Pacote de obras e ações multimilionárias marcam antevéspera do primeiro ano de governo, sinalizando que a viatura do Paço parece ter “pego no tranco”

128 apartamentos, R$ 5 milhões para o nostálgico Ninho da Cobra, R$ 58 milhões na ampliação do Ecopark Oeste, revitalização do Lago e do Zoo, PPP na iluminação pública, R$ 25 milhões nas marginais da 277, 280 toneladas de massa asfáltica no tapa-buraco, R$ 210 milhões ao novo centro de convenções.
É o black november da administração Silva/Mecabô, cuja viatura rodava trôpega, no sistema “roda presa”, e sinaliza agora ter “pego no tranco”.
A percepção de lentidão dos dez primeiros meses pode ser atribuída a um choque de estilos, uma comparação direta entre o “furacão” Paranhos com as cautelas do novo titular do Paço.
Renato tem um outro jeito de conduzir a gestão. Precisa de mais tempo para decidir na linha “depois eu vejo”. Ao passo que o antecessor, notoriamente ansioso, caneteava a torto e a direito.
O prefeito procura compensar o ritmo mais lento com a experiência na articulação. As amarrações com o secretário Paranhos e com o “prefeito” da Assembleia, Gugu Bueno, abriram portas e comportas no Palácio Iguaçu.
É por essa razão que o governador Ratinho Junior estará em Cascavel neste fim de semana a anunciar R$ 210 milhões para um megacentro de eventos às margens do Contorno Oeste, no epicentro do eldorado imobiliário da cidade.
LUZ NO BURACO
Renato, em seu tempo, percebeu também o “alarido da torcida” nos queixumes da iluminação pública e crateras lunares nas ruas de Cascavel.
Avesso a demissões, marca pessoal dele, remanejou o time. Tirou o guarujaense Sandro das Obras e o alocou em outra pasta. E escalou à frente da frota do Parque de Máquinas o “trator” Severino Folador.
A missão para o mais ilustre entre os juvinopolitanos era clara: tapar o buraco e acender a luz. Folador percebeu que a equipe comandada pelo “véio da lâmpada” não teria condições físicas ou materiais para tirar a cidade do breu.
E passou a articular algo que algumas das cidades mais iluminadas do Brasil já fizeram: licitar o sistema para a iniciativa privada, notícia ruim para a mitológica “Máfia da Lâmpada” apontada pela Marlise da Cruz em debate histórico.
Logo o “trator” notou que culpar São Pedro era uma furada e acumulou quase 300 toneladas de CBUQ, a massa asfáltica, para fazer frente à buraqueira.
Montou sete equipes com cerca de 50 tapadores de buraco e ainda fez um agrado à dócil galera da Câmara, para quem foi atribuída a missão de apontar onde os buracos eram mais profundos.
PITACO DO PITOCO
Entre um passo de vanerão e outro com dona Ódina (digo xote, que é mais calmo), Renato parece ter ordenado o início do baile, após dez meses de reconhecimento do salão.
No ritmo do prefeito, música lenta, sob a regência das conexões com o Iguaçu e o Planalto, o jeito é torcer para que o bailão dos Silva prossiga bem.
Do contrário, no ritmo do “quanto pior melhor”, quem dança são os cidadãos cascavelenses.
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Do cheiro da cola a tela “aromática”

O noticiário dos anos 1990 trazia com frequência a figura do “cheirador de cola”. Era um personagem tão triste quanto numeroso, um vício em inalantes à base de solventes, notadamente a “cola de sapateiro”, que devorava nossa infância e juventude.
Quando alguém queria dar um “pito” em um moleque travesso, não era incomum rotulá-lo como “cheirador de cola”. Uma série de restrições legais à disponibilidade de solventes, atuação mais presente de órgãos como os conselhos tutelares, e políticas públicas não eliminaram, mas reduziram a exposição de viciados em inalantes nas ruas.
E aos poucos, a figura tão falada e propalada foi desaparecendo do noticiário. Não porque ninguém mais cheira a substância. Mas também porque outros tóxicos ainda mais devastadores roubaram a cena.
Para ficar em um exemplo, o crack. Sai a cola do sapato, entra a pedra no sapato. E mais recentemente, o fentanil, potente e viciante opioide de efeito analgésico, tão poderoso a ponto de criar uma crise geopolítica entre o consumidor (EUA) e o produtor (China).
O ponto é que o sapiens está exposto e receptivo ao vício. Ampliando o alcance do radar, é possível afirmar que muitos de nós estamos viciados nas telas retangulares e multicoloridas da Apple, Samsung, Xiaomi…
Para melhor visualizá-las, aproximamos os celulares dos olhos – e dos narizes. Adoramos a experiência “aromática” da tela. Cheiramos a tela. Ali podemos aderir a novos vícios: as bets, a pornografia, as futilidades das redes sociais, o Tinder.
Exagero? Cuidado com os pequenos vícios, são eles que, silenciosamente, erguem a jaula de nossa vida. Alguém já cansado de lutar na causa disse: “o que impede a entrega a um só vício é termos vários”. É uma fala viciante, mas o tal “alguém” pode estar certo.
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A força do associativismo, desafios regionais e urgências
Nenhuma outra região do País pratica o associativismo “com tanta garra e determinação” quanto o Oeste paranaense, diz presidente da Caciopar

Em entrevista ao Pitocast, o podcast do Pitoco, o presidente da Caciopar (Coordenadoria das Associações Comerciais e Industriais do Oeste do Paraná), Reni Fernande, destacou que o associativismo é um dos pilares que explicam a força econômica da região. Segundo ele, nenhuma outra área do País pratica o associativismo “com tanta garra e determinação” quanto o Oeste.
Fernande lembrou que esse espírito coletivo está espelhado em fatos como o caráter multicampi da Unioeste – distribuída entre Cascavel, Toledo, Foz do Iguaçu e Francisco Beltrão -, sublinhando que cidades vizinhas precisam compartilhar oportunidades.
“Não interessa a nenhum município ter vizinhos pobres. A riqueza e as oportunidades precisam ser distribuídas.”
Segundo ele, entidades como cooperativas e associações são responsáveis por grande parte do progresso regional, refletindo a cultura colaborativa do cidadão oestino.
LEGADO DE IBRAHIM FAYAD
Ao comentar sobre a edição recente da revista Pitoco que homenageia Ibrahim Fayad, Fernande ressaltou a importância do empresário para o desenvolvimento regional: “O Ibrahim era um construtor de pontes. Ele nos deixa um legado que continuará produzindo frutos no Oeste e no Paraná”. Fernande enfatizou que Fayad simboliza a essência das relações colaborativas e da visão de futuro, características que inspiram novas gerações de líderes empresariais.
DÉFICIT DE MÃO DE OBRA
A empregabilidade é um dos maiores desafios atuais do Oeste. Fernande relatou que a região possui forte dependência de trabalhadores estrangeiros, especialmente venezuelanos, que ocupam hoje milhares de vagas em indústrias e cooperativas.Com a possibilidade de queda do regime de Nicolás Maduro, abre-se o risco de um retorno em massa desses trabalhadores ao país de origem.
Segundo ele, presidentes de cooperativas e gestores de RH acompanham o cenário com preocupação, já que a saída de parte significativa dessa mão de obra poderia colapsar segmentos relevantes da economia local.
EDUCAÇÃO COMO BASE
Recentemente, a Caciopar realizou um fórum político-econômico sobre educação, reunindo prefeitos e secretários municipais do Oeste. No encontro, dois cases foram estudados: de Sobral (CE), cidade com um dos melhores Idebs do Brasil, e Açaí (PR), considerada uma das cidades mais inteligentes do mundo.
Para Fernande, os exemplos provam que a transformação educacional não depende apenas de grandes investimentos financeiros, mas de disposição para agir. “A educação é o único meio de transformação real. E precisamos começar na base.”
CONCESSÕES DE RODOVIAS
Fernande também comentou sobre o leilão do Lote 5 das novas concessões rodoviárias, considerado estratégico para o Oeste por contemplar trechos das BRs 163, 467 e 369.
Apesar de reconhecer a importância das concessões, ele expressou preocupação com os valores das tarifas, destacando a necessidade de monitoramento rigoroso dos contratos.
Quanto à duplicação da BR-277, Fernande afirmou que o período de obras vai exigir paciência da população, mas não se pode mais adiar: “A logística do Oeste ainda opera com estrutura da década de 1980. A duplicação é urgente.”
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O futuro chega pelos galpões: Cascavel consolida Hub Logístico
O arquiteto Natuani Souza Costa, da Schneider & Costa Construção, explica como o avanço dos galpões industriais, alavancado no entroncamento rodoviário, pode transformar a economia cascavelense

Em entrevista ao Pitocast, o podcast do Pitoco, o arquiteto Natuani Souza Costa, sócio da Schneider & Costa Construtora, revelou que o setor de galpões e centros logísticos está se tornando um dos principais motores de desenvolvimento em Cascavel. Segundo ele, o município está entrando em um novo ciclo econômico impulsionado pela chegada de grandes empresas e pela estrutura necessária para recebê-las. O principal atratativo: o entroncamento rodoviário conectando uma região de mais de 1 milhão de habitantes, em breve com a malha toda duplicada.
TRADE PARK
Na prática, essa visão se materializa no Trade Park, primeiro condomínio de galpões industriais da cidade, situado estrategicamente na saída para a BR-369, a apenas 1,5 km do Trevo Cataratas, com um trevo exclusivo de acesso em execução pela própria empresa.
O arquiteto explica que existe uma demanda reprimida na região: empresas que gostariam de operar em Cascavel, mas não encontram estruturas adequadas para instalar centros de distribuição ou armazenagem.
Natuani cita prospecções de empresas grandes – como Mercado Livre, Ambev e Shopee. O ponto central é que Cascavel precisa estar preparada para atrair players dessa dimensão.
LOCALIZAÇÃO ESTRATÉGICA
Para ele, a região norte da cidade é a que mais concentra mão de obra qualificada e se conecta naturalmente ao fluxo logístico entre Cascavel e os grandes centros do Sul e do Sudeste. Embora o município ainda esteja no início do desenvolvimento logístico, Natu afirma que o movimento tende a se acelerar na medida em que galpões modernos fiquem disponíveis.
EVOLUÇÃO PARA O PRÉ-MOLDADO
O arquiteto também falou sobre sua decisão, há cinco anos, de adquirir uma indústria de pré-moldados. Ele acredita que a construção civil está evoluindo para sistemas mais industrializados, com montagem rápida e maior precisão – um verdadeiro “Lego da construção”. A empresa já aplicou essa tecnologia em obras na rede de farmácias São João, a Force One Academia, Puppo Supermercados e empreendimentos que, somados, chegaram a 25 mil metros quadrados entregues pela Schneider & Costa somente no mês de outubro último.
A TRAJETÓRIA
Desde os primeiros projetos no Minha Casa, Minha Vida até obras industriais complexas, Natuani já ultrapassou 800 mil metros quadrados construídos. Ao lado da esposa e sócia, Raquel, estruturou a Schneider & Costa com forte investimento em estudo e tecnologia – do AutoCAD aos diversos aplicativos de IA usados hoje.
O MOMENTO DA CONSTRUÇÃO
Para o arquiteto, o setor vive uma grande oportunidade: imóveis e terrenos estão mais baratos porque os juros altos travaram as vendas. Quando a economia reagir, haverá valorização rápida – e quem estocar agora, diz ele, estará um passo à frente.
O QUE MOVE O ARQUITETO
Mais do que construir, Natu gosta de projetar, resolver problemas e encontrar soluções. A capacidade de antecipar necessidades e reunir as pessoas certas foi essencial para viabilizar o primeiro condomínio logístico de Cascavel e colocar a cidade em um novo patamar regional.
O FUTURO JÁ COMEÇOU
Para Natuani, Cascavel vive um momento único e a construção do Trade Park representa não apenas um novo empreendimento, mas um movimento que pode reposicionar a cidade no cenário logístico regional. Afinal, todos os caminhos convergem para o mega entroncamento rodoviário de Cascavel.
Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente
pitoco@pitoco.com.br
