Fale com a gente

Silvana Nardello Nasihgil

Qual sua responsabilidade na desordem da qual se queixa?

Publicado

em

Essa frase é antiga, mas é absurdamente verdadeira!

Quem passa a vida culpando os outros pela bagunça que vive, pode até se livrar daquilo que o atormenta, mas terá grandes chances de repetir, repetir e repetir os mesmos comportamentos, seja onde for e com quem for.

Chega uma hora em que é necessário tomar responsabilidade sobre as próprias atitudes, observar onde se está contribuindo, no que se está favorecendo a desordem na qual está ancorada a queixa.

Não existe relação onde só um seja responsável por todo o sofrimento como também por toda a felicidade. Existem duas partes na história, e cada uma precisa aprender a responder pelas suas atitudes, reconhecer seus defeitos, baixar o tom da voz, escutar mais, acolher os medos, dúvidas, inseguranças e angústias do outro, serenar a mente e ouvir mais com os ouvidos e o coração.

Quando se usa a força das palavras para paralisar o outro, se está usando uma arma, de certa forma, letal. As palavras têm poder, muito poder, e uma vez ditas, não tem como recolher, como apagar; poderão ficar ecoando na mente e torturando quem as ouve, indeterminadamente.

Quem ofende normalmente esquece, mas o ofendido tem muita dificuldade em apagar o que o machucou.

Gente que resolve problema aos berros buscando todas as formas de ofender, magoar e diminuir o outro esquece que é humano, esquece que tem a palavra para se expressar e usa o que existe de mais primitivo, gritando insanamente para se fazer ouvir. É um hábito horrível, insano e infantil, que demonstra despreparo para a vida.

Impossível não conseguir considerar que podemos usar a palavra para buscar acertos, para edificar, para mudanças, para falar de si e perguntar sobre o outro.

A palavra nunca deveria ser usada para destruir e tornar a vida insuportável. Ela existe e nos diferencia dos demais seres vivos; é uma mediadora poderosa que precisa ser usada sem economia na busca do equilíbrio das relações.

Seja para se manter juntos ou para se afastar, o uso da palavra precisa ser considerado como necessário, pois só a palavra tem o dom de expressar verdadeiramente os sentimentos.

Mesmo que seja para resolver as situações mais sérias e inusitadas, pela palavra usada adequadamente, sem berros, com sabedoria, é possível terminar até uma guerra de forma educada e respeitosa. Evitam-se assim as baixas, e se preserva a dignidade.

E, por favor, nunca usem a desculpa: eu não consigo me conter. Consegue sim! Ô se consegue! Quem sabe ofender aos berros normalmente é quem se sente ofendido até mesmo com um olhar. Estranho, né?

Para pensar!

 

Silvana Nardello Nasihgil é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

 

 

Continue Lendo

Facebook