O vinho servido ao pedreiro é o mesmo do fazendeiro; paleta de cores da planta genérica da Prefeitura avalia imóvel de R$ 500 mil como se valesse R$ 15 mil

O pedreiro Juarez Silva mora nas franjas da região Norte de Cascavel, em um modesto imóvel nas vizinhanças do distante Riviera. Ele não comprova baixa renda para isenção do IPTU. E na paleta de cores que define a planta genérica de valores, a casa dele está na região de cor vinho.
O fazendeiro Juarez Berté mora do outro lado da cidade, no Portal do Vale, elegante condomínio de chácaras no Parque Verde. Não é somente o primeiro nome que o liga esses dois personagens. É a cor no mapa. O imóvel do Berté também surge na cor vinho na planta genérica do município.
Traduzindo: pela planta genérica de valores, o imóvel do pedreiro e do fazendeiro tem o mesmo preço para efeito de cálculo do IPTU: R$ 54, 00 o metro quadrado. Para entender a dimensão da defasagem, vale dizer que o valor real de mercado do metro quadrado no condomínio do Berté passa de R$ 2 mil. Mas está avaliado em R$ 54 na planta genérica da Prefeitura.
“Alguns imóveis estão pagando IPTU em Cascavel sobre um patamar que corresponde a apenas 3% do valor real de mercado”, explica o secretário Tales Riedi. Em outras palavras: imóvel que vale R$ 500 mil está cadastrado na Prefeitura como se valesse R$ 15 mil, e sobre esse patamar incide o cálculo do IPTU.
Desde 2014 o município não revisa valores. Áreas que receberam pesados investimentos públicos e com isso valorizaram muito acima da média, como o Condomínio Treviso, na Porção Oeste, aparecem na cor marrom na planta genérica. Essa cor indica que o terreno lá vale míseros R$ 81,00 o metro. Sobre esse parâmetro calcula-se o IPTU.
MUDANÇAS EM 26
As distorções começam a mudar em 2026, mas em ritmo lento, com 20% de reajuste no valor dos imóveis, caso o projeto enviado à Câmara pelo Executivo avance. Será necessária uma década para os terrenos chegarem a 70% do valor real de mercado na planta genérica da Prefeitura.
Qual será o impacto no bolso do contribuinte? Segundo Tales, ninguém terá um reajuste superior a 30% nos carnês distribuídos no próximo ano.
Outros municípios agiram mais rápido. Em Londrina, a atualização da planta já trouxe os imóveis para 95% do valor real de mercado. Lá paga-se R$ 816,00 de IPTU por habitante. Aqui, R$ 296,00. Londrina não é duas vezes maior que Cascavel. Mas arrecada quatro vezes mais IPTU.
“Buscamos com a correção da defasagem histórica, a isonomia legal e a justiça tributária, seguindo orientação do Tribunal de Contas, a exemplo do que estão fazendo também os demais municípios”, argumenta Tales.
A atualização dos valores de imóveis terá o condão de elevar a receita da Prefeitura em algo entre R$ 25,00 e R$ 30 milhões. E o desconto para quem quitar o boleto à vista sobe para 20%.

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Ratinho é o Paranhos hoje e Guto Silva o Renato amanhã?
Rolo compressor da Secretaria das Cidades põe prefeitos para correr e esvazia candidatura do senador Sérgio Moro ao Palácio Iguaçu

Quando a caneta transbordando tinta de Ratinho Junior assinou a nomeação de Guto Silva para a Secretaria das Cidades, em 25 de março deste ano, o recado estava dado: era como por outdoors em todos os municípios do Paraná com a mensagem, “Guto é o candidato de Ratinho ao governo do Estado”.
Havia muitos outros interessados, inclusive medalhões da política, como Rafael Greca, e gente que traz nas veias ambições vitalícias e hereditárias, como o presidente da Assembleia, Alexandre Curi, neto do “Guru” Aníbal.
A Secretaria das Cidades, que em outros tempos levou nomes diferentes, como “Desenvolvimento Urbano”, sempre foi a antessala do Iguaçu, pelo menos desde quando Roberto Requião ocupou o cargo por nomeação de Alvaro Dias, no final da década de 1980. O próprio Ratinho ocupou aquela cadeira, e de lá foi catapultado para o Iguaçu.
O secretário das Cidades tem uma formidável máquina de fazer votos nas mãos, com 399 prefeitos a lhe implorar alguns metros de asfalto, casas populares e obras de toda natureza.
Moro lidera
Definido Guto como candidato da situação, as pesquisas mostrando larga vantagem do senador Sergio Moro (União Brasil/PP), desafeto do governador. E põe vantagem nisso. Moro crava 47,5% das intenções na aferição mais recente da Paraná Pesquisas, contra 7,8% de Guto. Ou seja, o ex-juiz está no último parágrafo da sentença para levar no 1º turno. Entre os dois, a pesquisa realizada no mês passado encontrou o deputado estadual Requião Filho, com respeitáveis 28,8% dos votos, índice que aparenta ser o teto da esquerda no Paraná.
Agora Moro já pode vestir a camiseta da CBF e grasnar o “já ganhou?”. Longe disso. O rolo compressor de Ratinho Junior, ainda na etapa de aquecer motores, já fez estragos assombrosos na blindagem do ex-ministro do Bolsonaro.
CIRÃO AQUI
Moro poderá inclusive ficar sem um partido político para disputar a eleição. Nesta semana, o cacique do União Brasil/PP, Ciro Nogueira, que foi colega de ministério do ex-juiz no Palácio do Planalto, desceu para o Paraná com uma missão clara, segundo reportagem do jornal “O Globo”: “desfazer a candidatura de Moro e selar aliança com Ratinho Junior”.
“O pano de fundo da decisão é a debandada de cerca de 60 prefeitos que se desfiliaram do União/PP nos últimos meses e de dois deputados federais”, escreveu o jornalão carioca.
CONEXÃO BRASÍLIA
Ou seja, Guto e sua Bic obesa viraram a chave do rolo compressor e puseram prefeitos para correr da pré-candidatura de Moro. E a revoada de alcaides “ideologicamente” afinados com o Palácio Iguaçu assustou a cúpula nacional da federação que abriga Moro. O ex-juiz ainda tentou abrigar-se no Republicanos, que igualmente lhe fechou as portas, segundo “O Globo”.
Talvez restará a ele disputar a eleição por uma sigla nanica, com escassos recursos do Fundão Eleitoral e meros segundos no horário eleitoral de TV e rádio. O mais provável é que se recolha ao seu gabinete no Senado, onde tem mais cinco anos de mandato.
Não bastasse, gente graúda do Judiciário de Brasília, estranhamente, reabriu investigações na 13ª Vara Federal de Curitiba, de onde Moro comandou a Lava Jato. Coincidências?
EDGAR VÊ INCERTEZAS
Do alto de seus 77 anos, o ex-prefeito Edgar Bueno acredita que Ratinho Junior não terá espaço para disputar a presidência da República, e também irá recusar um mandato garantido de oito anos no Senado.
As declarações foram compiladas no Portal JRB News, do jornalista José Roberto Benjamim. “Pelo que eu soube, Ratinho Júnior não sai candidato nem à presidência, nem ao Senado”, disse.
Para o ex-prefeito, a entrada de Flávio Bolsonaro no páreo presidencial gerou “grande instabilidade”. “Metade do Brasil está com Lula, se a direita conseguir se organizar, podemos sonhar com mudança. Mas, daqui a pouco, é pior que o Lula”, disse.
Para o governo do Estado, Edgar acredita que o apoio de Ratinho será decisivo. “Quem o governador definir terá muita força. O Moro está em primeiríssimo lugar, mas a máquina ‘esmaga’ o Moro, e ele não ganha a eleição“.
PITACO DO PITOCO
Dizia-se por aqui, ano passado, que Paranhos elegeria um poste para sucedê-lo, dada sua popularidade e capacidade de transmitir seu ativo eleitoral.
Fala-se agora que Ratinho Junior terá a mesma condição em 2026. E que seu ungido, Guto Silva, é o Renato amanhã, ou seja, eleito pela força do padrinho.
Resta ainda combinar com as urnas, que, como sabemos, caminham no compasso da volatilidade de humor do eleitor.
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Milhões do Oeste

Cascavel passa a entender melhor os resultados de inserir seus “cobras” em áreas estratégicas da administração pública.
Um caso emblemático é o do “prefeito” da Assembleia, Gugu Bueno (foto). Tem a caneta do 1º secretário do Legislativo a “engorda” no orçamento oestino de 2026.
A região, e notadamente Cascavel, receberá o maior naco do governo do Paraná no próximo ano, mais de meio bilhão de reais, atrás apenas da região polarizada por Curitiba, e à frente de Londrina e Maringá.
Fluxo do dinheiro
O novo binário formado pelas ruas Flamboyant e JK está licitado. O fluxo na JK será no sentido Sul-Norte. O fluxo da Flamboyant, incluindo a frota de ônibus da rodoviária, seguirá o sentido inverso.
Já o dinheiro vai para os cofres da Petrocon, provável vencedora do certame, coisa de pouco mais de R$ 10 milhões.
Agora o “mercado das licitações” passa a disputar os R$ 38,4 milhões do Ecoparque Santa Cruz, peleia prevista para 22 de dezembro.
SÓ RINDO
Sujeito chega ao padre e pergunta:
O senhor acha correto alguém lucrar com o erro dos outros?
É claro que não, meu filho!
Então devolva o dinheiro que te paguei para fazer o meu casamento!
Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente
pitoco@pitoco.com.br
