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Pitoco

Edson é o Mário amanhã?

calendar_month 28 de março de 2026
10 min de leitura

Cascavelense é anunciado por Moro como pré-candidato a vice; exército de 350 prefeitos e popularidade de Ratinho Junior poderão conter a aliança lavajatista com o bolsonarismo?

Vasconcelos assina filiação ao PL na presença de Flavio, Moro e do notório Valdemar: cascavelense na antessala do Iguaçu? No detalhe, imagem IA simula a queda de braço entre Moro e Ratinho, da qual o governador saiu ferido e magoado

Mário? Que Mário? Todo mundo sabe a sequência dessa equação. O Mário em questão é o Pereira. Ele tem no armário, ou em algum ponto nobre da estante de seu escritório um diploma disputadíssimo
emitido pelo TSE.

Agora, na próxima quinta-feira, fará 36 anos que o cascavelense Mário Pereira envergou a condição de governador do Paraná. 24 horas após o “Dia da Mentira”, em 2 de abril de 1994, Mário assumia o comando do Palácio Iguaçu após a renúncia do titular, Roberto Requião, para disputar o Senado.

Em 9 meses de “gestação”, Mário escancarou os cofres do Iguaçu para o Oeste do Paraná. Enfrentou a corporação branca de entidades médicas e validou o curso de Medicina e de Odonto da Unioeste. Expandiu e consolidou a universidade. Caneteou demandas de décadas de Cascavel e região.

Edson Vasconcelos, ex-presidente da Acic e atual da Fiep é o Mário amanhã? Será o segundo cascavelense na antessala do Iguaçu? O líder empresarial foi anunciado na última terça-feira (24) como pré-candidato a vice-governador.

O anúncio ocorreu na sede do PL em Brasília, na presença do presidenciável da sigla, Flavio Bolsonaro, do candidato a governador Sergio Moro e do notório Valdemar da Costa Neto, presidente nacional da sigla, e que em outros tempos frequentou as celas da Lava Jato.

ELEIÇÃO DEFINIDA?

As bençãos da família Bolsonaro vitaminaram a chapa Moro/Vasconcelos a ponto de os mais emocionados apostarem em uma vitória já no primeiro turno. Porém, é preciso
combinar com os russos.

Ratinho Junior ostenta níveis de popularidade só atingidos por Álvaro Dias no milênio passado. E diz ter mais de 350 prefeitos engajados na causa, embora ninguém saiba ainda o nome do candidato do governador.

Moro também será confrontado com o passado recente, quando rompeu com o capitão e pediu o chapéu de ministro da Justiça do Jair. Na época, o ex-juiz saiu atirando. Disse que Bolsonaro estava interferindo na PF exatamente para blindar o filho 01, Flávio, de mal-feitos na política malcheirosa do Rio de Janeiro.

AGRO MORISTA

Se Ratinho tem seu exército de prefeitos capazes de, somados, eleger um poste para o Iguaçu, Moro pôs um enclave no agronegócio, reduto bolsonarista. No Oeste do Paraná, dirigentes de cooperativas bilionárias piscam para o governador de dia, mas pegam na mão de Moro na penumbra da noite, onde todos os gatos
são pardos. Notem que há muito frigorífico de frangos na região. De marrecos, nenhum.

PITACO DO PITOCO

Ratinho parece sair ferido, magoado, da pretensão de disputar o Palácio do Planalto. Mais magoado ainda com a benção dos Bolsonaro ao adversário Moro. Até que ponto isso pode afetar seu engajamento na campanha de Flávio?

O Paraná, quinto colégio eleitoral do Brasil com mais de 8,4 milhões de eleitores, poderá ser fundamental em uma disputa presidencial que tem tudo para reprisar o 50,9% a 49.1% do confronto entre Lula e Jair em 2022.

Já na disputa ao Palácio Iguaçu é inegável a força de Moro. Além do bolsonarismo, ele traz algo que um experiente jornalista de Cascavel definiu como “voto esotérico”, a mística do “herói sem capa” que prendeu o Lula. Será osso duro para roedor roer!

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Prefeito aqui, vice acolá

Rearranjo político no Paraná põe Renato Silva e Henrique Mecabô em trincheiras opostas; “até vaca voa”, diz o vice

Haverá choques e faíscas entre o prefeito de Cascavel e o vice, posicionados em trincheiras opostas na eleição para governador como sugere o efeito da IA na foto?

A presente semana sacolejou a sucessão do governador Ratinho Junior. A embarcação que trazia a eleição vinha sem marolas até as águas de março. Porém, a filiação de Sergio Moro ao PL com as bençãos da família Bolsonaro, trouxe um tsunami político capaz de inundar o terceiro andar do Paço Municipal, em Cascavel.

O aguaceiro foi capaz de colocar o prefeito Renato Silva em um bote e seu vice em outro,
rumando para pontos distintos. O titular não abandonará o barco sacolejante de Ratinho Junior, e o vice, premido pela composição do PL com o Novo, estará na campanha do ex-juiz da Lava Jato, adversário do governador.

Na entrevista concedida ao Pitoco no gabinete do vice – que faz “parede e meia” com a sala de Renato no Paço – Henrique Mecabô celebra a presença de um cascavelense na chapa majoritária ao Iguaçu e minimiza constrangimento com o vice aqui e o prefeito acolá.

Pitoco – Como avalia os desdobramentos da semana?

Henrique Mecabô – Até agora havia incerteza se o Moro teria uma legenda para disputar o governo e também quem seria seu vice. Fiquei feliz em especial em ter o Edson Vasconcelos como pré-candidato a vice. O realinhamento para o Novo do Paraná veio de cima. Com a provável confirmação do ex governador mineiro, Romeu Zema, como vice do Bolsonaro, se consolida uma aliança nacional com o PL.

Vasconcelos fica na chapa ou eventuais composições futuras podem “rifá-lo”?

Espero que a indicação se consolide. É um nome preparado para a posição. Irá pautar os interesses da indústria do Paraná que enfrenta dificuldades em especial infraestrutura energética. Torço para que seja mantido até o final.

Como ficou a chapa majoritária?

Moro e Vasconcelos para o governo, Filipe Barros do PL e Deltan Dallagnol pelo Novo, candidatos ao Senado apoiados pela composição.

Deltan passa no crivo do TSE ou o STF tira ele do jogo novamente?

Ele não foi condenado por crime eleitoral, e sim teve o registro da candidatura anterior cassado. Acredito que pode ser registrado novamente. Pode haver uma nova discussão jurídica, mas entendo que o registro é factível e legal.

Renato na candidatura apoiada pelo Ratinho e você na oposição pode estremecer as relações políticas entre o prefeito e o vice?

Não haverá estremecimento. Nossa composição municipal formada em 2024 não vinculava as eleições
para governador. Entendo que da forma como está, seja quem for o governador eleito, teremos as portas abertas para Cascavel..

Mas a eleição vai esquentar, e da cintura para baixo é tudo canela…

Temos que aguardar as definições. O governador não se definiu ainda entre Guto Silva, Alexandre Curi ou Rafael Greca. Como em política até vaca voa, não se descarta uma composição do Ratinho com o PL.

Sua candidatura a federal está mantida?

Está consolidada, independente dos rumos da majoritária. Foi construída em uma veia municipalista, focada no setor produtivo da região Oeste. Dentro do Novo, fizemos o maior trabalho de expansão no interior, com mais de 60 grupos formados no Oeste, Norte e Sudoeste do Paraná vinculados a minha candidatura.

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A “Perigosa” na banguela

Uma viagem na Kombi do Vô Fritz da Picada Benjamin a Beijing mostra a relação malhumorada do brasileiro com o preço da gasolina

Imagem IA

Primeira metade dos anos 1980. Frederico Frey Filho dá os últimos retoques na “Perigosa”, como era conhecida a Kombi branca fabricada no final dos anos 1960. Dali onde morava, na rua Presidente de Kennedy desprovida de asfalto – atrás da Floricultura Catarinense – ele partiria com filhos e sobrinho para a Picada Benjamin.

Embora o destino remeta para uma passagem histórica – aquela picada testemunhou a passagem da Coluna Prestes nos anos 20 do século passado – não era esse o caráter da “viagem”. Vô Fritz ia buscar frutas, principalmente laranjas e “bergamotas”, como diziam os gaúchos, em um generoso pomar às margens do Parque Nacional do Iguaçu, com acesso a escassos metros do posto da PRF em Céu Azul.

A ideia inicial era revender as frutas em Cascavel. Hoje tenho dúvidas da viabilidade do negócio, já que a prodigiosa prole da época se ocupava de reduzir os estoques no “0800”.

PONTO MORTO

O sobrinho a bordo da “Perigosa” era eu, em meus 13 ou 14 anos de idade. Já provido de algum DNA de jornalista, atentei para uma característica do Vô Fritz na boleia da Kombi: bastava surgir uma pequena descida de 100 metros na rodovia, ele colocava o cambio em “ponto morto” e desligava o motor.

Cada gota de gasolina importava. Linkando essa “expedição frutífera” à Picada Benjamin com o explosivo mundo contemporâneo, em que se estreitou a passagem do petróleo no Oriente Médio com repercussão no preço da gasolina, ouso dizer: tem muita gente “pilotando” como o Vô Fritz. E mais: a cobiça do império sobre as reservas de petróleo da Venezuela e dos países árabes levarão governos a estimular a eletrificação das frotas, e consumidores a preferirem tomadas a bombas de gasolina.

BENJAMIN A BEIJING

O brasileiro cultiva longeva bronca com o preço da gasolina. Até mesmo aqueles agraciados pela mobilidade social, são culturalmente mal- -humorados com os cifrões emanados das bombas. “Saí da pobreza, mas a pobreza não saiu de mim”, dizem ao se queixar do preço da gasolina. Não é apreço ao meio ambiente. É cultural. É memória de escassez.

Essa conversa, na “banguela” e em “ponto morto”, vai parar lá na China. Da Picada Benjamin a Beijing, os maiores beneficiários do petróleo a “100 pratas” são as grandes indústrias automobilísticas da China, como BYD e Geely.

Em tempo: desconfio que o Vô Fritz, se ainda estivesse entre nós, talvez relutaria em comprar uma Kombi elétrica. Ele curtia mesmo acionar o ponto morto e desligar o motor da “Perigosa” na banguela.

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Cancela incancelável

Contrato com a vencedora do lote 5 é assinado em Brasília e tarifa de “deizão” será cobrada no segundo semestre deste ano

Em ano eleitoral não faltará quem tente faturar algum votinho na linha do “pedágio que abaixa ou acaba”.

No caso da praça de pedágio, ou alternativamente pedágio eletrônico a ser cobrado entre Cascavel e Toledo, está difícil faturar algum em cima da polarização política.

É que a cancela em Sede Alvorada está configurada como ambidestra.

Ambidestro é quem possui a capacidade de usar ambas as mãos com a mesma destreza ou habilidade. É o atleta que chuta com as duas: esquerda e direita.

Aos fatos: quando divulgado o mapa das Rodovias Integradas do Paraná, apareceu uma cancela lá no distrito mais germânico de Cascavel.

O ano era 2021, no governo Bolsonaro. A grita foi geral. Comitivas patriotas lideradas pelo então prefeito Paranhos foram até o capitão e seu ministro, Tarcisio de Freitas, implorar para tirar a
cancela de Sede Alvorada. Nada. Nem o acorrentamento do Alécio, presidente da Câmara de Cascavel, resolveu a parada.

Depois, já no governo Lula, novas tentativas. Nada. Homologou-se a cancela incancelável.

CHAMEGÃO NO CONTRATO

No último dia 16, em Brasília, foi assinado o contrato entre a ANTT e a Via Campo, concessionária do Grupo Pátria, que irá administrar o lote 5.

A cancela entre Cascavel e Toledo, que uniu esquerda e direita, permanece lá. Os destros da política não poderão apontar o dedo para os canhotos. Nem esses poderão culpar aqueles.

Definitivamente, a cancela irremovível na localidade de Sede Alvorada é ambidestra. E deve cobrar tarifas em torno de “deizão” ainda no segundo semestre deste ano.

The End

Como perguntar não ofende, vamos lá: o deputado federal Fernando Giacobo deixou a presidência estadual do PL por lealdade a Ratinho Junior? Ou foi convidado a se retirar pela nova ordem marrequiana?

Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente

pitoco@pitoco.com.br

 
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