O Presente
Pitoco

O cangaço do cobre

calendar_month 4 de outubro de 2025
10 min de leitura

Furtos de fios em grandes quantidades mostram que o segmento passou a ser operado por bandidos de outro calibre; inventor cascavelense oferece solução

Em algumas madrugadas do ano passado um grupo de meliantes percorreu quilômetros da BR 277 entre as imediações do Trevo Cataratas até a Ferroeste, “colhendo”
fios de cobre. Testemunhas dizem ter visto uma van carregando o produto do furto e
dando suporte. Estima-se que a operação criminosa tenha rendido uma tonelada de
cobre. Até hoje, quase um ano depois, centenas de lâmpadas estão inativas no breu do acesso a Cascavel.

A ousadia do novo cangaço do cobre foi tamanha, que há postes no escuro a 50 metros do posto da PRF. A 140 quilômetros daqui, na entrada de Foz do Iguaçu até a Ponte da Amizade, a operação se repetiu. Furtos desta dimensão exigem mais que meia dúzia de moradores de rua para operar. É coisa de quadrilha especializada.

Em Foz, a concessionária que administra a BR 277, EPR Iguaçu, repôs a iluminação, bem como no Trevo Cataratas em Cascavel.

E se prepara para repor o trecho até a Ferroeste. As cifras do reparo são elevadas, inflam o tal “Custo Brasil”, e na última linha do balanço, pressionam a tarifa do pedágio.

PARQUE ROUBADO

Cascavel convive diariamente com o furto de fios. O Parque Vitória é um dos alvos preferidos. Lá a fiação foi reposta cinco vezes ao custo de centenas de milhares de reais. Na última visita dos amigos do alheio, postes foram parar dentro do córrego.

Como não é possível colocar um GM embaixo de cada poste, os gestores estão desafiados a buscar soluções. O empresário cascavelense Altair Soares, movido pela indignação diante da impotência das forças de segurança, desenvolveu uma caixa de passagem apresentada como antifurto.

Para desenvolver o produto ele estudou meticulosamente a ação dos ladrões e agora chegou ao quarto protótipo. Testou em uma área infestada de “amigos do alheio”, no bairro Pioneiros Catarinenses. “Faz um ano que a caixa está lá e os ladrões não conseguiram violá-la”, diz Altair.

Técnicos da Prefeitura de Londrina souberam da invenção, e sabatinaram o cascavelense. “Eles escolheram o Complexo da Cidadania, na Zona Sul do município, local com inúmeras ocorrências de furtos, para testar a caixa. Já faz quatro meses que está lá, com zero roubo de fios”, disse.

O nosso “professor pardal” ofereceu o equipamento sem custo para a Prefeitura de Cascavel colocar a teste no Parque Vitória. Alguns meses após a oferta, não recebeu resposta ainda.

PITACO DO PITOCO

Certamente, daqui a pouco, o secretário Severino Folador (Obras) ou o diretor da EPR Iguaçu, Silvio Caldas, ligam para o inventor e oferecem uma oportunidade para ele provar que a caixa de passagem de fios antifurto funciona de verdade, e que um cascavelense pode ter desenvolvido uma solução inédita com aplicação em âmbito ambito geral. Bate um fio aí, Fola!

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Atleta revelada no Comercial no top 10 nacional do Beach

Ela estava decidida a deixar a carreira esportiva para cursar arquitetura, mas o Beach Tennis arquitetava outros planos para a número 1 do Paraná na modalidade

Ana entre dois dos maiores incentivadores da vitoriosa carreira, o pai Jonas (dir.) e o desportista Dirceu Soligo

O tênis em quadra de saibro chegou cedo na vida da Ana Preisner. Ela media exatamente o tamanho da raquete do pai Jonas, quando começou a acompanhá-lo no Clube Comercial.

Logo que pôde segurar a raquete a menina mostrou jeito para o esporte. A partir de 2013 uma parceria entre a comissão de tênis do clube e a FAG ofereceu estrutura para um grupo de 12 meninas. “O apoio incluia acompanhamento psicológico e nutricional, além da vasta estrutura do Comercial”, recorda Dirceu Soligo, aficionado do tênis.

A Covid descontinuou o projeto e Ana passou a vislubrar outras oportunidades. Ingressou no curso de Arquitetura. Porém, o destino arquitetava outros planos para a jovem.

“De repente abriu uma arena com quadras de Beach Tennis na quadra em frente à minha residência”, relata ela. Era a modalidade buscando a atleta.

Dali a pouco a cascavelense revelada no Clube Comercial já era a número 1 do Paraná e passou a ser convidada para o restrito circuito internacional da categoria. Competiu em Aruba, no Caribe, Pernambuco, Alagoas, Goiás, Tocantins e Ceará, e foi galgando posições no ranking internacional. “Meu objetivo em 2025 era chegar ao top 30 mundial, em meio ano já estamos na posição 28”, orgulha-se ela.

No Brasil, Ana está entre as 10 melhores. Há quatro meses, a atleta foi selecionada para a equipe profissional de Vinhedo (SP). Divide treino e participação nos torneios com aulas de Beach que ministra para jovens que se inspiram na trajetória dela.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

“Que os mortos enterrem os mortos”

Presidente da Câmara, Thiago Almeida, e o prefeito Renato Silva silenciam sobre eventual retirada do nome do bispo Dom Mauro no Cemitério Central

A placa com o nome de Dom Mauro na entrada do Cemitério Central: assunto espinhoso

A frase bíblica, que permite inúmeras interpretações, era usada com frequência pelo então prefeito Fidelcino Tolentino sempre que precisava desconversar sobre algo espinhoso: “Deixem que os mortos enterrem os mortos”.

O Cemitério Central vai continuar levando o nome do arcebispo DomMauro Aparecido dos Santos (in memoriam), após ele ser citado em quatro depoimentos por abuso sexual no inquérito aberto pela Polícia Civil? Há muito espinho no entorno dessa pauta. A iniciativa de rebatizar o cemitério com o nome do bispo falecido foi assinada pelos 21 vereadores de Cascavel em 2021. Na ocasião, a então vereadora Beth Leal disse: “Por ter convivido com Dom Mauro por longa data, sei da preocupação que ele teve com os mortos, sempre pedindo orações para os falecidos”, argumentou.

Inquirida na última terça-feira (23) se era o caso de rever a homenagem a Dom Mauro, Beth, agora secretária de Cultura, foi cuidadosa com as palavras: “Não tenho posição formada sobre retirar o nome do arcebispo. Até porque não teremos como comprovar se isso ocorreu mesmo ou não”.

Acionados para opinar a respeito, o presidente da Câmara, Thiago Almeida, e o prefeito Renato Silva não responderam até o fechamento desta edição.

ENTENDA O CASO

O Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) abriu um inquérito policial para apurar supostos crimes praticados pelo padre Genivaldo Oliveira dos Santos contra crianças e adolescentes.

Até a primeira semana de setembro, 38 oitivas foram realizadas. Segundo o Nucria, nove vítimas do padre foram identificadas e quatro pessoas relacionaram o então bispo Dom Mauro aos fatos.

A ação deflagrada pelo Nucria em 24 de agosto último, denominada “Operação Lobo em Pele de Cordeiro”, prendeu o padre na residência da mãe, onde residia após ter sido afastado de suas funções eclesiásticas em decorrência das investigações.

Padre Genivaldo permanece preso. Dom Mauro faleceu por complicações da Covid 19 em março de 2021.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Com paciente em risco, médico ligou para o Zoológico

Bastidores do período mais macabro da Covid 19 em Cascavel são revelados pelo médico que compunha a linha de frente do combate à pandemia, Lísias Tomé

Médico Lísias Tomé (esquerda) na redação do Pitoco: “solução animal” que salvou uma vida sapiens na epidemia de Covid 19

No primeiro semestre de 2020 já se percebia que um dos gargalos mais cruéis para o enfrentamento da Covid 19 era a falta de respiradores. Foi neste contexto, em um raro domingo de folga, que o então diretor do Hospital da Retaguarda – referência no combate à pandemia – Lísias de Araújo Tomé, recebeu uma ligação de emergência.

“O pessoal da minha equipe estava apavorado”, relembrou Lísias na entrevista concedida ao Pitocast, o podcast do Pitoco, no último dia 12 de setembro.

“Disseram prá mim: paciente precisa de respirador urgente, ele vai morrer, não tem mais em Cascavel nem no Brasil”.

Abatido, imobilizado pelo sentimento de impotência, Lísias sentou-se no meio-fio em frente à sua residência e passou a imaginar cenários. “Sou diretor do hospital, me colocaram nessa posição porque tenho de dar conta da função. Tenho de encontrar uma solução”, relatou o médico.

Foi quando os pensamentos do diretor rondaram um dos lugares mais visitados da cidade, o Zoológico Municipal. “No zoo tem respirador usados em cirurgia de cavalos e outros animais de maior porte. Liguei para o veterinário, buscamos o aparelho lá e salvamos o paciente”, disse.

Em janeiro de 2022, a vacinação em massa da população cascavelense já havia reduzido em 96% a mortalidade.

Segundo o blog Brasil.io, que coletou dados de todos os municípios brasileiros, 49.113 cascavelenses foram infectados pelo coronavirus entre abril de 2020 e março de 2022. Destes, 1.101 foram a óbito.

O então prefeito, Leonaldo Paranhos, chegou a cogitar a construção de um marco no Lago Municipal em homenagem às vítimas, mas o projeto não seguiu adiante. E a Covid continua matando, embora em proporção muito menor. Seis cascavelenses foram a óbito neste ano, todos com mais de 60 anos de idade, até o último dia 13. O virus influenza foi mais letal, 23 óbitos, dos quais 76% não estavam vacinados.

Para assistir o episódio completo com o doutor Lísias Tomé, digite na busca pela palavra Pitocast no Youtube ou Spotify

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

João, o abelhudo

Menino formado aos microfones da rua Mato Grosso inverte o adágio popular e prova que santo de casa faz milagre

João Diego: “Um projeto de rádio popular é como um buffet do almoço… um cardápio de bem diversificado”

“Abelhudo” era um informativo editado em Cascavel no final dos anos 1990 pelos jornalistas Paulo Alexandre e Ivan Zuchi. Como o próprio nome sugere, sobrava umas ferroadas para uns desprevenidos e emocionados.

A inspiração do nome vinha da emissora em que atuavam, a veterana rádio Colmeia, cujos primeiros “acordes” vieram por auto-falantes instalados nos postes de madeira no centro da vila poeirenta chamada Cascavel, na primeira metade dos anos 1960.

A Colmeia foi celeiro de muitos profissionais. Entre aqueles para os quais a emissora serviu de escola está o hoje vereador João Diego Machado. Cria da rua Mato Grosso, onde estavam os estúdios da rádio, João já atuava lá na adolescência, na mesa de som.

A longa trajetória na Colmeia foi brevemente interrompida por uma passagem pela rádio Tarobá FM. Ali o comunicador já acumulava outras funções para além do microfone, como no estratégico setor artístico, que em última instância responde pelo Ibope da emissora.

Na ocasião, a Tarobá chegou a colar e, em alguns segmentos, ultrapassar a líder Capital FM.

“Chegou um momento em que percebi a missão cumprida e voltei para casa”. No caso, a casa é a Colméia, com um desafio imenso: construir a chuviscada transição do AM para o FM. “Você está louco, sair da Tarobá com essa estrutura material, humana e de equipamentos toda?”, questionaram os muitos amigos e colegas de trabalho.

MEDALHA DE PRATA

O João “Abelhudo” seguiu adiante, assumindo a direção compartilhada com Viviane Silva na Colmeia em 2021. E já em 2024 a Colmeia surgia no “top 2” de Cascavel, mesmo que com apenas 1,5% à frente da terceira colocada e quase 20 pontos atrás da líder no share total. Os números de 2025 chegaram ainda melhores. Segundo o Kantar Ibope, a Colmeia abriu 9 pontos percentuais do terceiro colocado e reduziu a diferença para o
primeiro.

Questionado no Pitocast sobre as estratégias que explicam o desempenho, João Diego preferiu compartilhar com os colegas. “Ninguém faz sucesso sozinho, a equipe toda se envolveu com amor e dedicação ao projeto que desenhamos juntos”, disse, calçando as sandálias da humildade.

E a receita?, questionou o Pitocast: “Um projeto de rádio popular é como um buffet do almoço: arroz com feijão bem temperado, carne e uma saladinha, um cardápio bem diversificado para o ouvinte encontrar a programação preferida e ali permanecer sintonizado”, ensinou o eclético comunicador e gastrônomo.

Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente

pitoco@pitoco.com.br

 
Compartilhe esta notícia:

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.
Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.