeste -, sempre com foco em soluções para tornar o Paraná “o melhor lugar para instalar uma indústria”.

R$ 110 MILHÕES AQUI

Um dos eixos centrais da nova gestão é o reposicionamento do Senai e do Sesi. A proposta é clara: ampliar o atendimento à indústria e à sociedade, especialmente diante do desafio da empregabilidade. Em Cascavel, a nova unidade do Senai, na região próxima ao Ceasa, terá cerca de 9.800 m2 de área construída em terreno de 29 mil m². Só a obra civil supera R$ 60 milhões, com mais R$ 50 milhões em equipamentos. Paralelamente, a antiga estrutura será transformada em unidade do Sesi, com escola de referência e serviços de saúde voltados ao trabalhador.

No total, a atual gestão projeta R$ 1,5 bilhão em investimentos em quatro anos, “valor superior ao aplicado nas duas gestões anteriores somadas”, enfatiza o gestor. A estratégia incluiu enxugamento administrativo e foco na atividade-fim: professor, laboratório e tecnologia.

FORÇA DO OESTE

João Alberto ressalta que o Oeste do Paraná é hoje a segunda força industrial do Estado, impulsionada por agroindústrias e cooperativas. “O Oeste não é só agrícola. É agrícola e industrial”, resume. Por isso, a formação técnica precisa estar alinhada à vocação regional: agronegócio, metalmecânica, energia fotovoltaica, veículos elétricos e inovação tecnológica”, destaca.

Além da estrutura física, o Senai passa a operar com unidades móveis modernas, ampliando o atendimento a municípios menores, sempre mediante demanda organizada por empresas e prefeituras.

PRÊMIO DA ONU

Outro destaque é o programa Indústria Acolhedora, premiado pela ONU via Unitar, que integra imigrantes ao mercado de trabalho por meio de adaptação cultural, ensino da língua e qualificação profissional. “Hoje, temos engenheiros estrangeiros trabalhando como pedreiros. O papel do Senai é reconhecer e requalificar.”

Se há uma marca da gestão Vasconcelos, segundo João Alberto, é o compartilhamento de decisões. O modelo atual fortaleceu conselhos de administração ativos e profissionalizou processos internos. “Delegar é formar pessoas. E formar pessoas garante continuidade.” Assim, o objetivo declarado é deixar um legado de transformação com propósito, não personalista, mas alinhado às expectativas da sociedade.

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Homem de bastidores

João Alberto agora cumpre um papel institucional em uma organização apartidária. E procura separar as funções que exerce no Sistema Fiep de suas preferências políticas, agora em um segundo plano.
Porém, envolveu-se desde sempre nas articulações que elegeram cascavelenses para cargos de visibilidade.

Na década de 1990, já aprendia algumas lições de estratégia com professores do segmento, como Mário Pereira e Fidelcino Tolentino, governador do Estado e prefeito de Cascavel, respectivamente.
Em 2015, foi convidado pelo então deputado Leonardo Paranhos para estruturar sua campanha à Prefeitura de Cascavel. A estratégia desenhada por João Alberto rompeu padrões tradicionais: escuta ativa ampla, mais de 1.500 pessoas ouvidas e um plano de governo projetado para 20 anos.

A aproximação com a sociedade civil organizada ampliou a base política e fortaleceu decisões estruturantes. “Não era falar com indivíduos, mas com representantes da sociedade.”

João Alberto reconhece a inteligência política de Paranhos, mas aponta que o foco excessivo na gestão municipal limitou sua projeção estadual naquele momento. Hoje, vê o ex-prefeito como nome competitivo em qualquer cenário.

PERSONAL STYLIST

João Alberto ocupou cadeira no primeiro escalão paranhista na área em que domina: desenvolvimento econômico.Deu sua contribuição até o auge da Covid 19, quando se refugiou em sua morada no “litoral de Cascavel”, Boa Vista da Aparecida.

Antes, porém, embora não admita publicamente, atuou até como “personal stylist político” de Paranhos. João Alberto implicava com a face “franguista/requianista” que marcou o início da carreira política do ex-prefeito. E queria afastá-lo do que considerava populismo de centro-esquerda.

Se os conselhos foram acatados, não se sabe. Mas é fato que Paranhos parou de usar a camisa em jeans azul claro consagrada por Requião. E saltou para o lado ideológico oposto, flertando com a extrema-direita.

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Nem a morte separa sapiens de seus pets

Integrante da “bancada canina” na Câmara de Cascavel já tem minuta pronta para propor sepultamento de cães e gatos com seus tutores em cemitérios humanos

Lauri Silva e seu “totó”: “sofrimento emocional”

Tem tudo para dividir opiniões. Alguns vão considerar isso uma cachorrada. Outros podem invocar crenças religiosas para não admitir a mistura de pets com “seres superiores”, nós, os animais racionais.

Haverá ainda aqueles que aplaudirão a “lealdade eterna”. Fato é que a “bancada canina” da Câmara Municipal de Cascavel, composta, entre outros menos votados, pelos vereadores Lauri Silva, Serginho Ribeiro e Cleverson Sibulski, cogita a elaboração de uma lei que permita sepultar pets com seus tutores.

“Estamos redigindo um texto nessa linha, mas antes é recomendável ouvir a comunidade, realizar audiência pública, elaborar uma regulamentação, verificar a adesão da população”, disse um cauteloso Serginho Ribeiro, latindo baixinho.

Abanando o rabo faceiro na conversa, entrou outro “cachorreiro”, Lauri Silva. “Tenho a minuta pronta já, vamos avançar no projeto”, disse o vereador. A iniciativa não é original. São Paulo sancionou, no último dia 14, uma lei que autoriza o sepultamento de pets junto aos tutores nos jazigos familiares. A ideia é reconhecer o vínculo afetivo entre tutores e seus pets, tratando esses animais como membros da família também na despedida final.

BOB COVEIRO

A legislação sancionada em São Paulo foi apelidada de “Lei Bob Coveiro” em referência a um cão chamado Bob, que ficou famoso por permanecer durante mais de 10 anos ao lado da sepultura de sua dona em um cemitério de Taboão da Serra, até sua morte em 2021, quando acabou enterrado ali mesmo. A história gerou comoção e virou símbolo da lealdade animal, motivando a mudança na legislação.

PITACO DO PITOCO

Consultado a respeito, o mascote do Pitoco foi lacônico e telegráfico: “subir não está em meus planos, quero saber onde é o lugar da morte para jamais aparecer lá”.

Alternativamente, antes que alguém possa questionar a presença de um companheiro de quatro patas na morada definitiva, pode-se cravar sem medo de errar na mensagem derradeira: “antes um cachorro amigo que um amigo cachorro”.

Afinal, quando estamos “xingando” um homem de “cachorro”, estamos ofendendo o homem ou o cão?

Para todos os efeitos, o Pitoco deixou uma frase para constar em sua lápide: “aqui jaz um cãozinho contrariado”.

“Despedida respeitosa”

O casal Ribeiro com seu pet: “verificar adesão da população”

O vereador Lauri Silva (MDB) tem um projeto de lei redigido para normatizar o sepultamento de animais domésticas no jazigo de seus tutores.

O Pitoco teve acesso ao documento que ainda será apreciado pelo Legislativo. O projeto contempla também a cremação dos pets. “A proposta cria regras para que o sepultamento e a cremação sejam feitos com segurança e respeito”, diz o autor.

Para o vereador, a lei será um avanço, “pois une cuidado com o meio ambiente, saúde pública e respeito ao vínculo afetivo entre tutores e animais”.

Ainda de acordo com o autor, quando os animais de estimação morrem, seus tutores querem oferecer uma despedida respeitosa, “mas muitas vezes não encontram opções adequadas e seguras. Isso pode gerar sofrimento emocional e até risco para saúde pública e para o meio ambiente, quando o descarte é feito de forma incorreta”, pontua.

Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente

pitoco@pitoco.com.br

 
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