O Monte das Oliveiras guarda uma memória que perpassa as duas alianças bíblicas: a do Novo e a do Antigo Testamento. É um sítio arqueológico que, de acordo com as narrativas bíblicas, continua ali para lembrar que o lugar está destinado a marcar geograficamente a conclusão desta era, no hebraico, o “Olam Hazeh”.
O monte forma um elevado que se estende de Norte a Sul por cerca de três quilômetros margeado pelo vale do Cedrom a Leste de Jerusalém. Conforme a Bíblia, fica “a distância do caminho de um sábado” de Jerusalém, cerca de um quilômetro apenas. Estar no Monte das Oliveiras numa manhã ensolarada é certeza de que se terá a melhor vista da cidade de Jerusalém.
A maior parte do território do Monte das Oliveiras hoje é tomada por um cemitério, onde houve sepultamentos desde o primeiro século da era cristã. Desde o sopé ao cume, o monte está pontilhado de lugares considerados sagrados para o mundo cristão.
No sopé permanecem algumas oliveiras seculares, testemunhas remanescentes da agonia de Jesus no Getsêmani. Acredita-se que as oliveiras antigas sejam remanescentes das árvores que cobriam o monte no passado. Percebe-se, contudo, replantio de oliveiras no local, principalmente no declive oposto ao monte, diante da muralha que delimita a cidade antiga de Jerusalém.
Conforme os evangelistas Mateus e Marcos, foi no Monte das Oliveiras que Jesus proferiu um duro sermão de julgamento com foco nos dias finais. Em algum lugar do monte, Jesus teria ensinado a oração do Pai Nosso. De acordo com relatos bíblicos, o mestre circulou por este lugar muitas vezes, algumas delas possivelmente para visitar seus amigos Lázaro, Maria e Marta, que viviam na aldeia de Betânia nas adjacências orientais do monte.
O retorno de Jesus a este ambiente foi previsto por Lucas em Atos dos Apóstolos. O profeta Zacarias descreve o cataclismo previsto para o Monte das Oliveiras e os acontecimentos que se sucederão: “Naquele dia, os seus pés estarão sobre o Monte das Oliveiras, a Leste de Jerusalém, e o monte se dividirá ao meio, de Leste a Oeste, por um grande vale; metade do monte será removida para o norte e a outra metade para o sul. […] O Senhor será rei de toda a terra. Naquele dia, haverá um só Senhor e o seu nome será o único nome”.
Contingente considerável de cristãos e judeus messiânicos aceitam que o texto de Zacarias se refere à emergência do reino messiânico de Cristo na Terra, no hebraico, o “Olam Haba”. Neste caso, o Monte das Oliveiras, cumpre função geográfica-escatológica precisa para os tempos extremos de uma era.

Por Tarcísio Vanderlinde. O autor pesquisa sobre povos e culturas do Oriente Médio.
tarcisiovanderlinde@gmail.com
@tarcisio_vanderlinde2023
