Gente, vamos acordar do sono da bela adormecida?
Se nos dispusermos a observar a vida, o nosso entorno, nem precisamos estender esse olhar para percebermos como estamos mudando.
Diante do caos que o mundo está se tornando, estamos permitindo nos desconfigurar.
Muito daquilo que nos movia deixou de fazer sentido; já não nos espantamos mais com inúmeras coisas que antes nos deixariam perplexos.
Se isso é bom? É um escudo de anti-sofrimento ignorar os detalhes da vida, se fechar na própria bolha e fazer de conta que assim nada poderá nos tocar.
A dor e o sofrimento do outro passaram a ser do outro e problema dele. Temos uma vida para dar conta e esse tem se tornado para a grande maioria um problema pessoal. Preferem levar a vida solo do que imaginar a responsabilidade se tocarem a vida de outra pessoa.
Isso não está só relacionado às notícias que lemos ou aquilo que vemos, distante de nós. Isso já começa a se instalar dentro de casa, no convívio familiar.
Cada um por si e que, de preferência, arranje um jeito de fazer dar certo. Que dilua o seu sofrimento em lágrimas ou tome remédios para dar conta, porque ninguém mais quer estar disponível, ninguém mais se permite sofrer a dor de ninguém.
O diálogo está escasso, a presença cada vez menor, o acolhimento está se resumindo a um abraço e ponto. A frase: conta comigo está perdendo o sentido, sendo usada como mera formalidade. A ideia de que cada um tem que cuidar da própria vida começa a ser um novo normal.
Estamos banalizando o existir, as ligações afetivas; criar laços e mantê-los já se torna sinônimo de responsabilidade que ninguém mais quer assumir.
Em resumo, estamos nos excluindo, ao invés de nos pertencer.
Esse tipo de comportamento está trazendo angústia, insegurança, desenvolvendo medos e se transformando em doenças emocionais, psicológicas e até físicas.
Precisamos repensar nossas atitudes, rever onde foi que decidimos que seria diferente e resolvermos para onde queremos ir.
Gente que deixa de ser empática, que por medo não se envolve em nada, que deixa de se importar com o sofrimento alheio, já deixou de ser humana, já mudou a configuração para o modo: o outro que se vire que eu cuido de mim.
Gente assim talvez nem se dê conta que excluindo os outros está excluindo a si mesma.
Quando a conta chegar, talvez não dê mais tempo daquele abraço, das palavras nunca ditas, do carinho que deixou guardado e de criar memórias positivas que podem ser o bálsamo para a existência.
Pra gente pensar!
Por Silvana Nardello Nasihgil. Ela é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)
silnn.adv@gmail.com
@silnasihgil
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