Manifesto de lideranças e entidades estrutura plano para o desenvolvimento da região até 2040

O Oeste do Paraná deu um passo estratégico rumo às próximas décadas com o lançamento do “Manifesto Ambição Regional: Pela Liderança Global em Conhecimento e Tecnologia Agregada às Proteínas”, iniciativa do Programa Oeste em Desenvolvimento (POD). A assinatura do documento ocorreu durante o Show Rural e reuniu líderes empresariais e representantes do governo do Estado. O movimento projeta o avanço econômico e sustentável da região até 2040, com foco na agregação de conhecimento e tecnologia à sua principal vocação produtiva.
O manifesto destaca que o Oeste já parte de uma base sólida: é uma das maiores regiões produtoras e exportadoras de proteína do mundo, com cadeia produtiva estruturada, forte cooperativismo e associativismo, agronegócio consolidado, universidades, parques tecnológicos, ecossistema de inovação ativo e governança multissetorial articulada pelo POD.
Para falar mais sobre o assunto, o Pitoco recebeu o presidente do POD, Alci Rotta Junior, que explicou a iniciativa e detalhou o Ambição do Oeste. Confira a íntegra da entrevista.
Como surgiu o plano Ambição Regional?
Alci Rotta – O Programa Oeste em Desenvolvimento nasceu há pouco mais de 10 anos, a partir da forte cultura associativista do Oeste do Paraná, liderada especialmente pela Caciopar.
Junto com o Sebrae, a Amop, universidades, parques tecnológicos e associações comerciais, criamos o POD como um elo entre o poder público e a iniciativa privada.
Há cerca de três anos fizemos uma missão técnica a Israel. Lá entendemos como educação, inovação e tecnologia transformaram um território muito parecido com o nosso em extensão e em tempo de desenvolvimento. Israel tem pouco mais de 70 anos e área semelhante à do Oeste, mas possui um PIB 17 vezes maior. Isso nos provocou a pensar: o que podemos fazer para dar um salto semelhante?
Foi assim que nasceu a nossa Ambição Regional: transformar o Oeste do Paraná em líder global em conhecimento e tecnologia agregados à proteína.
Por que a palavra “proteína” se tornou central nesse projeto?
Alci Rotta – Porque essa é a vocação da nossa região. Produzimos grãos que alimentam aves, suínos, peixes e bovinos. Essa matéria-prima é transformada pela agroindústria em proteína animal, destinada tanto ao mercado interno quanto à exportação.
Porém, queremos sonhar um pouco mais alto e incluir a inovação e a tecnologia em toda essa cadeia. E aí nasceu essa nossa diretriz, a nossa Ambição Regional: transformar o Oeste do Paraná em líder global em conhecimento e tecnologia agregados à proteína.
Paralelo a isso, nós também começamos a analisar que, se a gente não melhorar a educação, dificilmente vamos conseguir atingir essa ambição.
Quando se fala em produto de valor agregado, é o caso, por exemplo, do Whey Protein, proteína extraída do leite, que custa R$ 300 o quilo. É disso que se trata: agregar valor ao produto?
“Israel tem pouco mais de 70 anos e área semelhante à do Oeste, mas possui um PIB 17 vezes maior. Isso nos provocou a pensar: o que podemos fazer para dar um salto semelhante?”
Alci Rotta – Sem dúvida. Em toda a
cadeia da proteína, de alguma forma, a
gente pode incluir inovação e tecnologia. E você citou um exemplo muito clássico.
Hoje existe uma tendência de saudabilidade, de boas práticas físicas. O litro de leite tem um valor relativamente baixo. Se você colocar um pouco de tecnologia, esse valor já salta para números
estratosféricos.
Eu estava no mercado e vi um litro de leite por pouco mais de R$ 3. Quer dizer, se vivermos somente de commodities de baixo valor agregado, é desafiador, principalmente quando olhamos para nossa infraestrutura e os custos de transporte.
Esse modelo nos trouxe até aqui, mas agora precisamos dar um passo adiante. Esse é o nosso principal desafio daqui pra frente. Criamos um grupo de trabalho, chamado GT da Ambição Regional.
Mas não temos a pretensão de deixar de produzir farelo ou vender litro de leite. Negativo. Queremos agregar valor ao que já sabemos fazer muito bem.
O principal ativo do Oeste são os 60 mil produtores rurais que trabalham de sol a sol, de segunda a segunda, produzindo de forma exemplar. Não pretendemos reinventar a roda. A região tem essa vocação e precisamos incentivá-la, trazendo soluções para melhor qualidade de vida e maior rendimento.
Essa ambição tem relação com aquelas proteínas modificadas ou artificiais?
Alci Rotta – Não. Inclusive, em Israel, visitamos a Steakholders Foods, que produz proteína artificial, “carne impressa”. Hoje, tem custo alto. Há três anos custava mais de mil dólares o quilo. Falam que, em 2035, poderia chegar a menos de 10 dólares o quilo. Mas não é, de forma alguma, substituir a produção de grãos e proteína animal.
A proteína constituída é uma inovação?
Sim. Tem público? Tem. Mas é um nicho. Pode chegar a 5%, 10%, 15% do mercado… O nosso negócio aqui já é produzir grãos e transformar em proteína animal. O que queremos é incluir inovação e tecnologia nisso.
Vamos pôr um calendário aí. Como vocês distribuíram as ações?
Alci Rotta – Trabalhamos de forma estreita com parques tecnológicos, universidades e com o Sebrae. Dentro das câmaras técnicas e do GT da Ambição Regional, esse tema vira prioridade.
O Iguaçu Valley, nossa Câmara de Inovação e Tecnologia, é uma âncora desse projeto. Já foi considerado o ecossistema consolidado mais organizado do Brasil pela CNI e pelo Sebrae. É um grande ativo do Oeste.
Eles têm um evento chamado Link, em Medianeira, onde empresas apresentam seus gargalos e solucionadores, que são micros e pequenas empresas, autônomos e empresas de tecnologia, e propõem soluções. Isso já é a Ambição Regional na prática.
A inovação transversaliza todos os temas: energia, infraestrutura, empregabilidade, sanidade animal, pequenos negócios, educação. O POD é um grande catalisador de demandas regionais.
Você falou em empregabilidade…No tempo pré-mecanização da agricultura, falavam que a mecanização geraria desemprego. Não foi o que aconteceu. A tecnologia interferiu positivamente. É preciso estar atento a essas tendências?
Alci Rotta – Sem dúvida! A evolução da energia renovável vai ser algo absurdo nos próximos anos. A tecnologia e a inovação vêm para ajudar. É impossível, em pleno 2026, não incluir inovação e tecnologia no médio e longo prazo. Elegemos esse tema como prioridade. Precisamos estar atentos às tendências e incluir isso na nossa estratégia regional.
Qual é o papel que o poder público tem nisso?
Alci Rotta – O Programa Oeste em Desenvolvimento só teve essa envergadura em pouco mais de 10 anos graças à participação do poder público. É um grande parceiro em todas as esferas. Cito o exemplo da sanidade animal. Foi um trabalho conjunto entre poder público e iniciativa privada. Conseguimos colocar o Paraná como livre de febre aftosa sem vacinação. Isso abriu mercados como Japão e Europa, agregando valor às exportações.
O poder público tem um papel fundamental. Tudo passa pela política. Se não construir junto, não avança. Tenho muito orgulho de participar desse movimento porque ele entrega resultados concretos.
“O nosso negócio aqui já é produzir grãos e transformar em proteína animal. O que queremos é incluir inovação e tecnologia nisso.”

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LÍDER GLOBAL
Oeste traça rota para ser referência em inovação e tecnologia na cadeia de proteínas
Uma estratégia ousada e estruturada com um objetivo claro: transformar o Oeste do Paraná em referência mundial em inovação e tecnologias agregadas à cadeia de proteínas até 2040. Esse é o objetivo do Manifesto Ambição Regional, lançado durante o Show Rural 2026 por líderes dos mais diversos setores.
“A Ambição Regional não nasce do zero, ela nasce daquilo que já somos e da convicção de que podemos ir além”, destaca o documento, reforçando que a proposta não rompe com a essência produtiva da região, mas busca elevar seu valor agregado.
Quem conduziu a leitura do manifesto durante o ato foi o vice-presidente do POD (Programa Oeste em Desenvolvimento), Clédio Marshall, que assume a coordenadoria desse novo projeto. Segundo ele, o caráter mobilizador da iniciativa sintetiza uma visão de futuro construída de forma colaborativa, ancorada nas potencialidades já consolidadas no território e na convicção coletiva de que é possível avançar
ainda mais.
No ato do lançamento, o manifesto obteve apoio de mais de 25 entidades regionais e estaduais, dentre elas Caciopar, Fiep, Fecomércio e Sebrae, cooperativas de crédito, cooperativas agropecuárias, Unioeste, conselhos estaduais e regionais, além de iniciativas privadas.
DESAFIO MAIOR
Por ser uma grande produtora de proteínas, a região enfrenta um paradoxo: depende fortemente de tecnologias importadas em várias cadeias produtivas, especialmente nas áreas de genética, manejo, análises laboratoriais e equipamentos industriais.
É justamente aí que a Ambição Regional pretende operar sua maior transformação. O objetivo de longo prazo é que o Oeste do Paraná deixe de ser apenas um grande exportador de commodities proteicas para se tornar também um polo gerador e exportador das tecnologias que movimentam essa cadeia.
Em outras palavras: produzir aqui o conhecimento, os equipamentos e as soluções que hoje são comprados de outros países, e passar a exportar essa inteligência para o mundo.
Grupo de Trabalho da Ambição
O POD criou um Grupo de Trabalho específico para a Ambição Regional, coordenado por Clédio Marshall. O GT já elaborou um plano estratégico com metas claras para cada fase e inicia agora a mobilização das instituições e da sociedade para tirar o manifesto do papel. “A Ambição Regional não é um documento para ficar na gaveta. É um compromisso público com o futuro. O Oeste já é gigante na produção. Agora vamos construir juntos o caminho para sermos gigantes também na criação do conhecimento e da tecnologia que movimentam essa cadeia”, resume Marshall.

Destaques do manifesto
AMBIDESTRIA ESTRATÉGICA
A nova ambição não substitui a agenda atual do POD, mas a complementa. O conceito de “ambidestria estratégica” guia o planejamento: a região seguirá fortalecendo sua produção enquanto constrói, paralelamente, as bases para a liderança em inovação. O foco em tecnologia abrange toda a cadeia de valor das proteínas, não apenas a produção primária.
PRIORIDADE ABSOLUTA
Para o POD, não há liderança global sem educação de qualidade. Por isso, a educação é a prioridade número um da Ambição Regional. A Câmara Técnica da Educação do POD inicia o planejamento para adequar currículos e formações às metas da região, com educação cidadã e empreendedora.
GOVERNANÇA MULTISSETORIAL
A iniciativa é guiada por uma governança compartilhada e suprapartidária. Os princípios norteadores incluem:
Decisões baseadas em dados, ciência e educação
Sustentabilidade integral (ambiental, social e econômica)
Integridade e transparência
Colaboração entre setores para alinhar esforços e fomentar inovação.
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VOLTA POR CIMA NA COSTA OESTE
Municípios banhados pelo reservatório de Itaipu iniciam novo ciclo de planejamento para retomar o protagonismo turístico

Com a queda no fluxo de visitantes e a perda gradual de protagonismo regional percebida nos últimos anos, a Costa Oeste do Paraná inicia um movimento estratégico para reconquistar turistas e revitalizar seus balneários. As sete prainhas que chegaram a recepcionar 500 mil visitantes na alta temporada, perceberam a redução de público se acentuar especialmente após a forte estiagem que assolou o Paraná entre 2019 e 2020.
Para dar a volta por cima, o Consel lho dos Municípios Lindeiros ao Lago de Itaipu deu início a um estudo técnico que pretende redesenhar o posicionamento turístico da região e resgatar o dinamismo econômico que marcou o auge das temporadas de verão. Segundo o presidente do Conselho, Antônio França Benjamin, prefeito de Medianeira, a proposta vai além de ações pontuais. Trata-se de um diagnóstico aprofundado das potencialidades da orla do lago, com foco em planejamento de médio e longo prazo.
RAIO-X DA REGIÃO
O estudo em andamento, em parceria com Itaipu, funciona como um verdadeiro “raio-x” da região. Antônio França afirma que a intenção é compreender, com base técnica, quais fatores levaram à redução no número de visitantes e quais caminhos podem recolocar a Costa Oeste como destino competitivo. Há cerca de 10 a 15 anos, os balneários especialmente Santa Helena – registravam lotação máxima durante o verão.
A abertura da temporada contava com grandes shows nacionais e atraía público de toda a região Oeste e até de outros estados. A movimentação impulsionava comércio, serviços e gerava impacto econômico
significativo.
Com o passar do tempo, no entanto, esse cenário mudou. Entre os fatores apontados estão o período de estiagem, que comprometeu o nível da água e a atratividade das praias artificiais, a redução de investimentos estruturais e a mudança no perfil do turista, que passou a optar com mais frequência pelo litoral tradicional.
“É perceptível que houve uma queda”, afirma o presidente do Conselho, que estima em pelo menos 30% de redução no número de visitantes. “Agora, precisamos de dados técnicos para entender exatamente o que aconteceu e por onde devemos começar”.
A corretora Manuela Bernardi mora em Cascavel e acompanhou o auge do turismo em Santa Helena. E, hoje, é uma dos turistas que já não movimentam mais a prainha, mas por mudança no estilo de vida, revela. “Antigamente, eu tinha mais amigos que iam ao balneário. No Carnaval, os blocos eram mais ativos. Hoje, quase nem vou, mas porque minhas prioridades mudaram”.
NOVO HORIZONTE
Se depender da articulação política e do planejamento em curso, a Costa Oeste pode iniciar, já no próximo verão, umanova fase.
A região que já foi conhecida como o “litoral do interior”, detentora de praias de água doce e próprias para banho, busca agora um reposicionamento estratégico, moderno, estruturado e sustentável.
Neste primeiro momento, enfatiza França, mais do que recuperar números, a meta é reconstruir a experiência turística e devolver à Costa Oeste o protagonismo que marcou sua história.
O trabalho está sendo conduzido de forma conjunta entre os municípios lindeiros e Itaipu, com apoio técnico e articulação institucional. A expectativa é que o estudo esteja concluído ainda no primeiro semestre, permitindo o anúncio das primeiras diretrizes de ação para a próxima temporada de verão.

Investimentos e prioridades
A criação e a estruturação dos balneários na Costa Oeste com vistas à atração turística foram financiadas pelos royalties de Itaipu, que são pagos aos municípios atingidos pela barragem da usina.
Entretanto, o presidente do Conselho dos Lindeiros, Antônio França Benjamin, explica que, nos últimos anos, parte desses recursos foi redirecionada para outras áreas consideradas prioritárias pelos municípios, como infraestrutura, incentivo à produção agropecuária e logística.
Agora, o debate retorna ao turismo como vetor estratégico de desenvolvimento regional.
Contudo, a retomada passa por uma análise técnica criteriosa: “Não podemos agir por achismo. Precisamos de indicadores, dados e planejamento para garantir assertividade”, reforça França.

Apostando no ecoturismo

Para a temporada 2025/2026, o balneário de Porto Mendes, em Marechal Cândido Rondon, apostou no ecoturismo, alinhando esporte, lazer, cultura e negócios para aquecer toda a cadeia econômica do Município, da sede ao distrito.
Com ações mensais, foram preparadas mais de 20 atrações, garantindo fluxo constante de visitantes, ocupação no comércio local e visibilidade para atletas e entidades parceiras.
Paralelamente, o município trabalha em um projeto preliminar para licitar um pacote de investimentos de médio e longo prazo, estimado em R$ 10 milhões, contemplando qualificação estrutural do parque.
Segundo o secretário de Desenvolvimento, Claudio Köhler, o terminal turístico vive um dos seus melhores momentos, graças aos investimentos e às ações adotadas.
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Piranhas: informação para evitar alarmismo

Outro tema que ganhou repercussão neste verão é o registro de ataques de piranhas em alguns balneários da Costa Oeste. Segundo levantamento divulgado no fim de janeiro, foram registrados 194 episódios neste verão, concentrados em poucos pontos específicos.
O Conselho dos Municípios Lindeiros acompanha a situação em conjunto com equipes técnicas e reforça que não há, neste momento, preocupação entre os gestores e que esses episódios não afetam o turismo. A orientação é investir em informação qualificada para evitar que o imaginário popular – alimentado por filmes e mitos – gere receio desproporcional e afete o fluxo turístico.
NOVA ESPÉCIE
Segundo a bióloga Caroline Henn, da Divisão de Reservatórios da Itaipu Binacional, o cenário está longe de indicar risco ambiental ou ameaça ao turismo.
Atualmente, três espécies de piranha são registradas no reservatório do Rio Paraná. Duas delas são nativas e a terceira espécie, identificada por volta de 2020, é originária da Bacia do Tocantins e provavelmente foi introduzida de forma irregular, com o despejo de aquários residenciais no ambiente natural.
Apesar de exótica, essa nova espécie é muito semelhante a uma das já existentes no lago e, até o momento, não provocou alteração no equilíbrio ambiental nem aumento relevante de ocorrências.
E OS “ATAQUES”?
Os chamados “ataques” ocorrem, na maioria dos casos, durante o período de reprodução. Na piracema, que vai de 1º de novembro a 28 de fevereiro, a piranha constrói ninhos nas margens do reservatório, justamente nas áreas frequentadas por banhistas. E, para proteger o ninho, o peixe reage de forma defensiva, com mordidas, geralmente superficiais. A maioria dos exemplares encontrados nas prainhas mede até 20 centímetros e pesa cerca de 200 gramas.
“Não se trata de comportamento agressivo, mas defensivo. Elas não saem atacando pessoas. O que ocorre é proteção do ninho”, esclarece Caroline.
EQUILÍBRIO
O monitoramento da pesca ocorre há quatro décadas no reservatório, abrangendo cerca de 230 quilômetros do Rio Paraná, entre Foz do Iguaçu e Guaíra, além de trechos mais ao norte. Somente na pesca profissional são registradas 83 espécies de peixes, e, no Canal da Piracema, já foram identificadas 187 espécies, indicador de alta biodiversidade e boa qualidade ambiental. Grandes predadores naturais, como dourados e pintados, além da competição com outras espécies, ajudam a manter o equilíbrio ecológico.
A presença estável das piranhas também é um indicativo positivo. Segundo a bióloga, a manutenção da diversidade de espécies demonstra que o reservatório apresenta condições ambientais equilibradas.
O desafio, portanto, não está em eliminar a espécie, mas em informar corretamente a população e adotar medidas preventivas simples, como evitar margens do lago com plantas aquáticas.
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PAROU POR QUÊ?
O gesto de um triatleta sob o veneno da cobra paralisou a plateia na barragem do Lago Municipal de Cascavel

Nos familiarizamos com o termo fair play no futebol. Guardo em minhas memórias lances como daquele boleiro que “desperdiçou” um pênalti de forma proposital por entender que o lance original não caracterizou penalidade máxima, ou seja, o juiz errou.
Outro lance em que o atacante, cara a cara com o goleiro, parou a jogada ao perceber que o goleiro estava contundido. Agora, nos jogos Olímpicos de Inverno, na Itália, um atleta sul-coreano se deslocou até a comitiva da Coréia da Norte para um selfie. É gesto de mais nobre espírito esportivo e de profundo significado simbólico que nenhuma ditadura foi capaz de impedir.
Algo parecido ocorreu em Cascavel no último dia 15 de fevereiro, durante o Sprint Triathlon Veneno da
Cobra, promovido pela Velho Oeste Eventos.
Tive a felicidade de gravar a cena, reproduzida aqui na coluna. Barragem do lago, últimos 200 metros da prova que incluiu bike, natação e corrida. Ali desponta o atleta multicampeão londrinense Francisco Luiz Viana Neto.
Quando o locutor já dava Viana como vencedor da prova, o atleta para de correr a menos de 10 metros da chegada. Todos observam a cena, e alguns até dizem: “vá adiante, a chegada está logo ali”. Alguém poderia ter acrescentado: “vá lá e garanta o primeiro colocado, o prêmio em dinheiro é maior…” Viana permaneceu parado. Ele aguardava a chegada do 2º colocado, o cascavelense Gustavo Wiebelling.
Havia uma razão para aquilo que somente o fair play poderia traduzir. O líder percebeu que o cascavelense havia, por engano, feito uma volta a mais na modalidade bike.
E considerou injusto que perdesse a prova por tal fato. Então permitiu que Gustavo o ultrapassasse a 10 metros da chegada. “Foi surreal e emocionante”, disse Luciano Carvalho, organizador da prova.
O gesto demonstra que mesmo gente muito competitiva, que quer ganhar sempre, característica soldada a ferro e fogo no DNA dos triatletas, pode ser capaz de lances que entram para a história do esporte por um ato de grandeza.
O segundo colocado, nesse caso, merece um lugar tão alto no podium como o primeiro. Ali tínhamos o campeão de fato e o campeão moral. Somente o esporte é capaz de elevar sapiens a esse nível.


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CASCAVEL NO MAPA DOS “TITÃS”
Potência multibilionária do segmento automotivo escolhe o Grupo Open, de Cascavel, para representar a campeã chinesa de vendas

Quando a família Urio pôs os pés e o CNPJ em Cascavel, 25 anos atrás, não poderia imaginar que um dia estaria rivalizando com as grandes concessionárias da capital do Estado.
Um desses grupos curitibanos tem 70 anos de estrada, revende 12 marcas distintas de carros, motocicletas e caminhões. O outro gigante da capital representa 27 marcas e vendeu mais de 1 milhão de veículos ao longo de três décadas.
A Open Veículos, com suas 10 lojas, teria como fazer frente a essas corporações para representar no
Oeste do Paraná uma das marcas mais cobiçadas entre as concessionárias do País? Foi exatamente o que aconteceu. Invertendo uma lógica adotada até aqui pelos titãs da indústria automobilística chinesa, de credenciar na região de Cascavel as grandalhonas de Curitiba, a Geely promoveu a concorrência para designar quem representaria a marca aqui e a vencedora foi a Open, lideradapelo empresário Marcos
Urio.
Mas quem é a Geely para gerar tamanha disputa por representá-la? Ninguém menos que a fabricante de Volvo, Lotus, Polestar, Smart e Zeekr, entre outras. Hoje, a Geely é vice-líder do maior mercado do planeta, a China, atrás apenas da BYD e por pouco, em uma espécie de “empate técnico”.
“Somos muito focados no pós-vendas, em acompanhar o cliente em toda a sua experiência e trajetória com o veículo”
Com o credenciamento do Grupo Open, Cascavel passa a contar com uma representação oficial do veículo mais vendido na China em 2025: o Geely EX 2, modelo que foi colocado à venda no Brasil no último trimestre do ano passado e já passou a ocupar o podium entre os três elétricos mais vendidos.
“Só não vendeu ainda mais porque o primeiro lote do EX 2 se esgotou rapidamente. Agora, está a caminho o segundo lote e a Geely deverá abrirum sistema de pré-venda para conseguir atender a todos os clientes interessados”, diz Marcos Urio.
POR QUE A OPEN?
Quais foram, afinal, os fatos determinantes para a Geely optar pela Open? Um deles é o longo vínculo da família Urio com a Renault, parceira da montadora chinesa no Brasil.
A Geely adquiriu 26% da francesa aqui e passará a produzir seus veículos em São José dos Pinhais, na
fábrica da Renault. A parceria Renault/Geely, de cara, já supre a rede de assistência técnica dos chineses no Brasil.
Marcos Urio representa a Renault há um qiarto de século. Expandiu a marcana região, onde mantém
nas lojas em Cascavel, Foz do Iguaçu e Toledo. E foi além: a Open é hexacampeã. Por seis vezes, foi escolhida a melhor concessionária Renault do Brasil. “Tive a oportunidade e o privilégio de ir duas vezes a Paris para receber os prêmios”, relata Urio.
A Open foi premiada por desempenho de vendas, melhor lugar para trabalhar, cuidados ambientais e multicampeã em pós-vendas. “Somos muito focados no pós-vendas, em acompanhar o cliente em toda a sua experiência e trajetória com o veículo”, enfatiza o empresário.
A TRAJETÓRIA
2001 foi o ano da odisseia da família Urio em Cascavel. Marcos Urio e a esposa Claudia deixaram Francisco Beltrão e se estabeleceram aqui. “Minha esposa ajudou a montar a empresa, sou muito grato a ela”, enfatiza o empreendedor.
O desempenho em Cascavel chamou a atenção do comando da operação em Curitiba, e logo a Renault, sob comando da Open, expandiu-se para a fronteira e para a vizinha Toledo.
Em 2010, as japonesas entraram no portfólio dos Urio, no caso, as camionetes da Mitsubishi. Cinco anos depois, foi a vez de os coreanos da Hyundai elegerema Open para representá-los na principal cidade do Oeste do Paraná. A expansão seguiu para além do Oeste, e hoje o grupo representa essas marcas também em Francisco Beltrão, Campo Mourão e Umuarama.
E agora, no lance mais ousado do grupo nos últimos anos, a parceria com a Geely, põe Cascavel no mapa da China.
A chegada da Geely ao portfólio torna possível traduzir o próprio nome do grupo, Open, e dizer que se abrem inúmeras possibilidades para os poliglotas cascavelenses que já falavam francês, japonês e coreano, passando agora também a decifrar os ideogramas do mandarim, idioma do “Planeta China”, maior polo tecnológico da indústria automobilística mundial.
DEPOIMENTO
Exemplo do pai
“Minha família, em especial meu pai, levou aos quatro filhos ensinamentos que atravessam o tempo: fazer a coisa certa, construir bons relacionamentos, entregar o combinado, respeitar os colegas de trabalho, os prestadores de serviço e os fornecedores. Talvez por essa razão, não temos inimigos e raríssimas demandas judiciais ao longo desses 25 anos. Meu pai ensinou também a acompanhar os números de perto, a decifrar a contabilidade, a conhecer as margens. Nunca retiramos um centavo de lucro, sempre reinvestindo no negócio. A opção da Geely pela Open, de alguma forma, reflete esse conjunto de resultados e valores que trazemos de casa”, revela Marcos Urio.
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ENVELHECER BEM
Evento inédito no Oeste paranaense, o 1º Summit da Longevidade propõe novo olhar sobre o envelhecimento e oportunidades

O envelhecimento deixou de ser um tema restrito à saúde e passou a ser um desafio social, econômico e humano.
É com esse olhar que a Balsamo, residencial sênior instalado há 12 anos em Cascavel, promove o 1º Summit da Longevidade, evento inédito no oeste do Paraná que coloca em pauta um dos temas mais urgentes da atualidade: o envelhecimento da população e seus impactos sociais, econômicos e comportamentais. O encontro traz especialistas internacionais e ocorrerá nos dias 19 e 20 de março, na Acic (Associação Comercial e Industrial de Cascavel).
Idealizado por Hayde Graziele Fernandes,fundadora da Balsamo e especialista em gerontologia, o Summit nasce com o objetivo de ampliar a discussão sobre longevidade para além da doença, abordando desafios, medos, qualidade de vida e, principalmente, oportunidades. “O Summit não visa falar de patologias, mas entender o envelhecimento como uma pauta da sociedade, com demandas sociais e econômicas”, destaca.
CENÁRIO MUNDIAL
A programação reúne profissionais de destaque no cenário nacional e internacional, incluindo convidados europeus, que trarão experiências de países já preparados para essa transformação demográfica.
Um dos focos será a chamada economia prateada, debatendocomportamento de consumo, acessibilidade, comunicação adequada e como empresas e o comércio podem – e devem! – se preparar para atender esse público em crescimento.
PÚBLICO-ALVO
O Summit é voltado a profissionais da saúde, gestores, empresários, estudantes, formuladores de políticas públicas, idosos e familiares. Temas como acessibilidade, direitos, políticas públicas, prevenção em saúde e inovação em serviços também estarão em pauta.
Com uma proposta educativa, prática e provocativa, o evento busca abrir espaço para reflexões que já não podem mais ser adiadas: “Falar sobre envelhecimento é falar sobre o futuro de todos nós”, ressalta Hayde.
Para mais informações e fazer as inscrições, há um link na bio do perfil no Instagram @balsamogileadecvel e pelos telefones (45) 3306-2498 e (45) 99104-0897.
Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente
pitoco@pitoco.com.br
