Não sei se vocês já perceberam a enxurrada de gente buscando se encaixar em algum diagnóstico.
Adultos vêm em redes sociais, criam até grupos que os avalizem nas suas particularidades, como se a exposição trouxesse benefícios e respostas que não conseguem encontrar por si só.
Ser TEA, ter TOD, TDAH se tornou moeda de desculpas para os comportamentos. Isso tem se tornado uma demanda crescente entre os adultos que tem buscado cada vez mais o diagnóstico, não como compreensão para o tratamento adequado, mas como desculpa para os próprios comportamentos.
A pessoa vive, 30, 40, 50 anos de uma vida onde sempre deu conta de tudo, podia ter dificuldades, mas estudou, trabalhou, constituiu família, seguiu e segue uma vida sem maiores percalços.
Então surge um novo grupo de pessoas que diante das dificuldades acreditam que precisam se inseria em algum espaço onde existam razões e “desculpas” para as falhas e insucessos.
Dentro das dificuldades que todos enfrentamos, inúmeras leituras pipocam com explicações científicas e muito achismo, aí a pessoa se depara com isso e logo busca se encaixar. Começa então um caminho perigoso, uma necessidade de que alguém diga as razões de não conseguir excelência em tudo o que faz.
Somos humanos e não precisa ninguém nos dizer que não somos e não seremos bons em tudo, que teremos dificuldades, e que vencer os desafios requer foco e determinação.
Aí eu pergunto aos adultos: você busca um diagnóstico com qual objetivo?
Depois de 40 anos, tendo um diagnóstico irá ter justificativa para as dificuldades, e diante delas a possibilidade de desistir ao invés de se empenhar?
Penso que se fosse só para autoconhecimento e para saber como administrar melhor o viver e conviver, seria muito positivo, mas o que se percebe é o inverso disso. O diagnóstico é desejado para viver o vitimismo, as desculpas e para justificar as dificuldades até então enfrentadas e vencidas.
Pois é, pode parecer até estranho mas hoje se encontra muitas pessoas vivendo esse dilema. Muitos buscam o diagnóstico esperando justificar as suas dificuldade, usam com isso todos os meios possíveis para dizer: eu não consigo porque “sou” isso ou aquilo. Essa justificativa as vezes vem de 20/30 anos atrás por um comportamento isolado e começa a se reproduzir em todas as atitudes.
Diante de dúvidas que possam surgir, primeiro precisamos nos perguntar: busco um diagnóstico com qual objetivo??
Porque a resposta para essa pergunta é também uma pergunta que fará toda a diferença: ela poderá me colocar na condição de saber que é preciso tratamento adequado para as dificuldades e esforço extra, ou me assegurará o direito para desistir?
Nessas horas a terapia é o caminho indicado, com seriedade e responsabilidade pode auxiliar a encontrar as respostas e buscar os meios mais adequados para a vida em equilíbrio.
Pra pensar!

Por Silvana Nardello Nasihgil. Ela é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)
silnn.adv@gmail.com
@silnasihgil
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