
O ano já começou, e com ele vêm os propósitos, as promessas e os desejos de mudanças.
Já começou, mas ainda sinto as pessoas preocupadas, angustiadas e desesperançosas.
Vivemos tempos confusos: os valores que aprendemos estão se desfazendo, mudando o contexto para pior. Ao invés de evoluirmos, é visível a involução, uma inversão de valores, de ideias, de objetivos. Estão se perdendo os sonhos e os medos tomam o espaço da esperança.
Vejo que se tem buscado acertar, mas diante de tantas coisas negativas, sinto também que fica difícil achar o foco… e as pessoas estão adoecendo em grande escala.
Com todo esse emaranhado de confusão, muitas vezes nem sendo algo pessoal, nos misturamos à bagunça física, mental e emocional dos outros e estamos de fato perdendo o rumo.
Hoje nas demandas pessoais já é fácil sentir os respingos da economia, da falta de segurança, da incerteza total quanto ao futuro. É muita conversa fiada, encenação, sorrisinhos idiotas e pouca ação. Nesse contexto de faz de conta, o ser humano já está cansado de viver a inconstância, começando a temer pelo futuro, bem como da sua família.
A angústia de viver sem esperanças adoece seriamente, o sono começa a demorar, os pensamentos negativos tomam conta dos dias e nada parece fluir.
Diante desse emaranhado de confusão que se instalou no “novo normal” pós-pandemia, tudo se desconfigurou. O que era para ter sido muito melhor, piorou, e muito.
Precisamos dar uma volta no nosso interior para analisarmos até quanto nos deixamos envolver, até quanto aquilo que acreditávamos se transformou. Precisamos voltar mais o foco para as nossas vidas e rever os nossos valores.
Não é possível viver o novo se acreditarmos em tudo o que vemos e ouvimos, se não tivermos firme convicção dos nossos valores, deixando-nos sermos seduzidos por um mundo que insiste em fazer de conta.
Precisamos acreditar nos nossos projetos, na força interior que tem poder de nos mover e nos apegarmos a Deus.
Se faz necessário parar de acreditar em tudo o que se vê e ouve, em tantas asneiras de redes sociais, promessas vans de pessoas incapazes e mal-intencionadas, buscando separar o joio do trigo, deixando de viver os comportamentos de rebanho e focando no nosso projeto e no bem de quem amamos.
Se não dermos uma parada para observarmos a vida, buscando compreender a realidade sem fantasia, a vida só vai, ela não espera os desavisados. Igual enchente, vai arrastando consigo quem se permitir e sem critério algum vai destruindo o que existe de melhor.
Diante de qualquer situação temos escolhas. É hora de deixarmos de lado o que nada acresce e usarmos a nossa inteligência emocional a nosso favor. Focarmos no progresso pessoal, na família, nos empreendimentos, no trabalho, e parar um pouco de tentar consertar o mundo com os olhos e atitudes alheias. Isso não nos impedirá de fazermos o bem e sermos seres sociais que se importam com a comunidade, mas sem dúvida tem o poder de colocar filtros para entendemos: o que sim, o que talvez e o que jamais.
Pra pensar !
Por Silvana Nardello Nasihgil. Ela é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)
silnn.adv@gmail.com
@silnasihgil
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