Entre águas calmas e cifras inquietas, Lago Municipal transformou terras em fortuna

Quem quiser adquirir uma morada no elegante condomínio Golden Garden, na região do Lago Municipal, pode aproveitar uma oferta anunciada neste mês: R$ 6,5 milhões, quatro quartos com suítes, quatro vagas na garagem, 512 metros quadrados.
Se quiser só o terreno, está mais “em conta”: R$ 3,5 milhões. Pouco mais de 20 anos atrás, era possível adquirir o mesmo lote por R$ 15 mil. A valorização é insana: 233.333%. Somente a moderninha moedinha digital, a bitcoin, subiu tanto quanto o tradicional e analógico terreno que recebe o Lago no quintal.
O lucro real (acima da inflação) foi de nada menos que 48 vezes o capital investido. Enquanto o custo de vida quase quintuplicou no período, o valor deste imóvel multiplicou-se por 233. Isso representa um ganho real de cerca de 16,7% ao ano acima da inflação, um desempenho extraordinário para qualquer classe de ativos.
CULTURA QUEBRADA
No condomínio vizinho, igualmente incorporado pela JL, o Lago Dourado, as contas não são muito diferentes. O médico Jair Crestani mora lá. Ele pagou R$ 45 mil em terreno de mil metros, duas décadas atrás.
Se fosse corrigido pela IPCA do período, custaria hoje pouco mais de R$ 200 mil. Mas quando aparece lote para vender ali, as “ofertas” surgem entre R$ 2 milhões e R$ 2,7 milhões, valorização bruta de quase de 6.000 %. O Lago é dourado.
Segundo um estudioso do assunto e especialista do mercado local, Augusto Galvão, os primeiros condomínios horizontais da cidade, entre os quais os já citados, tiveram que quebrar um traço cultural do cascavelense. “As pessoas queriam morar no centro, perto de tudo. Então um terreno aqui na rua Riachuelo, perto do Super Muffato, muito menor e pelo mesmo preço dos condomínios do Lago, tinha a preferência do consumidor”.
O fotógrafo Sérgio Sanderson confirma essa leitura prevalente no final dos anos 1990. “Ganhei um prêmio de fotografia do Bradesco. Passei a procurar terreno no Maria Luiza e Nova York. Encontrei por R$ 180 mil áreas de 700 metros. O João Luiz Felix me ofereceu dentro do Lago Dourado por R$ 140 mil com mil metros”, relata.
Hoje, os R$ 140 mil do Sanderson se transformaram em R$ 2,5 milhões, valor que se multiplica por dois ou três se incluir a bela morada que ele edificou lá, embora alguns se queixem dos custos fixos. A taxa de condomínio está em R$ 1,8 mil.
Outros condomínios pioneiros, como o Tom Jobim, do Paulo Sciarra (no Country) e o Portal do Vale (Parque Verde), do Ciro Kreuz, também perfomaram muito acima da média.
A Bella Casa e Okada acaba de lançar o sofisticado Noah Beach no novo filão imobiliário da cidade, com terrenos a partir de R$ 353 mil. Irá repetir a performance dos “irmãos mais velhos”? Tudo indica que sim.
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Gugu e os “pantufas”

Quem é o “político de pantufas”? Segundo o deputado Gugu Bueno (foto), o tal segue um ritual já na primeira hora da manhã: pula da cama, calça pantufas, prepara um cafezinho, fixa o celular, aciona a câmera, e grava vídeos em “plano americano”, da cintura para cima, escondendo a vasta cintura e os pés. “E no vídeo, o político de pantufas diz que vai transformar o Paraná”, complementa Gugu.
A fala do 1º secretário da Assembleia tinha direção: a oposição a Ratinho Junior. “Transformar o quê? O Paraná vai muito bem”, disse o deputado. Para ele, o governador “já transformou o Estado em uma potência”.
Adiante, o parlamentar disse que Ratinho estava empolgado em levar adiante a candidatura presidencial, “contudo, conchavos em Brasília mudaram o cenário e o governador percebeu o risco de o caos na capital federal contaminar o Paraná”, e então recuou.
Por fim, Gugu convocou a base do governador a “transformar gratidão em ação para impedir que o Paraná entre em uma aventura”.
Ele falou
“Quando um palhaço se muda para um palácio, ele não se torna o rei. O palácio é que se torna um circo.”
Claude Malhuret, senador francês, sobre Donald Trump.

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Esquerda com Ratinho Junior?
Curitiba mostrou que o ódio por um postulante pode levar a um efêmero amor com o adversário dele, mas “beijar na boca” é ultrapassar a linha tênue que os divide para sempre

Parece se tratar de uma contradição em termos, mas a leitura preponderante na alta cúpula de aconselhamento político do governador Ratinho Junior chegou a uma conclusão difícil de assimilar pela militância movida por setas ideológicas idiotizantes.
Embora óbvia, soará desconfortável para quem chuta pênalti com a perna direita: o ungido do governador para o Iguaçu só precisa passar para o segundo turno. Dali em diante, receberá por inércia os votos de parcela do centro e da esquerda, segmento raivosamente anti-Moro.
A parcela canhota no estádio – conforme o desempenho de Haddad e Lula aqui em 2018 e 2022 – é estimada em um em cada três paranaenses, galera que tende a depositar sufrágios em Requião Filho (PDT), no primeiro turno.
Detalhe: há precedente com jurisprudência firmada na capital: o atual prefeito, Eduardo Pimentel (PSD), se beneficiou do voto anti-bolsonarista no turno decisivo de 2024 e derrotou a ultraconservadora Cristina Graeml.
“SÓ FICANDO”
De toda forma, há uma linha tênue aí, que não pode ser ultrapassada. É fio de alta tensão desencapado da Copel privatizada: o candidato de Ratinho enamorado com o anti-morismo pode até (discretamente) pegar na mão do guri do Requião, mas jamais “beijar na boca”.
Vale lembrar: o relacionamento de Ratinho com a família Bolsonaro terminou em corações partidos, muita dor de cotovelo e talvez evolua para afetos fingidos e “aparências, nada mais”…
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Facão do Taborda
Após longa carreira na televisão, apresentador faleceu aos 88 anos em Campo Largo (PR)

O apresentador Ivan Taborda (foto) é o do tempo em que Cascavel era uma cidade pilchada, na virada dos anos 1970 para 1980. Tanto assim, que o morador típico da cidade era gremista ou colorado. Dia de Grenal
“fechava o comércio”.
Resgatando as menções a Taborda no jornal, localizamos em janeiro de 2001 a prisão de um suspeito. Com ele os policiaisapreenderam um facão “de dar inveja ao Ivan Taborda”, como fez constar o Pitoco na ocasião. Curioso é que homem alegou usar o facão para descascar laranja.
Conhecido como garoto propaganda do chá “Coscarque” e por cunhar frases pitorescas como “dinheiro anda mais curto que coice de porco”, Ivan deixou sua marca na seção “Falou & Disse” do Pitoco de novembro de 2018, quando cravou: “Aqui só morre de fome quem tem preguiça de comer”.
Taborda construiu longa carreira na TV Tarobá, onde apresentava o “Alô Che”. Ele faleceu no último dia 19, aos 88 anos, em Campo Largo.
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“Vou quebrar tuas pernas!”
Pai do governador disse que irá usar taco de beisebol para “dar nos joelhos” de empresário cascavelense

O apresentador Ratinho, pai do governador Ratinho Junior, revelou em áudio ter um taco de beisebol atrás do banco do carro. E que se encontrar o empresário Marcos Formighieri (Gazeta do Paraná/CGN), irá atacá-lo com o “tacape”.
“Espero que a Justiça te encontre antes, pois o dia que eu te encontrar vou quebrar tuas duas pernas”, disse o apresentador, para complementar logo em seguida: “A Justiça demora. Vamos quebrar o joelho, que é mais rápido.”
Ele está furioso com o cascavelense. “Pô, vai vinte e oito anos, cara, falando mal da minha família lá, rapaz, do meu filho. Tem que levar no joelho. Pra falar as verdade (sic), tudo bem, mas é mentiroso, safado.”
Formighieri tem tecido duras críticas ao governador, questionando destinação de verbas da publicidade oficial para emissoras do pai do governador (Rede Massa), modelo da concessão de rodovias e a venda de estatais como a Copel.
“Quero que o Marcos Formighieri, aí de Cascavel, vá para os quintos dos infernos, viu, Marcos? Quero que você vá com o capeta, que te pegue o mais rápido possível. O dia que eu te encontrar, vou quebrar tuas duas pernas. Tô te avisando aqui na rádio”, reforçou Ratinho, acusando o empresário de “achacador”.
O Pitoco pediu um comentário a respeito do empresário. Até o fechamento desta edição, às 21 horas da última terça-feira (31), ele não havia respondido.
CINTADAS
Não é a primeira vez que Formighieri causa fortes emoções nos alvos de sua corrosiva verve. Certa ocasião, Leonaldo Paranhos tirou o cinto da calça ao encontrar o empresário e partiu para cima, momento em que precisou ser contido pela turma do “deixa disso”.
Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente
pitoco@pitoco.com.br
