
Vivemos uma época de carência de pessoas que queiram se comprometer verdadeiramente. Estamos preenchendo os vazios emocionais de forma material, acreditando assim que se pode compensar a presença física e os “furos” emocionais.
Nunca e nada terá o poder se criar laços afetivos se não for o desejo pessoal de fazê-lo. Nessa necessidade de doação, muitos preferem a praticidade das coisas materiais do que o comprometimento.
Não fomos feitos para o descompromisso, porque se os nossos sentimentos e o nosso corpo pedem por acolhimento e amor, isso só se encontra na doação e no desejo que se ligar ao outro.
Vivemos o descompromisso das relação, o “ficar” trouxe um emaranhado de angústias, simplesmente porque relações humanas não podem ser tratadas como coisa. Um sempre irá sair machucado, ou talvez até os dois.
Isso me faz lembrar como quando a gente leva um tombo na rua. Olha para os lados, levanta, bate a poeira e todo ralado finge que não foi nada. Doeu, muitas vezes doeu muito, mas a vergonha de assumir faz com que se finja que nada foi.
Então vamos seguindo sem nos dar conta de que nada poderá suprir a doação, comprometimento, porque o amor precisa de presentes emocionais e não físicos.
Isso serve para famílias, pais, filhos, irmãos, avós, amigos e pares.
Por Silvana Nardello Nasihgil. Ela é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)
silnn.adv@gmail.com