
Tempos difíceis… tempos de desesperança, inseguranças, medos e angústias sem-fim.
Não sei se a facilidade com que tudo chega até nós ou se realmente vivemos tempos sombrios no qual somos colaboradores. Na dúvida, prefiro acreditar na segunda hipótese.
Sou de uma geração onde havia mais amorosidade, as famílias se pertenciam e se defendiam, havia respeito e limites, havia ética, confiança, e se crescia sob a proteção familiar e social.
Na minha época, mesmo sem toda essa tecnologia, posso dizer sem medo de errar: éramos muito mais felizes!
Quem é de uma geração passada, que tenha hoje 50+, teve a felicidade de viver e conviver com pessoas que se importavam umas com as outras, que tinham uma formação ética e procuravam ser felizes sem toda essa confusão dos tempos modernos.
Aí eu pergunto: onde estamos errando? Se o mundo avançou tanto, buscando facilitar a vida das pessoas com tanta tecnologia, o que é mesmo que não estamos entendendo?
A materialização e o desejo de ter e ter sem critérios vem tirando do ser humano a sua humanidade, diminuindo os sentimentos e as emoções e o transformando em matéria, produto gerado para criar sem limites.
Hoje, facilmente vemos bebês com um tablet como distração, distração essa usada por adultos para distrair o tempo e sobrar mais para si. Disfarçada de bem-estar, essa atitude sustenta um egoísmo que vai além do amor; volta-se para o conforto pessoal sem foco no futuro, mas no momento vivido como se não houvesse amanhã.
Vivemos a materialização de tudo e com isso a sensibilidade está se tornando comportamento difícil de ser aceito. Os “emocionados”, aqueles que ainda amam apreciar o por do sol, já são considerados esquisitos. Com isso, vamos apagando do mundo aqueles que ainda têm o que oferecer e que podem dar sentido ao viver.
O amor está virando mercadoria, a sexualidade objeto de prazer usado sem critério algum. Ética política e funcional, valores morais, comunitários e empatia em sentido amplo estão sendo entendidos como a “lei do mais forte”; quem pode faz, faz para si, quem não pode, não interessa, que lute.
Tudo se vende, tudo se compra, basta ter dinheiro e poder. O pior é que já estamos nos acostumando a enxergar o mundo desse jeito, pois não nos espantamos mais com muitos absurdos.
E aí?
Já refletimos sobre pra onde estamos indo ou só seguimos o fluxo sem querer saber onde iremos parar?
Já passou da hora da gente recomeçar, recomeçar primeiro por nós, avaliando as nossas atitudes, conosco e com a nossa família. Esse já é o maior recomeço. Sendo a família a célula mater da sociedade, talvez a nossa desatenção esteja permitindo que a sociedade entre em colapso enquanto assistimos sem nos dar conta.
Precisamos acordar do sono dos desatentos, buscando reorganizar e salvar a nós e os que amamos. Isso precisa determinação pessoal, desejo consciente de fazer a diferença, de construir células familiares saudáveis, onde hajam valores nobres e amor.
Só a nossa consciência poderá trazer mudanças, porque viver nesse automático a vida cada vez vai cobrar mais caro, um preço que não teremos como pagar. Esse preço será a destruição de tudo o que sonhamos que se perderá ao nos permitir perder o rumo.
Um sonho sem atitudes não se construi por mágica, ele é feito de entrega, sacrifícios, valores, determinação, foco e consciência. Esse é um projeto em que teremos que colocar todo o nosso desejo de fazer dar certo, temperado com muito amor.
Quem não acordar desse pesadelo e deixar a vida simplesmente acontecer não terá direito de reclamar de nada. Colherá os frutos que os outros plantarem com grandes possibilidades de virem estragados, espinhosos, amargos… e não terão e nem poderão reclamar. Porque essa é uma grande verdade que ainda insistimos em não ver.
Pra gente pensar!
Por Silvana Nardello Nasihgil. Ela é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)
silnn.adv@gmail.com
@silnasihgil
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