Em meio a mensagens esotéricas, eleição para a nova diretoria do Sicoob Credicapital traz um nome exótico para o panteão de lideranças corporativas de Cascavel

O informativo da Acic, enviado por email para os associados no último dia 29 (terça-feira) trazia ao final uma mensagem publicitária, como de rotina. Mas era algo diferente, a anunciante era uma esotérica oferecendo consultas com “cartas de baralho cigano”, “magia natural” e “alinhamento de chakras”.
Talvez seja preciso recorrer ao esoterismo para decifrar todas as nuances ocorridas no último sábado (26), na sede da Acic, quando os delegados do Sicoob Credicapital foram às urnas para escolher a nova direção da cooperativa.
De um lado, em uma chapa que poderia ser considerada de “situação”, nomes tradicionais de Cascavel, incluindo três empresários que já haviam se sentado à cadeira de presidente da Acic, berço do Sicoob. Entre eles, Siro Canabarro, atual presidente da Acic, agora disputando a presidência da Credicapital.
Com uma composição assim, de lideranças tarimbadas na sociedade civil, estava fácil dizer: “já ganhou”. Abertas as urnas, surgiu um nome peculiar, raríssimas vezes pronunciado no mundo corporativo e associativo cascavelense: Gizelio. Gizélio, mas quem é Gizelio?
Gizelio Linhares encabeçou a chapa desafiante, e fez quase 70% dos votos. Não é trivial alguém sair numa sexta-feira de Laranjeiras do Sul, mantiga capital do Estado do Iguaçu, chegar à Capital do Oeste no sábado e se tornar presidente de uma cooperativa com 62 mil associados, administradora de ativo bilionário.
Caiu a última porteira? Veio ao chão a derradeira cidadela do Oeste? Zebra laranja? Que exagero! Já se percebia a força da oposição antes do pleito, inesperada apenas foi a diferença de votos.
FATIAMENTO
Atuando praticamente sob intervenção da Central de Maringá do Sicoob, a Credicapital viveu momentos angustiantes: ou resolvia questões administrativas ou poderia ser “fatiada” para coirmãs de Toledo, Foz do Iguaçu e Maringá. Seria o fim da cooperativa
cascavelense.
Assim, a atual gestão afiou a tesoura para cortar gastos. Estima-se que mais de 100 colaboradores foram demitidos e vários contratos revistos. Cortes dessa dimensão podem ser necessários, porém são impopulares. Isso ajuda a entender as dificuldades de quem foi entendido como “situação” em um bate-chapa.
A Acic saiu derrotada? Suco de laranja azedo servido para lideranças de Cascavel?
É relativo. O vice de Gizelio é o empresário cascavelense Dirceu Soligo, co-fundador do Sicoob Credicapital, voz ponderada, aglutinador. Figurinhas carimbadas da Acic, como Carlos Guedes, estão no conselho da diretoria eleita. É relativo…
PACTO DE SILÊNCIO
Ninguém da chapa vencedora topou conceder entrevista para esta reportagem. Para obter a foto que ilustra a capa foi uma batalha. “É hora de juntar os cacos”, disse um deles, sob a condição de anonimato. Ninguém entre os concorrentes postou o placar da eleição em redes sociais, nenhuma celebração ou martírio público.
Havia uma espécie de “pacto de não agressão” para preservar a instituição Sicoob Credicapital, que a propósito atua no azul, blindada pelas garantias da multibilionária central de Maringá, e não serão as nuances alaranjadas ou as cartas de baralho ciganas que irão interferir na indiscutível solidez dosistema.
PITACO DO PITOCO
Quando servi no Exército, aqui em Cascavel, denominava-se “Laranjeira” todo e qualquer recruta que viesse de outra cidade. Gizelio será visto por alguns como um legítimo “laranjeira”.
Caberá a ele fazer desse limão uma limonada. É uma conversa cítrica mesmo. Mas dialogando, compondo, aglutinando e principalmente, entregando frutos (resultados) no pomar do Sicoob, certamente obterá o apoio de todos os que entendem o papel central do cooperativismo de crédito em nossa comunidade.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Chico quintuplicou a meta
“Pagamos o preço do noviciado”, diz Francisco Simeão, idealizador do Ecoparque Bairros Integrados, ao anunciar que 43 prédios começam a sair do chão

Francisco Simeão mexeu novamente no calendário de implantação do Ecoparque Bairros Integrados, na área de 1 milhão de metros quadrados localizada na porção Oeste de Cascavel, mesmo local que abriga sua fábrica de prédios.
A perspectiva para início da construção dos edifícios agora é 1º de junho de 2025. Por outro lado, o calendário de entrega dos apartamentos acelerou. “Entregaríamos 240 apartamentos em 2026. No novo cronograma vamos entregar 1,2 mil unidades até maio do próximo ano”, disse Simeão ao Pitoco do último dia 16.
Segundo o empresário, a acelerada no cronograma se deve ao número de inscritos para viver no Ecoparque. “Já são 550 reservas”, disse.
Até dezembro de 2027, Simeão quer entregar 4,8 mil apartamentos distribuídos por 43 prédios entre 15 e 20 andares, constituindo uma “cidade dentro da cidade”, com mais de 16 mil moradores.
Pitoco – Agora vai?
Chico Simeão – Eu e meu sócio Luiz Bonacin acertamos no que temos experiência, construir a fábrica. Ela está pronta faz 18 meses. Erramos, pagamos o preço do noviciado, na aprovação do loteamento. Trata-se de um projeto disruptivo, inédito no mundo, tem suas complexidades. Só agora está destravando, um ano e meio parado, graças a Deus não pegamos financiamento prá fazer isso, senão estávamos loucos.
Os perrengues esfriaram seu ímpeto?
Nesse período de espera descobrimos erros no projeto, que agora está muito melhor. Estou mais feliz e animado, está perfeito, é um encanto. Uma família com renda de R$ 6 mil pode comprar um apê de 74 metros quadrados e morar em um belíssimo bairro planejado.
Quanto?
O apartamento de 74 metros com dois quartos sairá por R$ 481 mil, com 60% financiado pela Caixa e 30% com recursos próprios. O imóvel vem com cozinha planejada, fogão, armários embutidos, geladeira, micro-ondas, máquina de lavar e um condomínio incrível, com 50% de área verde e prédios ocupando apenas 3% da área total. É a excelência que não existe no mundo que queremos para Cascavel.
Qual foi o aprendizado?
A fábrica está pronta há um ano e meio com uma folha de pagamento de meio milhão de reais/mês. Tivemos muitos problemas para aprovar o projeto. E também por incompetência nossa, embora tenhamos enfrentado a má vontade de alguns, afinal tem concorrência agindo, isso é normal, nós empresários somos predadores, sem exceção.
E aqui na região?
Vamos priorizar áreas em que as cooperativas demandam habitação para seus funcionários. Não faz sentido buscarem mão de obra a 100 quilômetros de distância do frigorífico. Morar perto do trabalho é um jeito de enfrentar a alta rotatividade e escassez de mão de obra no setor.
Você esteve com dirigentes da Lar e da Frimesa, como evoluiu a conversa?
As cooperativas precisam de um programa habitacional. E podem apoiar o projeto, viabilizar nossa conexão com os trabalhadores. É uma política corporativa de dignidade para o colaborador, fidelização e retenção de talentos.

A ligação urbana do Ecoparque sem usar as rodovias 163 e 277 não existe… como faz?
Vamos pagar o projeto para nos conectar a Avenida das Torres e Avenida Brasil, ficaremos a 3 mil metros da Univel e 4 quilômetros da FAG ligados por duas pistas de 9 metros cada. O entorno dessas novas pistas comportam os melhores loteamentos da
cidade, vamos convidar os proprietários dessas áreas para uma parceria. Antes, porém, vamos tentar viabilizar um aporte do Governo do Paraná para a obra.
E se os vizinhos não forem parceiros?
Se não toparem uma “vaquinha” faremos um outro percurso, paralelo à BR 277, aí os vizinhos que se virem, saímos por outro caminho e eles ficam sem saída.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Assis Gurgacz reafirma seu interesse na Policlínica
Fettback, presidente da Unimed, diz estar otimista com autorização do CADE para aquisição do hospital

Movimentação no processo que avalia se a Unimed pode ou não adquirir o Hospital Policlínica de Cascavel. Um parecer prévio do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), órgão que atua para impedir a concentração de mercado, apontou que a aquisição pela cooperativa poderia gerar o descredenciamento de outros hospitais ou planos de saúde, afetando a concorrência.
“Não é verdadeiro que iremos descredenciar, haverá em breve a sentença por um colegiado de sete juízes do CADE, que provavelmente darão votos a favor da aquisição”, afirma o presidente da Unimed, Luiz Sergio Fettback (foto).
Consultado pelo Pitoco, o empresário Assis Gurgacz reafirmou que aguarda os desdobramentos e que mantém sua oferta para aquisição da Policlínica. O grupo que ele comanda já atua na área, com a gestão do Hospital São Lucas.
Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente
