O Presente
Silvana Nardello Nasihgil

A ditadura da aparência: quem está no comando?

calendar_month 12 de março de 2026
3 min de leitura

Aquilo que somos como seres humanos, ninguém rouba de nós, nem o tempo tem poder sobre isso.

Quando pensamos que somos um material estético que precisa de resultados dentro de um determinado padrão, estamos nos enganando terrivelmente, porque nisso o tempo não perdoa e é cruel com todo mundo.

Quando nos tornamos escravos do nosso físico, a mente e os sentimentos muito provavelmente estão tirando o foco da vida e dando lugar de honra ao ego.

Já conheci muita gente fora de todo o contexto da perfeição cobrada, que eram e são incríveis. Em contrapartida, já conheci pessoas perfeitas, que lutam dioturnamente pra estarem em um padrão de beleza que as faça desejadas. Nessa luta insana pela perfeição física, esquecem que a beleza se perde. Quanto mais foco se concentra no ter, menos condições de desenvolver o ser, ser alguém que faz a diferença para quem conhece e para o entorno.

O foco na perfeição da matéria faz com que se tornem pessoas “sem tempero”, sem conteúdo, perdendo a compreensão da realidade não sabendo mais o que é ser alguém de verdade.

É muito triste estar com alguém que não sabe falar outra coisa que não seja seus músculos, seus ganhos físicos, procedimentos estéticos, produtos de beleza, suprimentos… isso é cansativo demais!

É muito mais gostoso estar com alguém que saiba admirar as estrelas, que tenha sonhos, que ri alto, que conta as suas experiências, que te inclui na conversa e observa o que te faz bem.

É de gente de verdade que o mundo deveria ser feito. De gente que acolhe, que olha nos olhos, que se permite ser inteiro, que não tem medo e nem vergonha de ser como é, de gente que investe em conhecimento, que deseja agregar conteúdos, que não economiza nos elogios e sentimentos, que acredita em si, que se ama, se respeita e sabe se estender até os outros, de gente que se arrisca, que não se importa com julgamentos alheios, que sabe que viver e ser feliz está muito naquilo que se é como essência e não em padrões pré estabelecidos que uma cultura elegeu como perfeito.

Precisamos ser mais verdadeiros e coerentes, porque muita gente está sofrendo com as cobranças do ser humano perfeito, vindo daqueles que não conseguem enxergar além de si.

E com isso, aquilo que de melhor pode existir é maculado por exigências descabidas, cedendo ás pressões de um perfeito que está muito longe de ser o ideal da felicidade.

Quando a gente entende que ser alguém especial vai muito além do corpo que nos envolve, então entendemos tudo. Entendemos que a essência de cada ser humano é o que faz dele alguém especial, que abre espaços para amar e se permite ser amado. O que temos pode se perder em um piscar de olhos, mas aquilo que somos, isso ninguém poderá tirar de nos.

Por Silvana Nardello Nasihgil. Ela é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

@silnasihgil

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