Jerusalém contem ícones considerados sagrados para as três principais religiões monoteístas do planeta. Alguns destes ícones, principalmente os associados ao cristianismo, costumam ter sua localização imprecisa, como é caso do local do sepultamento de Jesus.
O mesmo não ocorre com o Muro das Lamentações, que tem localização precisa e pôde ter sua materialidade rastreada desde a sua construção à época do rei Herodes. O muro servia para sustentar as ampliações e embelezamentos que o rei mandou fazer no templo à sua época.
Dependendo da fonte consultada, as histórias relacionadas ao muro se mesclam ou podem ter versões distintas. Durante os últimos 100 anos, muitos costumam ver aquele ambiente da cidade de Jerusalém como um ponto de reencontro do povo judeu após diáspora de dois milênios pelo mundo.
O historiador Efraim Rushansky, que nos acompanhou como guia pelas terras bíblicas, observa que algumas décadas depois da destruição da cidade pelos romanos, no ano 70 d.C., vogou a proibição de moradia ou até mesmo visita de judeus à Cidade Santa, sendo a punição, de quem infringisse a lei, a pena de morte. Somente no mês hebraico “Av” era permitida a entrada de judeus na cidade ou na área próxima onde se erguia o Grande Templo.
Durante o período bizantino, a esplanada do templo teria sido propositadamente deixada no abandono, como testemunha da profecia de Jesus sobre a destruição do mesmo.
A partir do século VII d.C., quando Jerusalém é conquistada pelos muçulmanos, o Monte do Templo foi limpo tornando-se o terceiro santuário em importância para o Islã. No lugar foram construídas duas mesquitas, que desde então tornaram-se a principal imagem a marcar Jerusalém.
O Muro das Lamentações é a lembrança visível para os judeus de que ali era de fato a localização do templo. Críticos costumam questionar essa crença. Os judeus chamam o lugar simplesmente de “Muro Ocidental”, o “Kotel Hamaaravi”, uma denominação mais antiga do que aquela que fez o lugar ser conhecido universalmente.
Há registros que aquele é um lugar de lamentações desde o século XVI, entretanto, a atual denominação acabou se popularizando apenas ao final do século XIX.
Depois da guerra dos Seis Dias em 1967, o lugar sofreu uma metamorfose com a construção de um enorme pátio em frente ao muro sendo que o acesso hoje é permitido a todo visitante sem acepção de religião. Internautas de todo mundo podem monitorar imagens em tempo real do muro durante 24 horas.

Por Tarcísio Vanderlinde. O autor pesquisa sobre povos e culturas do Oriente Médio.
tarcisiovanderlinde@gmail.com
@tarcisio_vanderlinde2023
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