Está todo mundo correndo. Em 10 anos o número de provas de rua subiu a ladeira: era uma única prova, agora são mais de 30

Quem viu das sacadas dos prédios a largada da “Corrida da Fé”, na rua Mato Grosso, no frio e molhado domingo (12), certamente ficou impactado. Mais de 2 mil atletas profissionais e amadores estavam inscritos. Era um mar de gente que cobria a visão para o asfalto.
A correria em Cascavel é algo relativamente recente. Uma década atrás havia somente uma prova, a tradicional corrida do Sesc. Agora já são mais de 30 provas por ano, todo mês tem gente disputando lugar ao pódium ou apenas se divertindo nas passadas.
“No calendário de 2026 já estão protocoladas 28 provas”, informa o Rodrigo Cirilo, a voz ao microfone das provas, profissional que soube surfar na onda e transformou a “febre” de corridas em um negócio. Ele organizou as maiores provas do ano em Cascavel, como a Corrida da Fé e a da Apae, ambas com mais de 2 mil inscritos.
Há outros profissionais curtindo o gosto pela corrida. Uma visita ao final da tarde na pista do centro esportivo Ciro Nardi vai perceber professores de educação física exercendo o ofício como profissionais liberais, assessorando corredores.
As marcas locais também perceberam o potencial de engajamento dos clientes nas provas. O Porti e o Super Muffato promoveram corridas de muitos competidores esse ano. “As empresas patrocinadoras de corridas ganham visibilidade promovendo uma atividade que estimula hábitos saudáveis com baixo investimento”, pontua Cirilo.
PROFUSÃO DE GRUPOS
Do nada, surgiram mais de 20 equipes de corrida na cidade. Um grupo no WhatsApp, organizado por adeptos da modalidade, tem mais de mil membros ativos. O mantra da turma é “ad cautelam run” (por precaução, corra).
É tudo muito recente. A equipe 100Pace, para ficar em um exemplo, foi criada em abril do ano passado e participou de quase todas as provas em 2025. “É o esporte individual mais coletivo que existe”, costumam dizer os líderes de equipes. “Um atleta dá força para o outro no treino e na competição, e isso faz toda a diferença”, destacam.
O que esse pessoal todo ganha ao final da prova? Em regra uma medalha e uma banana para injetar potássio no atleta. Mesmo as provas que premiam em dinheiro, oferecem valores simbólicos, como R$ 500 para o lugar mais alto do podium.
Mas não são os estímulos materiais que conduzem essa galera. É a corrida pela corrida. É a liberação em doses generososas da endorfina, o “hormônio da felicidade”, analgésico natural que promove bem-estar, euforia e prazer, alimentando aquela inevitável resenha pós prova.
BOLA OU PISTA?
Conforme explica Cirilo, o organizador das provas, a barreira de entrada está lá no chão, rente ao asfalto. “Praticar corrida exige somente uma camiseta, um short, um par de tênis e força de vontade. Bem, nas provas tem que pagar a inscrição também, que varia de R$ 70 a 120 (a turma do Cirilo precisa faturar algum caraminguá para organizar o evento).
Cirilo compara com outras atividades, como a mais popular de todas em Cascavel, as peladas de futebol. Para “jogar bola”, como se diz no popular, tem que alugar campo, organizar time, convidar uma equipe adversário e até alugar o goleiro no aplicativo. Ao passo que a corrida de rua, embora ofereça espaços na cidade, como o Ciro Nardi, a Tancredo Neves e mesmo a avenida Brasil, dispensa local específico.
E o calendário do ano não acabou. Há pela frente duas corridas noturnas, do 6º BPM e da FAG e a Corrida do Sesi. Como cantarolava aquela clássica faixa da dupla sertaneja, “nesta longa estrada da vida, vou correndo e não posso parar, na esperança de ser campeão, alcançando o primeiro lugar…”


PITACO DO PITOCO
A febre dos corredores de rua será “fogo de palha”, modismo de modalidade, como parece ter sido o Beach Tennis?
Vale lembrar: ninguém menos que Gustavo Kuerten, o Guga, colocou seu nome e marca em Cascavel na invejável estrutura de beach às margens da Avenida Piquiri. A experiência foi curta como aquela largada sutil, rente à rede adversária, do talentoso jogador de tênis.
Há limites para a correria? O maior medalhista olímpico dos 100 e 200 m rasos, Usain Bolt, cravou uma frase a respeito: “Sempre há limites. Eu não conheço os meus”.
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As faíscas do 13º andar
Bombeiro alerta: não há escadas magirus ou guindastes que possam atender a “verticalização desordenada” de Cascavel

Mais de 10 pavimentos em Cascavel. O número de pessoas que moram em apartamentos no Paraná, segundo o Censo do IBGE, quase dobrou entre 2010 e 2022.
As estatísticas fazem faiscar o alto do edifício João Batista Cunha mesmo depois de o fogo debelado. São as faíscas do alerta. A estrutura do Corpo de Bombeiros acompanhou a galopante e desordenada verticalização da cidade?
A Norma de Procedimento Técnico 017, que trata das brigadas internas de incêndio em edifícios de maior porte, está sendo aplicada?
As perguntas se tornaram ainda mais pertinentes após as cenas de horror vivenciadas pela família que habitava o 13º andar do edifício João Cunha, no centro de Cascavel, quando o apartamento em que viviam foi devorado pelas chamas.
TARDE DEMAIS
Um experiente bombeiro ouvido pelo Pitoco, e que pediu para manter o nome no anonimato temendo represálias, disse que não há escadas magirus ou plataformas de guindaste que possam atacar incêndios nos andares mais elevados.
E que ocorrências como a desta semana pedem rápida intervenção de brigadeiros constituídos e treinados entre os moradores de cada edifício para atacar o fogo logo no início, cabendo aos bombeiros militares o suporte na sequência, levando em conta o tempo de deslocamento.
“Algumas lideranças de Cascavel acham que a taxa recolhida aos bombeiros e o rigor na fiscalização para emitirmos licenças são um problema econômico para a cidade. Já estamos percebendo o custo de tirar recursos da corporação e de forçar a flexibilização de regras de segurança”, disse o bombeiro, enaltecendo os colegas que arriscaram a vida para salvar a família do 13º andar.
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Choveu na minha horta
Quando nem procurando se achava emprego, o emprego bateu à minha a porta

Primeira metade dos anos 1980. Ali estava eu, regando a horta no acanhado terreno que sobrara para tal finalidade na casa dos meus pais, no poeirento bairro Coqueiral.
Percebo o poeirão levantando ao fundo, na Avenida Brasil desprovida de pavimento. Era um fuscão branco. Estacionou em frente ao numeral 3420 da rua Flamboyant.
Ouvi o ruído da alavanca do freio de mão e a porta bater. Descia do fusca uma morena clara de talvez umas trinta e poucas primaveras, e que me parecia familiar. Nilda de Oliveira Bueno, parente por empréstimo, irmã da minha tia.
E aí Eduardo, sua mãe esteve lá na Tibagi, e pediu emprego para você, disse ela.
É, naquela época, diferente de hoje (contém ironia), adolescente não era muito pró-ativo, e cabia aos pais buscar um trampo para gurizada. Foi assim, aos 16 anos, que surgiu meu primeiro registro na carteira, office-boy da empresa de material de construção, contrapondo uma frase muito usual da época, quando os adultos diziam prá gente: Piá, vá procurar emprego! O emprego não virá até você!
Pois é, em uma época de raríssimas vagas de trabalho, o emprego veio até mim.
Por obra do acaso, a condutora do fuscão me flagrou trabalhando em casa, regando o alface semeado pela dona Irene, minha querida mãe.
Um dos motivos que me levou a escolher você, Eduardo, foi o fato de você cuidar da horta, menino trabalhador – disse a condutora do Fuscão antes, do veículo desaparecer na densa poeira levantada na Flamboyant.
Ledo engano, dona Nilda, mas deixa pra lá…
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Janeiro vem aí!
Evento antecipa calendário de 2026 do mercado imobiliário em busca do timing perfeito

Um movimento inédito está prestes a acontecer no mercado imobiliário da região. O evento promete impactar as vendas de imóveis em Cascavel. Para tanto, já obteve a adesão da maioria das construtoras e incorporadoras da cidade em um único propósito: estabelecer um novo e robusto calendário de vendas já em janeiro de 2026.
O lançamento oficial do evento reúne um grupo de mais de 30 incorporadoras na próxima terça-feira (21), em um encontro reservado que promete, segundo os organizadores, marcar o início de uma nova era comercial no segmento.
O calendário não foi definido por obra do acaso. Janeiro é tradicionalmente um mês atípico para o mercado imobiliário, embora os agentes econômicos encurtem as férias, uma vez que o principal evento da cidade, o Show Rural Coopavel, já movimenta a economia desde os primeiros dias do ano.
O evento imobiliário em janeiro vem na proposta de resolver dois grandes desafios: o fluxo financeiro das construtoras e incorporadoras logo no início do ano e a demanda do cliente que busca imóveis com condições diferenciadas de pagamento e oportunidades exclusivas.
AFERINDO A TEMPERATURA
Eduardo Serralheiro – idealizador e investidor do projeto, conhecido no mercado como Eduardo Passarinho – domina como poucos essa sazonalidade. Com base nos dados da sua própria plataforma, que reúne mais de R$ 15 bilhões em ativos imobiliários, ele consegue mapear com precisão o comportamento de compra e a temperatura real do mercado em Cascavel.
Segundo Passarinho, o projeto tem inspiração internacional. “Estamos trazendo para cá um formato inspirado no modelo americano, com foco em velocidade de negócios, tecnologia e performance comercial. Cascavel será o projeto piloto desse novo movimento que deve se expandir para várias cidades do Brasil”, afirma.
PORTAL DE ANÚNCIOS
Além de um evento de vendas, o projeto também marca o início de um novo portal de anúncios imobiliários, desenvolvido para integrar incorporadoras, imobiliárias e corretores em uma mesma plataforma, oferecendo previsibilidade de vendas e novos padrões de comunicação com o cliente final.
Com lançamento oficial previsto para a última semana de janeiro de 2026, o evento contará com uma grande estrutura física e investimento publicitário robusto, movimentando o mercado logo no primeiro mês do ano — um período que promete ser marcante também no cenário político nacional.
QUEM É ELE?
Eduardo Passarinho, reconhecido por eventos de alto desempenho comercial, é uma das principais referências em estratégias de vendas imobiliárias.
À frente de uma plataforma comercial que já agrega mais de R$ 15 bilhões em ativos imobiliários, ele prepara agora o próximo passo de sua trajetória: unir tecnologia, experiência de mercado e visão estratégica para redefinir a forma como o setor vende imóveis no Brasil.
“Nosso objetivo é simples: fazer do primeiro mês de 2026 um marco histórico para o mercado imobiliário. Um novo ano, um novo modelo e uma nova forma de vender”, afirma Passarinho.
Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente
pitoco@pitoco.com.br
