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Pitoco

Do Meneghel, ficou a estátua

calendar_month 17 de janeiro de 2026
14 min de leitura

Agropecuarista está foragido e o nome dele está incluso no alerta vermelho da Interpol, organização que conecta as polícias de 196 países

O trio ruralista com personagem que remete a Alessandro Meneghel ao centro: monumento surge “baleado” ao escrutínio do tempo

Duas décadas atrás o campo e a cidade estavam convulsionados no velho Oeste, Cascavel ao epicentro. Os ensanguentados embates entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e ruralistas ligados a Sociedade Rural Oeste (SRO) ganharam o noticiário nacional.

O líder do MST, Valmir Mota de Oliveira, o Keno, foi morto em um desses confrontos em outubro de 2007. No local, que abrigava uma fazenda experimental da Syngenta, em Santa Tereza do Oeste, surgiu um monumento para homenagear Keno.

Meses depois o nome mais exposto no enfrentamento ao MST, o agropecuarista Alessandro Meneghel, então presidente da SRO, fez uma visita ao escultor Dirceu Rosa. E encomendou um monumento para chamar de seu. Construído em fibra de vidro e descrito como “monumento da resistência dos produtores em defesa do direito à propriedade”, a obra foi instalada na marginal da BR 277, em frente ao portão principal da SRO.

Dois fatos recentes trouxeram o monumento de volta ao noticiário: 1) A queixa do artista pelo que considera “abandono da obra”. 2) O “sumiço” de Meneghel dias antes da condenação definitiva pela morte do policial federal Alexandre Drummond Barbosa, em abril de 2012. A Justiça do Paraná expediu o mandado de prisão definitiva contra Meneghel em julho de 2025 após trânsito em julgado, ou seja, sem possibilidade de novos recursos. A pena é de 29 anos, 1 mês e 15 dias de reclusão. O sentenciado tem 62 anos.

CANA NO CALDO

Antes do mandado era possível ver o agropecuarista pela cidade, ora tomando um caldo de cana na rua Manaus, ora curtindo o show de Ana Castela, como aconteceu em janeiro de 2025.

Meneghel sempre sustentou a tese da legítima defesa. Ao Pitoco, em dezembro de 2021, manifestou arrependimento. “Me arrependo muito pelo sofrimento de minha família. Mas com relação à legítima defesa, não. Minha camionete não teria 14 tiros se eu tivesse atirado primeiro. Isso mostra que levei os tiros primeiro, ou como ele iria me atirar morto?”.

Questionado como estava a relação dele com o travesseiro, disse: “Tomo remédio para dormir, tomo antidepressivo. Peguei uma rebelião brava na penitenciária, degolaram gente na minha frente”.

ALERTA VERMELHO

O advogado de acusação, André Peixoto de Souza, confirma que Meneghel está foragido e que o nome dele está incluso no alerta vermelho da Interpol, organização que conecta as polícias de 196 países. Souza informa ainda que a defesa do sentenciado buscou um último recurso, solicitando prisão domiciliar humanitária, alegando que o cliente cuidava do pai adoentado.

Alegação parecida já havia surtido resultado para a defesa quando Meneghel alegou ser o responsável pelos cuidados da mãe. Entretanto, o juiz Luciano Lara Zequinão, da Comarca de Cascavel, indeferiu o recurso em 18 de dezembro de 2025 e reafirmou a imediata prisão do réu.

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É ele na rodovia?

Alessandro Meneghel em carne e osso está em Lins – Lugar Incerto e Não Sabido. Mas o monumento em fibra de vidro, mesmo “descascado” e “fuzilado” pela cloaca implacável dos pombos, segue ali, aos olhos ora indiferentes de cada um dos milhares de passantes pela movimentada rodovia 277.

O personagem ao centro do monumento, com as mãos espalmadas, é Meneghel? Fontes próximas aos fatos garantem que sim. Os cabelos longos e a expressão “enfezada” remetem para características físicas dele.

Questionado, Dirceu Rosa não confirma, nem nega. Desde que ali encravados, quase duas décadas atrás, o trio de homens em posição de “basta” estaria vulnerável a atos de vandalismo – caso se divulgasse a presença de Meneghel no centro da obra.

Afinal, em seu auge, o agropecuarista era amado e odiado na mesma proporção. Como não se pode dar voz de prisão para uma estátua, somente o tempo poderá responder se algum dia Meneghel irá cumprir a sentença.

Em tempo: Alessandro Meneghel foi candidato a deputado estadual em 2010. Obteve 15.177 sufrágios. Logo após o pleito, os votos foram invalidados pela Justiça Eleitoral, sob o escrutínio da Lei da Ficha Limpa.

UMA PERGUNTA

Pitoco – O Dirceu Rosa tem reclamado da falta de manutenção na estátua do Meneghel. Tem previsão de restaurar o monumento?

Devair Bortolato (presidente da SRO) – Não é necessário restaurar, basta uma boa lavada.

Nota da redação: Confrontado com essa posição da Sociedade Rural, o escultor Dirceu Rosa disse que ele mesmo, com recursos próprios, irá restaurar o monumento.

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A BR 101 colapsou

A encrenca na principal via de acesso às praias catarinenses desfaz a fantasia do pedágio baratinho de manutenção

A Via Mar (linha vermelha) descerá paralela à BR 101

A BR 101 no litoral de Santa Catarina está em estado de colapso operacional devido ao excesso de veículos, com congestionamentos frequentes e longas filas, especialmente no verão, agravado por falta de obras e infraestrutura. A situação tem levado a bloqueios por acidentes e discussões sobre novas rodovias paralelas como a Via Mar.

PROBLEMA PRINCIPAL

Sobrecarga: A rodovia já opera com carga superior à sua capacidade, com trechos sendo usados como vias urbanas, comprometendo a fluidez, diz estudo da FIESC.

Falta de investimento: Anos de obras insuficientes e planejamento atrasado transformaram a BR-101 em um gargalo constante, causando caos no trânsito, prejuízos e atrasos logísticos. Em horários de pico, contabiliza-se até 2,4 mil veículos por hora na região de Itapema.

IMPACTOS RECENTES

Acidentes: Obras e fluxo intenso causam bloqueios e colapsos, como um acidente em Porto Belo em janeiro de 2026, que gerou filas quilométricas e horas de espera.

SOLUÇÕES EM DEBATE

Via Mar: Uma nova rodovia paralela, com seis pistas, está sendo planejada para aliviar o tráfego da BR-101. Com o governador de SC, Jorginho Mello, admitindo que a BR-101 já colapsou, a Via Mar, ou Corredor Litorâneo Norte, com 145 km de extensão entre Joinville e Florianópolis, é vista como alternativa estratégica.

Medidas paliativas: A liberação dos acostamentos em horários de pico também é defendida por alguns como solução emergencial, enquanto as obras de longo prazo não são concluídas.

PITACO DO PITOCO

O primeiro trecho da Via Mar, partindo de Joinville, será bancado pelo governo de Santa Catarina, devorando R$ 1 bilhão do orçamento.

É apenas o primeiro lote, de cinco no total. O custo global da obra passa de R$ 7,5 bilhões.

O projeto prevê Parceria Pública Privada, com lotes concedidos para iniciativa privada.

O colapso da 101 desfaz a fantasia do pedágio baratinho, de manutenção. Sem obras de arte e ampliação de capacidade, a rodovia se transformou em um passivo para a economia catarinense.

A Via Mar é obra para longos anos. Se você programou “descer pra BC” agora, na alta temporada, prepare-se para um “chá de banco de carro” na fila que não anda.

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No crepúsculo da Petrossauro, a ética da mobilidade sob o sol

Não há exércitos invadindo outras nações para capturar placas fotovoltaicas ou parques eólicos. Não é possível, pela força das armas, invadir o palácio de um ditador para saquear ou sequestrar o vento e o sol

Entendamos isso: de cada R$ 100 de gasolina que você colocar no tanque do seu carro, apenas R$ 35 serão de fato aproveitados para gerar torque nas rodas.Significa dizer que a maior parte da energia contida no combustível é perdida, principalmente na forma de calor. Em cada 100 litros, 35 serão efetivamente funcionais. 70 a 75% da energia não chegam as rodas, mas alcançam os pulmões sapiens. A eficiência do sistema é ridícula.

5 X 1

Já os motores elétricos convertem em movimento entre 85 e 90% da energia. Para cada mil quilômetros rodados, um carro 1.0 a combustão gasta R$ 530 em gasolina. O equivalente elétrico, Dolphin Mini, rodando a mesma distância, irá gastar R$ 100, cinco vezes menos.

Talvez por essa razão nações civilizadas localizadas no norte da Europa – onde a humanidade deu certo – como a Noruega, legaram o motor fumacento ao museu da história. 97,6% dos veículos novos comercializados lá em dezembro último são elétricos.

Curiosamente, a Noruega é um dos grandes produtores de petróleo. E utilizou o líquido sujo para limpar sua matriz energética, subsidiando a transição para a mobilidade elétrica. Alô, Petrossauro, apresente o “mapa do caminho”!

ÓLEO E SANGUE

O petróleo está concentrado em países instáveis politicamente. O óleo e a cobiça inerente desestabilizaram essas nações. Óleo e sangue se misturam. É a maldição do petróleo no Irã, Iraque, Venezuela e outros menos votados. Petróleo é sinônimo de ditadura e disputas sangrentas.

Já as energias renováveis e limpas que vão para o Dolphin meter 5 x 1 no carrinho popular pelado, podem ser produzidas em qualquer lugar do planeta, inclusive em nossos telhados. Não há países armados até os dentes invadindo outras nações para capturar placas fotovoltaicas ou parques eólicos. Não é possível, pela força das armas, invadir o palácio de um ditador para saquear ou sequestrar o vento e o sol.

TERRA FIRST

Cada um de nós pode contribuir na causa. Entre 43 e 46% do petróleo misturado com sangue extraído no planeta, vão ser transformados em gasolina.

Eletrificar a frota de carros de passeio desmonetiza ditadores e ditaduras. E estabelece uma regra universal para além de ambições autocráticas de quem se julga dono do mundo: no lugar do América First, o planeta terra em primeiro lugar.

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Após perder ação aqui, ex-galã da Globo pede doações de R$ 10

Mário Gomes operou no Oeste do Paraná na indústria do vestuário, anoiteceu aqui mas não amanheceu

Os olhos “azuis caribenhos” de Mário Gomes encantavam as fãs em todo o Brasil nas telas da rede Globo nos anos 1970/80.

Hoje eles emitem lágrimas. O ex-galã surgiu na tela do Instagram no último dia 28 de dezembro apelando por doações. Ele alega passar por dificuldades financeiras desde que foi despejado da casa onde vivia para o pagamento de dívidas, em 2024.

“Perdi minha casa no ano passado, de forma desonesta. Esse ano perdi todo meu dinheiro. Achei que ia dar, e tal… Mas tenho recebido muitas sugestões de seguidores falando para eu fazer uma vaquinha pedindo 10 reais de cada um”, disse Mário Gomes no post.

Em seguida, completou: “R$ 10 não digo, mas qualquer quantia. Relutei muito, mas acabei cedendo. Vai me ajudar muito, está ficando muito difícil, estão faltando as coisas para comer”, prosseguiu.

“NÃO VOU SAIR”

O ator fez referência ao imóvel do qual foi despejado em Joatinga, no Rio de Janeiro, em setembro de 2024. Segundo informações do jornal “Extra” à época, a casa foi a leilão para o pagamento de dívidas trabalhistas de funcionários de uma fábrica de confecção que Gomes era dono no Paraná. Segundo ele, a mansão seria avaliada em R$ 20 milhões, mas foi arrematada por apenas R$ 720 mil. Ele chegou a ‘pichar’ as paredes de sua casa com a mensagem “Não vou sair!”.

Mário Gomes nos tempos áureos e agora, no detalhe, aos 73 anos, pedindo doações na internet

SANDUBA NA PRAIA

Ator presente no elenco de diversas novelas entre as décadas de 1970 e 2000, como “Guerra dos Sexos”, Mário Gomes se afastou da TV e chamou atenção nos últimos anos por expor sua condição financeira e também por procurar outras ocupações.

Recentemente, candidatou-se a deputado estadual (Republicanos, 2022) e a vereador (Republicanos, 2024). Para sobreviver, também chegou a vender sanduíches numa praia do Rio de Janeiro.

Calote na Costa Oeste

As dívidas trabalhistas que zeraram o caixa do galã a ponto de custar a casa em que morava desde garoto são originárias do Oeste do Paraná.

Mário Gomes montou duas unidades fabris de confecções, uma no distrito de São João, em Santa Helena, e outra na vizinha Entre Rios do Oeste, ambas na chamada “Costa Oeste” paranaense – designação atribuída ao ex- governador Jaime Lerner.

Na época os municípios banhados pela Lago de Itaipu usavam os royalties da hidrelétrica para subsidiar investimentos em segmentos econômicos intensivos em mão de obra, como é o caso da indústria do vestuário.

Mário Gomes fez uso dos subsídios públicos para estabelecer as plantas industriais.

“Os trabalhadores bateram cartão ao final do expediente numa sexta-feira e quando voltaram na segunda-feira só restava o barracão, ele havia levado todas as máquinas e fechado a indústria sem pagar ninguém”, relata a presidente do sindicato da categoria, Roseli de Oliveira Rodrigues.

Ela conta que agora, após 15 anos de trâmites jurídicos, os 60 trabalhadores lesados serão indenizados. Segundo ela, o valor a ser distribuído conforme a demanda de cada um será de R$ 1 milhão.

(Com informações dos jornais “Extra” e “O Estado de São Paulo”)

PITACO DO PITOCO

Em outros tempos, se alguém dissesse “tá com pena, leva para casa”, haveria muitas candidatas na adoção de Mário Gomes e, quem sabe, até alguns candidatos.

Mas hoje os tempos são outros. O galã envelheceu mal. De toda forma, se a situação dele comoveu, aqui está a chave pix para doações: ajudamariogomes@gmail.com

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Simeão e a fábrica de prédios chinesa

Desafio do projeto em Cascavel é iniciar 960 apartamentos com entrega de 240 unidades em 2026

Simeão: “Os chineses são incríveis, mas nós temos em Cascavel um projeto único no planeta”

Está nos vídeos postados no cipoal da internet: construtora chinesa usando contêiners pré-fabricados construiu um prédio de 10 andares em 28 horas e 45 minutos, edifício que pode ser totalmente desmontado e remontado em outro local. A obra, segundo a construtora, resiste a terremotos e furacões, e a mesma técnica pode construir prédios de 200 andares.

E em Cascavel, como está operando a primeira fábrica de prédios do Brasil? Segundo o cronograma, serão entregues 240 apartamentos de 55 metros quadrados até dezembro deste ano. E iniciadas outras 720 unidades de 77 metros, assim que obtida autorização da Prefeitura.

Chico Simeão, homem que aportou centenas de milhões de reais no projeto, comparou o desempenho asiático com o projeto implantado aqui:

Pitoco – Na China também há fábricas de prédios. Lá, acabaram de construir um edifício de 10 andares em 28 horas. Essa é a ambição em Cascavel também?

Chico Simeão – Os chineses estão à frente do tempo. Têm dinheiro, tecnologia, organização, disciplina e ordem. São incríveis! Entretanto, nosso projeto Bairros Integrados Ecoparque, tem o que país algum tem, ou seja, mais de 50% de áreas verdes, com exuberantes jardins, pistas de caminhada e ciclovias, onde os prédios são distantes 50 metros um dos outros, ocupando apenas 3% da área total do loteamento.

Embora sem igual no planeta, o “imobiliário” é apenas o 3º pilar deste empreendimento. O primeiro é ensino básico em tempo integral, desde seis meses de idade, nas creches, ensino infantil, fundamental I e fundamental II, com duas matérias incluídas no currículo escolar: Inglês e computação até o nível de programação. Ou seja, as crianças, com 14 anos de idade valerão no mercado de trabalho mais de R$10 mil reais por mês, a valor de hoje.

As escolas irão alcançar facilmente a média 8 no Ideb, uma vez que todos os servidores das escolas do ensino fundamental I e II irão ganhar R$10 mil reais de prêmio no final do ano (pago pelos moradores, conforme condição contratual de venda e compra), desde que sua escola supere a nota 7 no Ideb.
O segundo pilar é decorrente do primeiro, quando as mães ficam liberadas e seguras para trabalhar e dobrar a renda das famílias, com seus filhos na creche e escolas em tempo integral, superprotegidas em um bairro monitorado por 1.400 câmeras de vigilância.

Estou chegando aos 80 anos. Faz cinco anos que eu e o Bonacin iniciamos este projeto. Embora estimemos um lucro robusto, que é a primeira obrigação do empresário, não é o resultado financeiro que nos anima a implantá-lo.

O que nos empolga é a convicção de que iremos iniciar uma mudança no Brasil, promovendo uma nova geração de brasileiros, eleitores que terão discernimento para melhor escolher seus representantes no parlamento e no Executivo, bem como terão força, colegiadamente, para cobrá-los.

Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente

pitoco@pitoco.com.br

 
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