Vivemos tempos difíceis, em que a educação e os limites, na grande maioria dos casos, deixaram de ser ensinados. Nessa desatenção, estamos criando uma geração que não sabe lidar com frustrações, que “precisa” ter tudo o que deseja e onde tudo lhes é dado nas mãos.
Muito desse novo comportamento está embasado na preguiça que muitos pais têm de ter o tempo de ensinar, de mostrar os caminhos, delimitar fronteiras, auxiliar na busca de conhecimento e autoconhecimento, de ouvir, conversar, brincar.…
Precisamos reavaliar como estamos conduzindo a criação e educação dos nossos pequenos, refletir o quanto os nossos comportamentos permissivos serão prejudiciais na fase adulta. Isso talvez faça com que se resolva dedicar mais tempo de qualidade e menos tempo nas redes sociais. Porque, convenhamos, isso está preocupante demais.
Outro dia, um adolescente me contou com muita tristeza que estar em casa nas férias é um grande sofrimento. Olha para os pais, busca conversar, mas eles não desgrudam os olhos do celular. Como ele, sem dúvida existe uma infinidade de crianças, adolescentes, jovens e até pares sofrendo do mesmo mal.
Vou fazer um pergunta básica e que diz muito: como a vida em família é conduzida no quesito estarem todos à mesa no mesmo horário para fazerem as refeições junto?
Parece uma pergunta sem sentido, mas a resposta dela nos diz muito de como essa família escolhe se excluir ao invés de se pertencer. Essa é uma das inúmeras coisas que vem acontecendo e que transforma a família em pessoas que moram na mesma casa, conhecidos, com poucos vínculos verdadeiros.
Diante disso e tantos outros comportamentos, já passou da hora de avaliarmos como estamos conduzindo a nossa história. Ainda dá tempo de mudarmos o rumo das coisas e buscar fortalecer os vínculos. Ainda dá tempo de escolher amar com qualidade, amar de verdade, ensinar, ouvir, falar, estar presente, partilhar a vida e deixar um pouco de lado aquilo que nos afasta de nós e de quem amamos.
Por Silvana Nardello Nasihgil. Ela é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)
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