O Presente
Silvana Nardello Nasihgil

Para que viver no sofrimento se é possível ser feliz?

calendar_month 4 de julho de 2024
3 min de leitura

Nunca que eu me lembre vivemos tempos tão difíceis. As pessoas estão adoecendo emocionalmente e psicologicamente de modo acelerado e não conseguem compreender a razão.

Vivemos uma época de imediatismo, onde tudo é pra ontem, onde somos exigidos a dar até aquilo que não temos para podermos seguir em frente.

Essa dificuldade não está sendo vivida só pelos adultos; crianças e adolescentes vêm sofrendo dores da alma das quais nada conseguem compreender.

Será que não estamos vivendo de forma automática, deixando as emoções de lado?

Será que se nos déssemos ao capricho de pararmos um pouco, observarmos a vida, olharmos com os olhos do coração, a vida não seria mais suave?

Estamos invertendo valores, subestimando o lado emocional, normalizando absurdos e dificultando as coisas básicas e necessárias da vida. Estamos criando um escudo desnecessário, e ele tem servido para nos afastar uns dos outros.

Paramos de creditar nos nossos dias o acolhimento, escuta, partilha, fé e esperança. Com isso o amor está se desgastando, deixando de cumprir seu percurso, nos tornando seres do mundo e não mais donos de nós.

Hoje a sexualidade tomou posse das mentes e corpos até mesmo em tenra idade. Tudo se torna ganho e prazer. Sem critérios, vamos seguindo, suprindo os instintos e nos desconstruindo como seres humanos.

Muitas pessoas já não conhecem o amor verdadeiro. Com isso, perdem a referência de si, enxergam o corpo como instrumento de prazer e investem nele como veículo de sobrevivência.

Isso tudo deveria nos fazer refletir para onde estamos caminhando. Qual o destino das famílias, dos relacionamentos e do amor? Quando os espaços da realidade se estreitam e dão lugar a fantasias, achismos, desejos, competição e prazer, onde o ter importa mais que o ser, é hora da gente pensar aonde desejamos chegar.

Triste observar que muitas famílias não se pertencem mais. Sabe-se muito mais sobre a vida de um influencer, jogos virtuais, moda e da vida dos outros do que o básico sobre com quem convivem. Com isso, os projetos de vida consistentes deixam de existir, os sonhos perdem espaço e a fé é carregada para o abismo.

Uma hora precisamos dar uma parada para observarmos como estamos agindo, como está a nossa família, onde está o tempo de qualidade que estamos dedicando a quem supostamente amamos, quais os projetos que temos, individuais e com aqueles que partilham a vida conosco.

Estamos caminhando ou andando em círculos? Aonde mesmo desejamos chegar?

Diante de tanto caos sentido nos corações vazios, passou da hora de buscarmos o suprimento, de nos preenchermos de bons sentimentos, de deixarmos o achismo de lado e colocarmos atitudes consistentes, olharmos para o outro como alguém que importa, nos dedicando ao nosso eu interior e a quem, apesar da nossa bagunça, ainda insiste em ficar.

A falta de consciência da vida e do viver está arrastando as pessoas para caminhos inconsistentes, trazendo muito sofrimento, adoecendo fisicamente, emocionalmente e psicologicamente, e isso pode ser mudado, pode ser revisto e reeditado. Nisso cada um tem o direito de escolher como viver. Eu só penso: para que viver no sofrimento se é possível ser feliz?

Por Silvana Nardello Nasihgil. Ela é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

@silnasihgil

 
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